02/11/2015

Olhar para onde?




Isabel Coutinho
Que olhar, Deus meu, que olhar! 
Raio de passado este, suportado nos pilares do trabalho duro, sacrifício total, desgaste até o tutano, catano, sempre à espera de um presente que o futuro nos prometia. 
Azia. 
E mais um ano passou, mais uma geração desertou, e outra tanta gente finou, assim, perante tanta gente "séria", que ao ver esta triste miséria ainda tem força para sorrir. 
Que pedir para o próximo ano? 
Apenas um pulhado de justiça, que varra toda esta mixórdia que nos encharca até ao pescoço, nos sufoca e nos tolhe a nossa única fortuna: a esperança. 
Pedem-nos para olhar em frente, que a luz vem aí! Qual luz!? 
Só se for a deles! 
Os nossos filhos fogem a sete pés, os nossos velhos são tratados como ralés, e os que se aqui vão aguentando vão sendo espremidos como galinhas para arroz de cabidela, que uns comem, satisfeitos por mais uma encabadela!
Olhar para o futuro!? Com promessas que nunca cumprem!? Não, obrigado. 
Preferimos então que nos larguem, nos deixem sem nada nos dizer, pois no silêncio e na nossa ignorância é mais fácil viver, mesmo a sofrer. 
Pior que o cheiro da bosta é a ilusão que nos é imposta. 
E, aqui, onde tudo é autêntico, preferimos comer palha do que viver de um caviar que não passa de um cheque para o outro pagar, nós. 
O que nos resta? 
Acreditar na justiça, venha ela de onde vier.
Manuel Muralhas
(enviado por Isabel Coutinho )

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