15/05/2016

Crónica de Genebra





Nelson Fernandes 
« Quem trabalha e mata a fome,
Não come o pão de ninguém.
Quem não ganha o pão que come,
Come sempre o pão de alguém “.
António Aleixo.


Portugal tem tudo para ser um País Rico, malfadadamente é um País de RICOS.
E não me estou a referir aqueles que o são realmente. Não diz o ditado que “em terra de cegos quem têm olho é Rei”...!!!
Como frequentemente me acontece, a minha vida profissional leva-me a viajar e foi o caso na passada semana, em que saí aqui da Suiça atravessei 5 Países virado ao norte e passei pelo centro de Bruxelas. E não foi Schengen que contribuiu para a homogeneidade das paisagens que quem viaja pode apreciar à medida que a viatura avança. E as paisagens que eu pude apreciar, são centenas, milhares de quilómetros de terrenos por entre vales e montes, todos cultivados, ou aonde pacíficos rebanho de ovelhas ou manadas de vacas pastam. Isto até ao centro de Bruxelas. Mas estas imagens os “ Cameraman”, não captam nas suas, ainda que telescópicas objetivas. Têm muito mais impacto, nas mentes dos aficionados do sangue a escorrer, filmar meia dúzia de esventrados cadáveres de um já banalizado ataque terrorista. Morte e sangue, são o que atira os espectadores e faz subir os volumes de audiência.
Mas é a TERRA QUE QUANDO CULTIVADA, PRODUZ PÃO. E PÃO mata a fome. Mas a terra quando cultivada, não produz só pão. A terra quando cultivada, produz riqueza, a quem a cultiva. Mais, a terra quando bem cultivada, o único investimento que pede, são sementes estrume e trabalho. Mas isto de trabalho “ dizia-se em tempos, que era para o preto”...!!! “ hoje, sabem o que os pretos dizem ...??? trabalho é para o branco...!!!
O motivo desta minha crónica prende-se com uma constatação, de que Portugal é um País de gente rica, em que ninguém precisa de cultivar nada. Vai-se ao Supermercado há lá de tudo. Haja dinheiro...!!!
Tenho percorrido o nosso Portugal em todos os sentidos. Salvo raras excepções, aqui e ali e dumas Herdades no Alentejo, as quais ao que me disseram, estão nas mãos dos Espanhóis, as paisagens do nosso País são de desolação. Ou mato, ou cinza, ou despejos. Haja decoro !
E dizer que no tempo do Dr. António de Oliveira Salazar, o Alentejo produziu pão, para alimentar a Alemanha durante a Guerra e ceifado à mão...!!! Outros tempos, Amigos Leitores ... Outros tempos...!!! Mas como todos sabem, cada Ano têm quatro Estações. São Ciclos...!!! O Mundo também, até onde as referências históricas levaram o Homem viveu de ciclos. Calmaria / Paz / Cócegas / Excitação / Guerra / Calmaria / Paz.
Dirão vós, Caros Leitores, que estou sempre com pessimismos. Nada disso. Acontece que a sociedade em que vivo, obriga-me, bom ou mau grado, a ser realista.
Estamos a viver num “Ciclo de Cócegas” e se por acaso, por causa de uma “ QUALQUER FAÍSCA”...!!! aumentasse a excitação e os Portugueses tivessem que se improvisar ferreiros para temperar foices, afim de voltar a ceifar trigo ...???
I Pads e Telemóveis, não ceifam trigo. E depois, se actuais jogos das guerras das estrelas se tornarem reais e os satélites começarem a chocar “como as galinhas”, e deixarem de fornecer sinal excepto aos beligerantes, o Mundo que conhecemos poder-se-á tornar no “ Buraco Negro”, que os Cientistas há muito andam á procura ...!!!
Desiludam-se, aqueles que ainda não acordaram, do torpor porque com “ GRÂNDOLA VILA MORENA, JÁ LÁ NÃO VAI... !!!”
E para que não restem dúvidas, até admitiria a Teoria Comunista da “ terra a quem a cultiva ...”, visto que quem a possui, não o faz.
Moral da história. Aonde está quem queira cultivar terra ...??? Em Portugal não.

2 comentários:

  1. Quem assim pensa e assim fala, não anda nesta sociedade só para ver futebol e pouco mais...
    Muito bem analisado, Nelson Fernandes; este país há muitos anos que vem sendo destruído a vários níveis. Na agricultura então, dá pena; basta atravessar a fronteira para Espanha e logo aí dá para ver que diferença...

    Hercília Oliveira

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  2. Dava-lhe nota máxima se não tivesse começado com a quadra tão acertada do António Aleixo.
    Porém a terra nunca foi, nem nunca será de quem a trabalha, mas sim dos exploradores de quem a trabalha. A propósito tivemos um sr de nome Cavaco Silva, que andou a distribuir dinheiro para que não fosse cultivada, mas esse dinheiro não foi aos que a trabalhavam, como facilmente se compreende... Mas não só a terra como outros sectores da economia portuguesa.
    Quanto ao pão produzido à mão para alimentar a Alemanha foi a moeda de troca para não entrarmos na guerra: era o chamado pão da escravatura...
    Outra das coisas que se percebe, é que o sr tem uma azia muito grande ao seu "país,"
    confesso que gostava de saber como se apresenta nos países que visita, provavelmente como cidadão desse famigerado país, que há muitos e longos anos tem servido para encobrir o dinheiro que faz falta, para acabar com a fome de setecentos e noventa e cinco milhões de pessoas por este mundo fora.
    Esses terrenos que o sr vê cultivados, são-no porque quem os cultiva orgulha-se de quem lhes paga para que isso aconteça, porque são justos e reconhecem-nos como pessoas, o que me parece que o sr não faz tal a forma como fala do seu povo, (salvo seja).

    Sem ter chicote nem vara
    Manda-me a minha razão
    Atirar versos à cara
    Dos que me roubam o pão

    António Aleixo

    Eu queria acreditar
    num mundo bem melhor
    mas não posso ignorar
    ignomínia maior...

    Inocêncio Matos

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