05/05/2016

Artigo de opinião de Joaquim Jorge no Record




Magnífico Atlético de Madrid


Joaquim Jorge

Simeone tem algo que excita e faz seguir a sua equipa. Há uma certa atracção e simpatia pelo Atlético de Madrid quando joga. O entusiasmo que transmite à sua equipa nos jogos é um marco no actual futebol mundial. O jogo com o Bayern de Munique foi maravilhoso, tudo em aberto na parte final, um penálti falhado por Torres, de seguida, a possibilidade do Bayern marcar um golo criou um suspense enorme.
Já, na primeira-mão da meia-final da Liga dos Campeões, ao vencer o Bayern de Munique por 1-0 fiquei impressionado pela cultura táctica e postura em campo dos seus jogadores. São atletas que jogam futebol que passam a soldados, por sua vez, se transformam em guerreiros. Pode, por vezes não ser bonito, mas é de uma eficácia avassaladora.
Simeone formou neste Atlético uma equipa que nenhum outro treinador até agora foi capaz de o fazer à sua imagem e semelhança.
Tem jogadores disciplinados, em movimento constante com uma entre- ajuda notável, obsessivamente trabalhadores e lutadores, que sabem o que fazem em cada situação do jogo e em cada momento do jogo.
Tudo isto exige muitas horas de treino e uma simbiose perfeita entre Simeone e os seus jogadores. Por outro lado, para além de atletas que jogam com o seu físico também jogam com a mente. Tem a arte e o engenho de se adaptar aos seus jogadores e potenciar as suas qualidades.
Neste jogo da segunda- mão contra o Bayern de Munique tomei partido pelos espanhóis. Há uma tendência para contemplar a história e ser pelo David contra o Golias.
O Bayern é mais poderoso e rico do que o Atlético, mas mesmo assim foi eliminado no seu próprio estádio. Pep Guardiola sai sem glória de Munique. Mesmo vencendo por 2-1 , nos dois jogos limitou-se a ter mais tempo a posse de bola e jogar bonito, mas não chegou. Contudo ter a posse de bola não é o mesmo que vencer um jogo e marcar golos.
Já antes o Atlético de Madrid contra os aristocratas de Barcelona deu uma lição como saber esperar o melhor momento para matar um jogo e a respectiva eliminatória.
Nesta eliminatória da Liga dos Campeões entre Atlético e Bayern foi um confronto de estilos.
Guardiola nas suas equipas quer a posse de bola, como principal finalidade para vencer. Simeone deprecia a posse de bola e não considera factor principal num jogo. Não tem problemas em dar a iniciativa ao adversário. O único objectivo que vale a pena é vencer a todo o custo, por muito duro que seja o caminho, muitas vezes com sangue suor e lágrimas. Os seus jogadores morrem por um colega e são peritos no contra-golpe, isso viu-se no golo de Griezmann que valeu a eliminatória.
Estão nesta final da Liga dos Campeões sofrida palmo a palmo, segundo a segundo, e conquistada por um guarda-redes fabuloso, Jan Oblak (esloveno). Parou um penálti e fez uma mão cheia de defesas que valeram uma final.
Simeone é um pragmático, resultadista e marcial.

Nota: O Real Madrid também está na final. O Manchester City mostrou à saciedade que quem deveria ter estado no seu lugar era o Paris Saint Germain . Foi uma equipa que acusou a pressão e deu uma pálida imagem. O Ronaldo jogando, mesmo condicionado pelo receio de uma recaída, torna o Real Madrid melhor e mais perigoso. A sua presença em campo é uma mais-valia.

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