29/01/2016

Mais um caso de utilização do biogás



Miguel Mota 
Ao longo de algumas décadas, tenho tentado chamar a atenção para o biogás, uma forma de energia renovável que Portugal tem negligenciado. Não sou especialista da matéria mas, alguns casos de que tenho notícia levam-me a pensar que poderia ser extensivamente usado em Portugal, no aproveitamento de estrume, lixos e esgotos.
Lixos e esgotos custam a Portugal muitos milhões de euros, para os armazenar em aterros ou lançar para o mar, depois de passarem por uma ETAR que não é barata. Através da decomposição anaeróbica (na ausência de ar) destes detritos, resulta um gás, metano, composto por um átomo de carbono e quatro de hidrogénio, que pode ser usado para produzir calor, ou em geradores de electricidade ou em motores de explosão usados em veículos. O que temos é muito pouco. Além dos estrumes e dos lixos urbanos, o problema da poluição nas zonas de criação de porcos talvez encontre no biogás uma boa solução.
Nos cálculos do custo da produção do biogás, haverá que se contar sempre com o que se poupa nos custos de eliminar essa “poluição”.
No artigo “Energias renováveis negligenciadas”, no Linhas de Elvas de 8-4-2010, referi que os autocarros de transporte público, na cidade sueca de Helsinborg, utilizavam o biogás “produzido numa grande unidade. O líquido sobrante é levado para os campos por pipeline e utilizado pela agricultura, como um óptimo fertilizante.”
Recebo agora a notícia de os esgotos da cidade de Grand Junction, no estado americano do Colorado, serem usados da mesma forma, para produção de biogás, o combustível que alimenta a frota de autocarros e vários camiões.
Na Europa, é na Alemanha que o biogás está mais utilizado e esse país clama que as suas instalações para o produzir são as melhores.
Em Fevereiro de 2009 foi criada a Associação Europeia do Biogás (European Biogas Association, EBA, em inglês), com sede em Bruxelas. Portugal não é sócio.

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