30/01/2015

PORTUGAL, E OS MEDÍOCRES QUE DELE TOMARAM CONTA



Hercília Oliveira 
Pelos vistos a decisão está tomada: Eusébio vai ser sepultado no Panteão.
Que Eusébio foi o maior e o melhor  jogador português de futebol, que até hoje tivemos, é indiscutível.
Que era uma pessoa que pela sua humildade e simplicidade, deixou muitos amigos que dele muito gostavam, também é uma realidade.
Agora. que seja sepultado onde grandes nomes da nossa cultura e de outros feitos dos quais nos orgulhamos..., é realmente uma decisão que só acontece porque estes homenzinhos que se acham donos deste país, são capazes de tudo para ganharem votos.
Por este andar,  Ronaldo também vai ter o mesmo direito, assim como outros que surjam no mundo do futebol.
E, quem sabe..., até os considerados bons dirigentes dos clubes, venham a ter o mesmo destino...!
É só alguém se lembrar de criar um movimente que o exija, e se houver o risco de com a recusa se perder votos...,  até se construirá um novo Panteão Nacional!
Cada vez mais, esta  gente se mostra o quão pequena é, e que não olha a meios para conseguir os seus fins.
Mais uma vez eu me sinto envergonhada.

6 comentários:

  1. Já previa este desfecho em Janeiro de 2014 , escrevendo aqui este post http://clubedospensadores.blogspot.pt/2014/01/o-panteao-e-eusebio.html

    JJ

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  2. Cara Hercília,

    Pode ter razão em dizer que houve faro oportunista dos políticos, mas penso que isso não é importante quando corresponde a uma decisão justa. Tem toda a legitimidade em discordar que Eusébio ali seja sepultado, mas eu discordo totalmente da sua posição.

    O Panteão Nacional destina-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País em várias áreas, designadamente a cultural. O Futebol é parte da cultura de um povo. É uma paixão nacional.

    Eu estou à vontade porque sou do FCP. Eusébio por várias décadas foi o verdadeiro embaixador de Portugal no mundo, que evidenciava coisas boas, quando o país era uma ditadura e o que tinha a mostrar era o regime de Salazar, a repressão, etc.

    Eusébio, como ninguém, chorou por não ter podido dar mais a Portugal, como em Inglaterra na meia final com os anfitriões.

    Estão no Panteão figuras como os Presidentes Carmona e Sidónio Pais um Presidente da República ditador. Porque lá estão? Apenas por terem sido Presidentes da República e foi decidido por elites parlamentares afetas ao regime.

    Eusébio é transversal a elites e uma unanimidade nacional (ou quase), que merece que o seu corpo lá repouse. É, por outro lado, uma homenagem à vocação globalizante e humanista de Portugal.

    Mário Russo

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  3. Este assunto já me referi em Janeiro de 2014. Meu amigo Mário Russo tudo que era antigas colónias é bom para ti . Tem calma defendes o governo de Angola às vezes porque és de lá e esqueces-te que é um dos governos mais autoritários do Mundo e que aniquila o seu povo tendo uma das maiores riquezas do Mundo. Agora defendes Eusébio para o Panteão que é de Moçambique. Eu li os teus argumentos e digo-te que gosto tanto do Eusébio como tu mas não tem estaleca para o Panteão

    Deixo aqui o que escrevi na altura :

    O Panteão Nacional abriga os heróis da História de Portugal, tais como D. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral ou Afonso de Albuquerque.

    As personalidades que estão sepultadas actualmente os escritores :Almeida Garrett ; Aquilino Ribeiro; Guerra Junqueiro ; João de Deus; Aquilino Ribeiro. Os presidentes da República: Manuel de Arriaga ; Óscar Carmona ; Sidónio Pais ; Teófilo Braga.

    Excepcionalmente encontra-se Humberto Delgado , o general sem medo e opositor ao Estado Novo e a fadista Amália Rodrigues .

    O Panteão Nacional acolhe os túmulos de grandes vultos da história portuguesa. Porém eu gostava de saber qual o critério de escolha?Por exemplo, Aquilino Ribeiro era acusado de terrorista por alegado envolvimento no regicídio de 1908. Por outro lado estou de acordo com Filomena Mónica , não compreendo porque Eça de Queiroz não está no Panteão.

    Seria importante definir-se um fio condutor na forma como se acolhe grandes vultos e heróis da nossa História. Eusébio foi um enorme jogador e um grande homem mas acho um exagero colocá-lo no Panteão Nacional. Se o fizerem, outras figuras também merecem estar lá e porventura outras deveriam sair. Não se pode ir para o Panteão só porque se foi presidente da República.

    O critério de escolha não pode ser feito só porque alguém se lembrou e o disse e, depois de forma emocional e por impulso fazê-lo. Eusébio é um vulto do desporto nacional e internacional , o seu Panteão é a sua imortalidade pelas suas arrancadas estonteantes , os seus livres, as suas jogadas de partir os rins aos adversários ; a sua arte e magia no jogo. O resto acho um exagero que me desculpe o Eusébio que tanto gostava e o admirava. Do mesmo modo acho que a Amália Rodrigues não deveria estar lá. Há tantos portugueses que não gostam de fado e é a nossa má sina.

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  4. Caro Mário Russo

    É natural, que de vez em quando discordemos de algumas coisas que se passam na nossa sociedade. E não há nisso qualquer problema, bem pelo contrário, é politicamente "saudável".
    E pelos vistos, neste caso é o que acontece.
    Eu também sou do FCP, mas de forma alguma esta minha opinião é pelo Eusébio ser do Benfica..., nada disso. Se Eusébio fosse do FCP, a minha opinião seria rigorosamente igual.
    O que sinceramente acho, é que decisões destas são o retrato da vulgaridade em que o país se tornou.
    Sinceramente, seja quem for que se torne mundialmente famoso e conhecido a nível futebolístico, deve ficar com os louros e reconhecimentos no mundo do futebol, que tem o seu próprio "reino" e meios para reconhecer os seus ídolos . Misturar futebol com Estado, não tem quanto a mim qualquer sentido.
    Infelizmente já existem "misturas" suficientes, e de mau exemplo entre as dois.

    Hercília Oliveira

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  5. Caro Joaquim Jorge,
    Eu concordo com o que dizes sobre a importância de se definir regras e critérios para que determinado vulto da história do país ali fique imortalizado.
    Só não concordo, nem contigo nem com a Hercília, é na recusa de ver imortalizado naquele monumento/mausoléu, figuras da cultura popular. Ou definir já que para o Panteão só podem ir políticos e escritores.
    É, em minha opinião, uma forma de discriminação inaceitável recusar a cultura popular. Espanta-me em ti alinhares com os pseudointelectuais, tu que combates esse provincianismo dos doutores e engenheiros. Um país é povoado por pessoas, maioritariamente populares. São eles os proprietários da língua, tradições, afetos, da cultura (maioritariamente popular) e da cultura erudita (minoria). Impor à partida que só é importante os atores do poder ou da cultura erudita é negar o próprio país.
    O futebol e o fado são parte intrínseca do nosso povo. São paixões. Não têm de ser de 100%. Basta serem da maioria, maioria, maioria.
    Quanto às antigas colónias e a Angola, em particular, meu caro. Eu conheço aquele país e aquele contexto, como poucos, peço desculpa pela presunção. O problema é que há muita gente a falar de contextos e, pior que isso, a interferir, sem o menor conhecimento dessas realidades. Veja-se as intervenções desastrosas no Iraque, Líbia e Síria, só porque se queria que nesses países houvesse regimes como os nossos. Não só foi uma arrogância, como foi uma irresponsabilidade. Havia outras formas mais inteligentes de interferir, como pela ajuda à implantação de infraestruturas de beneficiamento das populações, escolas, meios de comunicação modernos, ou seja, interferir positivamente pela cultura e educação. Qual a consequência das intervenções ditas civilizacionais? Um desastre e uma catástrofe humanitária sem precedentes. Vamos aos resultados: melhorou alguma coisa? Não. Só piorou mil vezes. Foram atuações assassinas que desestabilizaram essas regiões, causaram milhões de refugiados e mortos e nada do que se pretendia resultou.
    Defendo o Governo de Angola na medida em que tem mantido a paz. Angola tinha tudo para ser um desastre porque aquela gente foi deixada ao Deus dará pelos políticos que tomaram o poder em Portugal e se quiseram ver livres das colónias a qq preço. Um dia haverá um julgamento a esses traidores, muitos ainda andam por aí. Nada fizeram para garantir que esses territórios tivessem uma passagem de testemunho em paz. Seguiu-se uma guerra civil de décadas. Foi o que os políticos de Portugal de então propiciaram. Sem meios e sem recursos, designadamente humanos qualificados, aos trancos e barrancos foram construindo o país e conseguiram atingir a paz. Portanto, eu tiro o chapéu, sobretudo ao seu Presidente que tem sido o garante da paz. Sei que há muito a fazer em todos os domínios, incluindo na democracia que ainda é frágil, mas é democrático. Há eleições livres. Há jornais da oposição que circulam semanalmente. Por isso não concordo com a classificação que dás de mais autoritário do mundo. Só o fazes por dois motivos, porque estás emprenhado pelos ouvidos dos opinion makers que nunca foram a Angola e mandam bitaites sem conhecer e porque não conheces aquela realidade pois nunca lá estiveste, socorrendo-te do que lês.

    De resto, como diz a Hercília, é saudável discordar e discutir/aprofundar os porquês. Da discussão nasce a luz.

    Abraço

    Mário Russo

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  6. Desculpa mas o meu ponto de vista nada tem que ver com o da Hercília. O que defendo tem mais de um ano. O problema é muita gente que aqui escreve esquece-se do que já foi escrito.

    Depois se me conhecesses bem saberias que não sou facilmente influenciável. Tenho familia em Angola .

    Mas o que dizes fala com algumas personalidades da UNITA e os manifestantes que foram impedidos pela força e ameaças de expressar a sua opinião e os seus protestos.

    Como sabes sempre respeitei a tua opinião . Sei que nasceste em Angola eu nasci em Portugal.

    A questão aqui é o Panteão e eu discordo da ida de Eusébio apesar de o achar um extraordinário jogador. Por esta ordem de ideias irá Ronaldo para o Panteão e teriamos de colocar Carlos Lopes , etc.

    Um abraço,

    JJ

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