07/10/2015

Eleições: o rescaldo e a Pasokização do PS




Mário Russo
A minha análise sobre estas eleições não coincide com a corrente de pensamento que tenho lido, a não ser num aspeto: se alguém no início deste ano dissesse que a coligação governamental iria ganhar as eleições, estaria louco. Quanto ao resto tenho uma leitura diversa, que é semelhante à previsão que fiz há bastante tempo e aqui deixei expressa neste espaço de opinião tão bem conduzida por Joaquim Jorge.
De facto, escrevi (23 de Março) que se estava a formar uma tempestade perfeita para derrubar António Costa ( AC) e aconteceu. Arroguei-me o direito de aconselhar algumas coisas a AC para evitar a dita tempestade. Claro que AC tem os seus conselheiros e dispensou a minha modesta “consultoria” de borla. E perdeu, porque os seus conselheiros mostraram ser mesmo medíocres e imberbes. Não conhecem o país, nem o povo português. AC não afastou Socráticos odiosos, nem Seguristas como Brilhante Dias (brilhante não sei em quê), que teimou sempre em ser um verdadeiro assassino do líder do seu partido. Por outro lado, ter amigas como Maria de Belém, AC não precisa de ter inimigos. Foram demasiados tiros nos pés.
Os ressabiados Seguristas nunca puxaram para o mesmo lado. A derrota de AC foi uma vitória para eles. Porém, comparar a situação em que AC se candidatou a líder do PS, quando o Governo estava na pior fase de popularidade (altamente negativa) e que A J Seguro estava quase empatado com o PSD/CDS e a atual, em que a tal tempestade se formava, com indicadores macroeconómicos favoráveis, juros baixos, petróleo baixíssimo, Comissão Europeia a intrometer-se na campanha, etc., é mera coincidência. Mais ainda quando foram os Seguristas que minaram o terreno do PS, que está esfrangalhado e a caminho da Pasokização.
Duvido que AC tenha condições de continuar, porque será mordido nas canelas todos os dias pela matilha dos herdeiros.
Os vampiros puseram-se já na mesa do repasto para verter o sangue de AC, como hienas famintas e insalivadas, capitaneadas por um tal Beleza, mais um jotinha à espera de um lugar.
Diante desta desgraça, a coligação venceu, mesmo tendo perdido mais de 12% dos votos em relação à última eleição e não atingido a maioria. Não vale a pena iludir a questão. O povo pensou o seguinte: o PS (o do Sócrates, mas foi o PS) é que contribuiu para o descalabro das contas. O atual Governo teve de arcar com um fardo pesado e o odioso do ónus de aplicar um programa indigesto. Agora que há sinais de melhoria, embora ténues, é melhor dar o benefício da dúvida, porque o PS é um saco de gatos, sem credibilidade, desorganizado, “facilitista”.
Mas como o povo está de mal com este governo, pois ninguém esquece o gozo de PPC em arrochar o povo com a brutal carga de impostos e sempre a sorrir, não lhe deu a maioria, para que se entenda e sobretudo, para não ter a porta aberta para fazer mais misérias.
Cavaco Silva vem agora dizer que os partidos devem entender-se, tal como países nórdicos o fazem. Só que Cavaco está mais desacreditado que pau de galinheiro, e ninguém o leva a sério, e por outro lado, não somos os civilizados do norte, mas uns incultos e boçais mediterrânicos.
Diante deste quadro, os vencedores destas eleições, à cabeça, foram PPC e Portas e o seu aliado Bloco de Esquerda, que se fartou de bater no PS, como gato em bofe.

4 comentários:

  1. ficar reduzido a cinzas não me parece mas que pode ficar partido em dois tudo leva a crer. Há um PS mais à esquerda e há um PS mais à direita . No futuro haver dois Ps`s pode acontecer ou ser absorvidos pelos partidos do lado .Pelo PSD à direita ou pelo BE.

    Não haver poder e poder dar lugares acentua-se as clivagens

    JJ

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  2. Confesso que ando um tanto baralhado com o que se passa neste país. Mas o que vai pelo mundo afora também não ajuda nada. A que, inevitavelmente, tenho de acrescer que estou numa fase da minha vida em que me estou a começar a sentir cansado... de muitas coisas. De muitas pessoas e da péssima condução da vida pública nas cúpulas da Europa e do nosso país.
    A Democracia será o que se está a passar em termos de votação dispersa por vários partidos. Dois setores teoricamente distintos: a Direita e a Esquerda. A Direita - aparentemente - unidíssima em torno de "chefes" que são testas de ferro de interesses económicos muito bem instalados e a Esquerda - nitidamente - e deliberadamente desunida para ter lugares onde se sentar no Parlamento.
    E aqui é que está o busíles da questão da atualidade política nacional. Houvesse uma Esquerda Unida e, então aí sim. O povo ao votar tinha de decidir com responsabilidade e confiança em que grupo devia votar. Se na Direita se na Esquerda. É que, definitivamente, há Direita e há Esquerda. Só que a Direita sabe o que quer e a sua tarefa política é evidente: convencer os eleitores que são capazes de criar Riqueza (que os seus apoiantes irão gozar e tendo em consideração que não podemos ser todos ricos) e que o Zé Povinho pode ficar descansado que ninguém lhe vai tirar a sua sopinha.
    A Esquerda, por seu turno, sempre a repetir até à exaustão, o discurso dos malandros do Capital, da ineficácia da União Europeia e da moeda única, a defesa dos trabalhadores, funcionários públicos e pensionistas, só pensa nos votos para ter lugares no Parlamento descurando a sua eventual responsabilidade PATRIÓTICA de serem governo se os seus votos assim o indicarem...
    No meio disto tudo, temos um PS num submarino com o periscópio esfumado...

    António Nunes

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  3. O problema do PS foi mesmo falta de competência. De facto não houve reunir das tropas e pôr toda a gente no seu lugar. Não é uma questão de chefes. É de ordem, disciplina e competência. Foram demasiados tiros nos pés. António Costa pode responsabilizar o partido inimigo que está dentro do PS, os Seguristas, que fizeram tudo para o partido perder. Só há um caminho para esses, porrada de criar bicho. Aliás, um partido em que se apresenta gente sem nível nenhum, como o Sr. Beleza, como candidato a líder do partido...está tudo dito. Está mesmo nas ruas da amargura.

    Que credibilidade tem uma pessoa como esse Beleza? Donde é que saiu essa pessoa? parece-se com aqueles ratos que emergem num tempestade, saindo de tudo que é buraco. É uma figura desleixada e sinistra que não se vê ao espelho. Mais um que andou às facadas ao líder para que este perdesse.

    AC pôs-se a jeito. O PSD/CDS foi mais eficaz na mensagem. Aliás, com medíocres a comandar a campanha do PS, era fácil abater o PS. Até porque objetivamente o PS foi culpado do descalabro e AC não desmontou essa teoria de que ele não podia ficar refém do passado.

    Os seguristas estão a vingar-se e preferem ver a Pasokização do PS, do que ver Costa triunfar.

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  4. Álvaro Beleza é um médico de renome que foi director do Instituto do sangue. Pugna pela abertura dos partidos aos cidadãos. Já esteve no Clube e teve um comportamento digno.

    No fundo faz um papel difícil de alimentar a chama das ideias de Seguro.

    Nota-se que não vens ao Clube há muito tempo e desse modo constróis uma opinião diferente e do que lês e observas.

    António Costa também não foi correcto com António Seguro.

    António Seguro e o seu silêncio são demolidores para Costa.Como dizia Charles de Gaulle : "Nada faz realçar mais a autoridade do que o silêncio, esplendor dos fortes e refúgio dos fracos".


    António Costa parece uma pessoa no ar em que PSD/CDS a puxar pelas mãos para um lado e o PCP e BE a puxar pelos pés para o outro lado. O fim disto é que o homem vai-se esfrangalhar e rebentar ao meio. Isto é, vai sr o seu fim a prazo.

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