23/08/2016

Artigo de opinião no ECONÓMICO


Viva a preguiça!
00:05 Joaquim Jorge, Fundador do Clube dos Pensadores

As férias são um excelente momento para procurarmos ser felizes e donos do nosso tempo. A sacralização do trabalho faz parte da nossa sociedade, enquanto o ócio, a preguiça, é algo mal visto.

Vivemos numa sociedade em que o seu diapasão é " trabalhar mais e receber menos". Mas não há nada mais salutar que umas boas e merecidas férias, uma sã diversão, um descanso reparador e um saudável ócio. Não ter nada para fazer, é importante na vida, para começarmos a fazer o que mais gostamos, que pode também passar por não fazer nada.

Há a ideia que os portugueses trabalham pouco, mas não é verdade. Para o que recebem, salvo raras excepções, trabalham imenso.

As férias nesta época estival é um luxo para alguns e um prazer imprescindível para outros. O ter tempo livre é importante: cultivar o pensamento, alimentar a criatividade e fazer imensas coisas valiosas que não têm preço.

Não podemos confundir o ócio com a inacção letárgica. Para muita gente o tempo livre é a arte e necessidade para fazer o que gostam: ler; ver um filme; estar atento ao que o rodeia; perceber as sacanices que alguns políticos fazem; etc..

Evidentemente que há pessoas que beatificam o trabalho, trabalham muito porque não tem nada para fazer, só sabem trabalhar e não sabem fazer mais nada. Chegam ao ponto durantes as férias deslocarem-se ao local de trabalho.

Não conseguem ocupar o tempo livre e o trabalho é uma desculpa para estarem ocupados. Um acto de cultura é saber ocupar o tempo livre.

A moralidade do trabalho é uma moralidade de explorados e escravos. O mundo moderno não tem necessidade de escravos.

O problema das férias é que são o contrário do trabalho, em vez, de produzir é gastar. Quanto mais incultas são as pessoas mais dinheiro precisam para ocupar o seu tempo livre. Tudo que vêem querem. São como os países que nada têm e nada produzem e tem que importar do estrangeiro.

Conheço pessoas tão ocas da cabeça e incultas que sem dinheiro não saberiam o que fazer nas suas férias.

As férias não são somente no Verão. Todos os tempos livres devem ser aproveitados para fazer coisas que nos enriqueçam interiormente, como ler bons livros, ir a um concerto, ver uma peça de teatro, etc.. Mas se nada disto fizermos, podemos contemplar o mar e, porque não, estar com amigos de verdade numa amena cavaqueira. Por tudo isto, vale a pena viver.

Dou-vos um conselho, não vendam nem um só minuto do vosso tempo livre e comprem o menos possível sem encargos e exageros.


As férias são um excelente momento para procurarmos ser felizes e donos do nosso tempo. A sacralização do trabalho faz parte da nossa sociedade, enquanto o ócio, a preguiça, é algo mal visto.
ECONOMICO.SAPO.PT

3 comentários:

  1. oaquim Manuel Dias Assertivo.
    Não gosto · Responder · 1 · 22/8 às 22:47
    Barbara Gaspar Cleto
    Barbara Gaspar Cleto Mas para ter acesso à cultura é preciso ter alguns € (até com "as borlas aos domingos, no museus acabaram)
    Não gosto · Responder · 1 · 22/8 às 22:54
    Vera Manteiga
    Vera Manteiga Gostei e subscrevo! Nao precisamos de muito dinheiro para fazermos aquilo que gostamos e de estar com quem gostamos! Um final de tarde em amena cavaqueira (com as pessoas certas), é revitalizante! :-D
    Não gosto · Responder · 3 · 22/8 às 23:44
    Jose Miguens
    Jose Miguens Excelente texto,meu caro. Além de muito bem escrito, fez-me ocorrer que é de facto um grande acto de cultura saber usufruir do tempo de descanso! Os meus sinceros parabéns 😤!!!...
    Não gosto · Responder · 1 · 23/8 às 0:47
    Joaquim Jorge
    Joaquim Jorge LI atentamente os comentários. Para se ser feliz não é preciso muito mas às vezes parece que é preciso muito. A arte de ser feliz é contentar-se com o que temos na nossa frente e usufruir. Obrigado.
    Gosto · Responder · 2 · 23/8 às 18:16 · Editado
    João Elisio Pereira Carvalho
    João Elisio Pereira Carvalho No mote a "Preguiça". concordo inteiramente como os últimos paragrafos, a ver : As férias não são somente no Verão. Todos os tempos livres devem ser aproveitados para fazer coisas que nos enriqueçam interiormente, como ler bons livros, ir a um concerto, ver uma peça de teatro, etc.. Mas se nada disto fizermos, podemos contemplar o mar e, porque não, estar com amigos de verdade numa amena cavaqueira. Por tudo isto, vale a pena viver.

    Dou-vos um conselho, não vendam nem um só minuto do vosso tempo livre e comprem o menos possível sem encargos e exageros.
    Não gosto · Responder · 2 · 23/8 às 14:06
    Cristina Silva
    Cristina Silva · 2 amigos em comum
    Sim, tudo é verdade... mas é urgente que no percurso educativo dos jovens se crie uma nova disciplina curricular a designar-se " Encontro comigo" em que aprendam a observar a beleza do que os rodeia, em silêncio, a lerem um livro sem tempo contado, a determinarem o que gostam de fazer como hobby, a fecharem os olhos e apreciarem boa música... e muito mais, porque os seus progenitores também não o sabem fazer e como tal não podem ser exemplo... ..que nada gire à volta de dinheiro...seria o ideal!
    Não gosto · Responder · 1 · 21 h
    Joaquim Jorge

    ResponderEliminar
  2. oaquim Manuel Dias Assertivo.
    Não gosto · Responder · 1 · 22/8 às 22:47
    Barbara Gaspar Cleto
    Barbara Gaspar Cleto Mas para ter acesso à cultura é preciso ter alguns € (até com "as borlas aos domingos, no museus acabaram)
    Não gosto · Responder · 1 · 22/8 às 22:54
    Vera Manteiga
    Vera Manteiga Gostei e subscrevo! Nao precisamos de muito dinheiro para fazermos aquilo que gostamos e de estar com quem gostamos! Um final de tarde em amena cavaqueira (com as pessoas certas), é revitalizante! :-D
    Não gosto · Responder · 3 · 22/8 às 23:44
    Jose Miguens
    Jose Miguens Excelente texto,meu caro. Além de muito bem escrito, fez-me ocorrer que é de facto um grande acto de cultura saber usufruir do tempo de descanso! Os meus sinceros parabéns 😤!!!...
    Não gosto · Responder · 1 · 23/8 às 0:47
    Joaquim Jorge
    Joaquim Jorge LI atentamente os comentários. Para se ser feliz não é preciso muito mas às vezes parece que é preciso muito. A arte de ser feliz é contentar-se com o que temos na nossa frente e usufruir. Obrigado.
    Gosto · Responder · 2 · 23/8 às 18:16 · Editado
    João Elisio Pereira Carvalho
    João Elisio Pereira Carvalho No mote a "Preguiça". concordo inteiramente como os últimos paragrafos, a ver : As férias não são somente no Verão. Todos os tempos livres devem ser aproveitados para fazer coisas que nos enriqueçam interiormente, como ler bons livros, ir a um concerto, ver uma peça de teatro, etc.. Mas se nada disto fizermos, podemos contemplar o mar e, porque não, estar com amigos de verdade numa amena cavaqueira. Por tudo isto, vale a pena viver.

    Dou-vos um conselho, não vendam nem um só minuto do vosso tempo livre e comprem o menos possível sem encargos e exageros.
    Não gosto · Responder · 2 · 23/8 às 14:06
    Cristina Silva
    Cristina Silva · 2 amigos em comum
    Sim, tudo é verdade... mas é urgente que no percurso educativo dos jovens se crie uma nova disciplina curricular a designar-se " Encontro comigo" em que aprendam a observar a beleza do que os rodeia, em silêncio, a lerem um livro sem tempo contado, a determinarem o que gostam de fazer como hobby, a fecharem os olhos e apreciarem boa música... e muito mais, porque os seus progenitores também não o sabem fazer e como tal não podem ser exemplo... ..que nada gire à volta de dinheiro...seria o ideal!
    Não gosto · Responder · 1 · 21 h
    Joaquim Jorge

    ResponderEliminar
  3. Excelente artigo.
    É tão bom ter as manhãs para dormir e as tardes para descansar.
    Depois de um ano intenso de trabalho é bem merecido o ócio e o prazer de nada fazer por obrigação!

    ResponderEliminar