09/05/2016

Artigo de opinião de Joaquim Jorge no PT Jornal


CLUBE DOS PENSADORES

Ensino particular, assim não!








Convém esclarecer o seguinte sobre esta polémica nos colégios privados. O financiamento do Estado aos colégios privados incide sobre apoio a alunos do ensino oficial que não tinham outra escola para frequentar.

Isto é, um aluno no local onde reside não havia uma escola do ensino oficial para frequentar. Deste modo, e bem, o referido aluno ia para uma escola do ensino particular pago pelo Estado. A sua família pagava zero para o seu filho estudar num colégio do ensino particular que convivia e usufruía de todas as condições de um aluno que pagava uma choruda mensalidade.

Como, infelizmente tem havido, ao longo dos anos menos nascimentos, a comunidade escolar tem diminuído drasticamente. Deste modo, há espaço para esses referidos alunos que não pagavam nada no ensino particular, serem incorporados nas escolas públicas que existem perto da sua residência.

Estas manifestações não têm razão de ser. Sou pelo ensino público como pelo ensino particular, todavia o nosso país não tem recursos para estar a gastar dinheiro com alunos para os ter a estudar num colégio privado quando podem estar numa escola pública.

Os pais dos alunos que se encontram nesses colégios que perderam apoio estatal, querem manter os seus filhos nos colégios. Muito bem. Que paguem para os manter nesse colégio! A questão é que querem que os seus filhos se mantenham nos colégios privados a custo zero.

Esta é a verdade nua e crua. Desculpem!

Lembro-me de ter uma amigo que se gabava que tinha o filho no Colégio Universal no Porto, e que desdenhava do ensino público. Mais tarde vim a saber que nada pagava do seu filho ao abrigo do protocolo que esse colégio tinha com o Estado para ter alunos do ensino público, a custo zero.

Assim não vale e é feio querer ter regalias de ricos e pagamento de pobres. O meu filho estudou no Externato Ribadouro, mas todos os meses pagava uma mensalidade que era substancial para lá estudar.

O Estado continua a apoiar o ensino particular, para outros fins: obras, instalações, etc. Agora para pagar a alunos que podem estudar no ensino público. Não!

Convém que não se intoxique a opinião pública. O ensino público é gratuito, mas é o Estado que decide onde esse ensino é feito, não são os pais dos alunos, nem os professores, nem os alunos do ensino particular que o decidem. Se há pais que querem ter os seus filhos no ensino particular, podem fazê-lo mas têm que pagar. Agora querer ter os filhos no ensino particular a custo zero, mas pagos por todos os portugueses. Não!

Sermos pobres porque não se dispõem de recursos é triste. Mas sermos pobres porque não sabemos utilizar os recursos que temos ao nosso alcance é estupidez.

O dinheiro público que está no orçamento para a educação não pode ser esbanjado para ter alunos que não pagam no ensino particular.

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5 comentários:

  1. 12Tu, Domingos Madureira, Ana Ferreira e 9 outras pessoas
    Comentários
    Manuel Caetano Oliveira
    Manuel Caetano Oliveira Bravo, abração.
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    Fernanda Drummond
    Fernanda Drummond Joaquim costumas ser assertivo, mas desculpa estás mal informado, estás a meter tudo no mesmo saco e nas escolas do ensino cooperativo não há alunos a pagar e são miúdos desde necessitados e são muitos e miúdos sem necessidades como em todas as escolas...Ver mais
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    Joaquim Jorge
    Joaquim Jorge Fernanda o cerne da questão foi o que elenquei. Não tens que pedir desculpa é a tua opinião não é a minha. Eu respeito a opinião dos outros. Durante muitos anos fui professor no ensino privado e sei do que estou a falar. Obrigado.
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    Fernanda Drummond
    Fernanda Drummond Estás a confundir colégios privados com escolas de ensino cooperativo,
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    Joaquim Jorge
    Joaquim Jorge Não estou a confundir nada. Eu falei em colégios privados não falei em escolas do ensino cooperativo. Sou contra que o estado tenha que desembolsar uma verba podendo estar numa escola pública. Obrigado.
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    Isabel Coutinho
    Isabel Coutinho Dúvida: ensino cooperativo é ensino de inclusão !!!
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  2. Domingos Madureira Meu caro Joaquim Jorge, retirei, de propósito, a famigerada tutela que tanto se usa e abusa do dr. E tão somente porque preferi tratá-lo como um homem de letras com H grande. Louvo a sua crónica relativa ao ensino particular. Ela foi tão esclarecedora ...Ver mais
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    Domingos Madureira
    Domingos Madureira Passassem pelo ensino público para darem o seu valor e prepara-las para o ensino superior. Mas hoje quase todos nós pretendemos ser "chulos" do estado e também não concordo. Parabéns porque a sua publicação foi atempada, esclarecedora e séria; - de resto, como esperava de si..... Bem haja.
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    Joaquim Jorge
    Joaquim Jorge Agradeço as suas palavras. Nada tenho contra o ensino particular. Os pais é que devem poder escolher o que desejam para os seus filhos. Por outro lado o despacho do governo veio definir que só serão financiadas as escolas nas zonas onde não existe oferta pública ou, existindo esta oferta, mantém-se apenas o financiamento das turmas até que estes alunos acabem o ciclo de ensino que actualmente frequentam. No fundo para muitos não é uma mudança radical mas no fim do ciclo de estudos. Suponhamos que o aluno está no 8.º ano fica no ensino particular até fazer o 9.º ano . Só depois no 10.º ano vai para uma escola pública.

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  3. Penso que o Joaquim Jorge foi claro na sua opinião e ademais imparcial, não tomando partido tendencioso com a sua classe profissional.
    Os vários comentários, opiniões e outros bitaites que se vêem de uma maneira geral nos vários meios de comunicação, reflectem mais uma vez que nem todos estamos a pensar no bem comum.
    "Os contratos de associação começaram a ser celebrados entre o Governo e as escolas do ensino particular e cooperativo na década de 80, com o objectivo de assegurar o ensino aos alunos dos ensinos básico e secundário em zonas do país onde a oferta estatal não dava resposta suficiente."
    De todas as variáveis que podemos incluir, falemos apenas de duas, diminuição da taxa de natalidade e a migração para os grandes centros, será que estes dois factores serão o bastante para concluir que estes contratos associativos têm que ser repensados e ajustar as necessidades às ofertas disponíveis pela parte estatal? Pois a garantia de ensino gratuito a todos faz parte de um "contrato" (consagrado na constituição portuguesa) que todos os governos têm que cumprir com a população.
    Há uma questão que não tenho visto debatida e levada a lume, trata-se da justificação para que, essa mesma escola, particular, possa receber o dito apoio, os pais ou encarregados de educação não têm que entregar uma declaração de rendimentos, para que seja feita avaliação das necessidades, também económicas, que justifiquem além da falta de oferta na área de residência, a falta de recursos do agregado familiar e assim se justificar a ajuda do estado?
    Quanto aos professores, desculpem, sejam razoáveis e honestos, todas as profissões estão sujeitas aos (des)prazeres do mercado. Honrem a vossa classe, com classe.

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  4. Caro Joaquim Jorge, tens toda a razão e o artigo está muito claro.

    Eu também acho isso mesmo. No entanto, todas as mudanças têm de ser refletidas e não precipitadas e jamais mudar regras a meio do jogo. O inábil, inconsequente e maior incompetente que o Ministério da Educação jamais teve, está a levar o Governo a ser caloteiro e vigarista que não cumpre contratos.

    A ideia de acabar com estes apoios é certíssima. Mas honrar compromissos também é. O Estado deveria ser uma pessoa de bem, mas já nos habituamos a ver que não é, pela prática sobretudo dos últimos Primeiros Ministros mentirosos e trafulhas.

    O contrato foi assinado por Passos Coelho, qual virgem ofendida que ataca o governo por ser despesista, quando esta medida é o contrário. Esse contrato expira daqui a 2 anos, após o fim deste ano letivo.

    O Governo deveria dizer às escolas privadas que após o fim do acordo celebrado, acabaria este regime excecional. Os pais que queiram continuar com seus filhos nos colégios, têm toda a liberdade, porque será uma negociação entre privados: os pais e os colégios. O Governo não se mete.

    Este é mais um exemplo de uma boa ideia que dá numa má prática, porque não temos gente que governe com seriedade e há muito tempo que assim é. São gaiatos.

    Quebrar contratos parece ser a especialidade deste Governo. O tiro pode sair-lhes pela culatra. Se o anterior governo era deplorável, este está a querer concorrer para empatar. Quem vai investir em Portugal? Obviamente que ninguém, quando verificam que é uma gangue que governa, que não respeita nada nem ninguém. Quando vêm que o nível de seriedade e de sanidade é similar ao do Nicolas Maluco da Venezuela, está tudo dito.

    Portanto, a medida é certa, mas tomado no momento erradíssimo. teria de ser tomada com entrada em vigor após o termo do contrato. Assim é que se fazem as coisas com seriedade e entre pessoas sérias.

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  5. os contratos não acabam unilateralmente...
    Um aluno que está no 7.ºano pode continuar até perfazer o 3.ºciclo. Isto é até ao 9.ºano. Quando for para o 10.ºano , aí sim, terá que ir para uma escola pública . Este caso coaduna-se com alunos no 10.ºano até ao 12.ºano. O problema é que não se pode estar numa escola de "ricos" com bolsos de pobres. Santa paciência!

    O Estado sempre subsidiou tudo e todos de uma forma obscena para os contribuintes.

    JJ

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