14/04/2016

Artigo de opinião de Joaquim Jorge no Record



PINTO DA COSTA ENTRE O ÉPICO E O DRAMA

Pinto da Costa está entre o épico e o drama. Alguém que deu tantas alegrias e tantos títulos ao F. C. Porto viu-se obrigado a dar uma entrevista em que fez mea culpa, procurou controlar os danos e tornar o seu próximo mandato do triénio 2016/19 à frente do Porto, algo glorioso.

As grandes vitórias do Porto, os seus títulos com Pinto da Costa, como presidente parecem coisas longínquas e de há muitos anos. Pinto da Costa pode passar, pelo drama de herói a vilão.

As manifestações de desagrado contra Pinto da Costa pelos maus resultados, em consequência, de ao fim de quase três anos o Porto nada vencer. A insatisfação dos adeptos levou a que alguns se manifestassem perto da sua casa com faixas e petardos. Algo impensável há uns anos atrás, em que Pinto da Costa era quase um Deus para os portistas.

A relação de 34 anos entre os adeptos portistas e Pinto da Costa parece estar próxima do divórcio. Tarjas com dizeres: "Je suis comissionista" e "Desculpa mestre Pedroto… o presidente anda cego com as comissões…". Mostra que as coisas estão a ficar complicadas.

Este desagrado tornou-se mais intenso depois de se saber que Alexandre Pinto da Costa (seu filho) é detentor da empresa Energy Soccer que terá lucrado 1,94 milhões de euros em negócios com o Porto.
Para além dos adeptos, várias vozes, a mais sonante é a de Vítor Baía que tem-se intensificado em críticas com argumentos e apontando novos caminhos.

Pinto da Costa procurou na sua entrevista transmitir optimismo, apresentar soluções e dar algumas pistas.
Pinto da Costa procura, ser de novo, o salvador da pátria portista. Mas nada será como antes. Pinto da Costa ou consegue na próxima época ser campeão ou não terá tolerância.

Pinto da Costa joga também o seu futuro imediato à frente do Porto. Pinto da Costa costuma dar a volta por cima quando as coisas se tornam difíceis, todavia já não tem a áurea e a energia de outrora, os anos começam a pesar, contudo a sua cabeça continua bem arrumada e a saber o que quer.

A análise que fez do que se tem passado é correcta mas não pode atirar somente as culpas para Julian Lopetegui, pois quem o contratou foi o mesmo Pinto da Costa.

Pinto da Costa vai voltar a ser presidente, a partir de 17 de abril, mas a sua tolerância é zero. Se falhar, como não soube retirar-se na devida altura, em vez, de sair pelo seu próprio pé em glória, será corrido sem apelo nem agravo.
Que falta lhe faz um Reinaldo Teles, em forma! Reinaldo Teles sempre foi bom conselheiro, um pilar na retaguarda de Pinto da Costa, pela sua lealdade e a excelente relação que tinha com os jogadores.

Os seus problemas de saúde a morte da sua esposa fizeram com que se tornasse uma figura menos proeminente.
Pinto da Costa deve procurar reeditar êxitos antigos com os mesmos de sempre, e não, com pessoas que se deslumbram com o cargo que ocupam. Antero Henrique não tem estaleca, nem perfil, para altos voos.

Nota: grande jogo do Real Madrid, com Ronaldo no top, na Liga dos Campeões. O Benfica afastado mas digno. Por este andar, o Barcelona com três derrotas consecutivas arrisca-se a perder tudo. Grandes guerreiros no Atlético de Madrid.

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1 comentário:

  1. Amigo JJ, concordo com esta análise.
    O FCP e os portistas devem a Pinto da Costa ter transformado uma equipa regional em equipa mundial. Mas Pinto da Costa corre o risco de ser ele a transformar uma equipa mundial numa triste equipa regional, que é o nível que ela hoje tem. Ninguém respeita a equipa.

    Os erros de há 3 anos a esta parte devem-se a Pinto da Costa. Mal rodeado, cheio de incompetentes e lambe cús à sua volta, gravitando à procura de comissões.
    Um Clube que há mais de 10 anos vende todos os anos jogadores por dezenas de milhões, como é que ainda apresenta prejuízos alarmantes?

    Também na vertente financeira há um descalabro e muita incompetência ou algo muito pior.
    As notícias do Correio da Manhã não indiciam nada de bom a este respeito.
    Outra coisa muito má é reduzir o FCP a Pinto da Costa. O Clube é infinitamente mais que Pinto da Costa, por maior valor e valia do mesmo. Reconhecer o seu imenso trabalho é uma coisa justa, reduzir o FCP a sua propriedade é outra bem distinta.
    Espero que os desaires (os maiores destes últimos 30 anos), possam ser corrigidos, para bem do FCP e de Pinto da Costa, de modo a retirar-se em grande, como aliás merece. Porque se tal não acontecer, vaticino um fim triste para Pinto da Costa e obviamente para o FCP.

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