17/12/2016

O “DR.” GOOGLE, E A NOVA ILITERACIA



  
António Fernandes 
As redes sociais permitem, entre muitas outras coisas, o exibir para os pares, que são os “amigos”, mas também, quando de publicação “publica” trate, todo o universo dos cibernautas em linha naquele momento. Universo esse que, pensarão os editores de dotes que não tem, estar a alcançar. Puro engano.
O filtro dos canais disponíveis para cada utilizador são de acesso restrito até cerca de duas centenas e meia de utilizadores, de acordo com um principio interativo médio apurado das conexões mais regulares entre sítios vulgarmente conhecidos pelo “perfil”, entre si. E se a postura for a de mero espectador sem qualquer interação entre endereços, a redução da “visibilidade” daquilo que os “amigos” publicam atinge níveis de ocupação de canal só para manter ao cibernauta o interesse no uso do meio. 
  O motor de busca mais utilizado é o da Google nas versões que disponibiliza a todos os utilizadores de serviços alojados ou de simples servidores de transito teletransportado seja de voz, do som, da imagem, ou da combinação elétrica das três componentes em pacotes de dados, como tais tratados, após desfragmentação física para conversão em sinal elétrico.
  Sobejamente conhecido, o “Dr.” Google, fornece informação em tempo útil ao interessado sobre a quase totalidade dos assuntos do interesse comum. Uma ferramenta que possibilita aos letrados neste domínio, comodamente sentados no sofá em casa, ou mesmo no emprego – o que já tem sido motivo de processo disciplinar e despedimento, e também, de proibição de conexão com rede social ou outros que não tenham que ver com o exercício da sua atividade em diversas empresas e serviços -, ao telemóvel, - o que se suspeita ser a causa maior dos acidentes rodoviários e outros acidentes do foro familiar -, no café, na escola, ou em outro qualquer local, apresentar como seu, conhecimento facultado pelo “Dr.” Google” fornecido por terceiros a uma base de dados alojada num servidor, algures. Sendo comum o recurso a Wikipédia existente sobre o assunto pretendido.
  Acontece que neste domínio a fiabilidade da informação não tem o rigor indispensável ao saber. O que motiva, não raramente, distorções e erros na informação que contem quando de especificidade trate. A que acresce possível alteração na veiculação da informação alvo colhida.
  Uma forma de vida e de lazer nos tempos correntes que, sendo negativa por ser ilusória no domínio do expectável, contem aspetos positivos imediatos porque provoca o interesse e deixa sempre resíduo de saber.
  O que também se constata é a procura constante e generalizada feita por todos os quadrantes sociais de informação imediata para divulgação, assim como suportes de correção tradução e outros na escrita, geográficos, científicos e o que demais houver de interesse no momento, para sustentar discussões correntes em fóruns ou editar no perfil individual.
  Esta nova forma de aprendizagem, no recato do ego, e do local também, por ser de fácil acesso vem alterar a forma em que o exercício da mente e do raciocínio eram condição importante e obrigavam a refletir para apurar resultados e o desenvolvimento cognitivo, para uma nova forma em que o conhecimento deixa de se alojar no cérebro humano numa zona conhecida por memória originando a estagnação mental e cognitiva, porque passou a ser portátil. Passou para a memória artificial de um qualquer telemóvel, de um qualquer PC, de um qualquer GPS, entre outras memórias que concentram informação ou simplesmente a transportam.
  O Google, um dos diversos motores de busca internacionais, funciona como um “upgrade” ao saber falacioso que se pretende mostrar ter, mas que se não tem. Dotando de literacia artificial o individuo e que se esgota no momento em que é usada por desinteresse uma vez que pode ser usada sempre que necessária.
  Temos por esta via uma nova faceta do conhecimento alojado, da sua disponibilidade e do seu interesse, sempre que é necessário, no local em que for necessário.
  E, a iliteracia, já é, uma realidade preocupante com que todos nos deparamos no nosso quotidiano ao aceitarmos como sendo natural o desconhecimento coletivo sobre matérias essenciais que a médio prazo limitarão a informação a fornecer aos diversos “Dr./s” Google/s correndo sério risco de parar no tempo por falta de novo conhecimento a introduzir.

  O conhecimento temporal necessário a todos os Homens!

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