28/02/2015

Ainda a democracia


Miguel Mota 
Como eu escrevi no artigo “A esquerda e a direita”, cada vez fico mais perplexo em relação às ideias políticas dos portuguesas. (No artigo citado a palavra “fico”, que se pode deduzir, o que não anula a falta, deve ter desaparecido por qualquer erro meu no computador. As minhas desculpas).
No Linhas de Elvas de 15/2/2015, Velez Correia refere “... logo após a nossa entrada na Democracia...”. Não sei se considera essa "entrada" logo após o 25 de Abril e inclui a ditadura comunista do PREC, quando o povo não tinha qualquer possibilidade de ter influência nas graves decisões então tomadas, ou apenas mais tarde, quando já tinha havido um arremedo de eleições "livres". Presumo que, tal como à quase totalidade dos portugueses, nada o incomoda não poder candidatar-se a deputado se o desejar. Nem o incomoda que, ao delegar, pelo voto, o poder que em democracia lhe pertence, só poder fazê-lo num conjunto de candidatos "nomeados" como tal, ditatorialmente, por alguém. É a sua opinião e tem direito a ela.

Em ditadura, faz-se o que os ditadores querem. Em democracia, faz-se o que o povo – a que Velez Correia e eu pertencemos – deseja.
Na coluna ao lado da de Velez Correia, o advogado Sílvio Bairrada transcreve um dos muito afrontosos casos que têm ocorrido em Portugal. Ao apresentá-lo diz “... esta tropa fandanga que nos saiu na rifa...”. Eu sei que essa expressão é simbólica mas, na verdade, a “tropa fandanga” não nos saiu na rifa, pois não é resultado de um sorteio. Para os que se consideram em democracia, é resultado da livre escolha desses cidadãos. Para mim, é consequência de um sistema ditatorial bem pior do que o anterior, baseado numa não plebiscitada Constituição – algo inadmissível em tempos modernos – que apregoa democracia mas é, evidentemente, uma partidocracia ditatorial. Se os cidadãos quisessem, já teriam tido forma de alterar o sistema eleitoral, para haver um sistema democrático. Já apresentei uma proposta nesse sentido, como referi recentemente no artigo “A culpa não é dos partidos” (LE de 29-2-2015). Naturalmente, quem se considera em democracia não está interessado em alterações. Mas esses, como Velez Correia, não posso deixar de os considerar responsáveis pelo estado em que a tropa fandanga pôs o país, já que consideram ter elegido livremente os governantes.

Resta-me dizer que, a não ser que me demonstrem que estou errado, sempre pautei as minhas acções pelo que me parece certo, mesmo que o mundo inteiro diga o contrário. Por essa razão, concordo em absoluto com um cartaz que vi recentemente e que anexo a este escrito.

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