29/06/2015

Entrevista de Joaquim Jorge ao jornal audiência




JOAQUIM JORGE, FUNDADOR DO CLUBE DOS PENSADORES

“Fazer um livro dá muito trabalho e muitas horas de sono, mas penso que é importante fazer pedagogia”

O fundador do Clube dos Pensadores, Joaquim Jorge, apresentou recentemente o seu novo livro, “Pedagogia Cívica”, numa sessão que contou com a presença da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz. Aproveitando a oportunidade, o AUDIÊNCIA esteve à conversa com o escritor que
vive em Gaia há mais de 30 anos e que é conhecido pelas suas afirmações frontais.
O que é que pode ser lido no livro Pedagogia Cívica?
 Pode ler-se imensa coisa relacionada com fazer pedagogia cívica que pode abarcar assuntos de política, cidadania,ambiente, etc.  O livro foca como gostaria que os políticos fizessem política pelo exemplo ,e não, com palavreado vão.Os cidadãos estão fartos de gente que se aproveite do erário público e que lhes mintam. A sociedade deve ter a segurança que a justiça funciona como parte do sistema.Há que educar a sociedade em que o que é público é sagrado. Que não se pode meter a mão no que é de todos. O problema que temos é que alguém pense que o dinheiro de todos não é de ninguém.
O livro reúne a experiência das várias edições do Clube dos Pensadores?
 Não. O livro trata de assuntos na ordem do dia: essencialmente a relação cidadãos vs. política , mas também  a relação cidadão vs. operadoras telecomunicações , a relação dos jovens com o mundo de hoje, a relação dos cidadãos com os animais, etc.
Há muita gente a fazer livros . Eu até digo em ar de brincadeira que há mais gente a fazer livros do que a lê-los. Claro que é um exagero. Fazer um livro dá muito trabalho e muitas horas de sono, mas penso que é importante fazer pedagogia , no fundo voluntariado social – é o que faço no Clube dos Pensadores.
Critica o elevado número de partidos políticos e candidatos às presidenciais. É um dos males da democracia?
Sim , há tanta gente a concorrer a eleições. Para quê? Somos um país tão pequeno é preciso tantos partidos? Compreendo para terem tempo de antena...  Seria importante ajustar a lei de formação de partidos. Há partidos em Portugal que se formaram com 7.500 assinaturas e nada fazem numa legislatura, depois concorrem e por vezes até têm menos votos dos que indicados para se formarem. A lei tem que ser alterada, há partidos que não mostram nenhuma actividade não tem razão de existir. Um partido formado não pode ser para toda a vida tem que mostrar ao longo da sua existência serviço. Com isto não sou contra a existência de partidos , sou sim, a favor de partidos activos, interventivos e ajustados à nossa sociedade. Um dos males da nossa sociedade é o mau exemplo dado pelos políticos nas suas atitudes e comportamentos. Quem está na política julga-se uma casta superior, para mim as pessoas mais importantes e com mais valor são pessoas anónimas e desconhecidas da opinião pública , que estão em casa porque não estão para se incomodar. A política não exclusivo de partidos e de militantes de partidos. A política tem que ver com todos nós.
Citou Winston Churchill numa das recentes crónicas no JN, quando este afirmou que a democracia, embora melhor sistema que outros, é a pior forma de governo. Vislumbra ser possível outro regime político? Ou uma evolução do sistema democrático?
Sou um democrata e porventura se vivesse numa ditadura emigrava e tentava derrubar esse regime. Provavelmente iria preso. Não concebo um regime sem liberdade e dignidade humana. Todavia este nosso regime tem vindo ao de cima  muitos males. O regime tem que evoluir, haver uma regeneração do sistema político. Há quem advogue correr com estes políticos todos . Porém os novos políticos muitas vezes são piores do que os antigos. Prefiro a reinvenção da democracia, a obrigatoriedade de prestação de contas dos políticos e transparência na vida pública.
O sistema político precisa de válvulas de segurança, de mecanismos de controlo e auto-regulação.  A legitimidade do voto tem um papel fundamental em democracia, mas não lhe dá o direito de influenciar e interferir noutras áreas. O Clube dos Pensadores serve de complemento dos partidos políticos não os quer substituir.

Ferreira Leite 

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