16/01/2015

Porquê vender?



Miguel Mota 
No tempo do governo PS de Sócrates e quando o país já estava em grande penúria financeira e a serem extintos muitos serviços públicos, como Centros de Saúde e maternidades, acções de extrema-direita, de um partido que se diz “de esquerda”, foi declarado que o estado ia nacionalizar um banco falido (o que motivou o meu escrito “Socialismo ao contrário”) com o custo inicial da astronómica quantia de 4.000 milhões de euros.
Quando foi evidente que o governo estava a manter o banco em questão – o BPN – como entidade separada, para depois vender, eu disse que, na minha modesta opinião, depois de ter sido feito o que eu considerei  um erro grave, o que se devia fazer era a transferência de tudo o que restava do BPN, nomeadamente balcões e pessoal, para a Caixa Geral de Depósitos, o banco de que todos os portugueses são o dono.
(Não me furto a contar que, quando num grupo expressei essa opinião, uma pessoa, que sabe que sou anticomunista, pois não gosto de ditaduras, declarou, com um certo espanto, “mas isso é o que propõe o Partido Comunista!” Respondi-lhe que, se eu considerava algo como certo, não alterava a minha posição por o PC também a perfilhar. Aliás, os vários governos, principalmente o PS de Sócrates e o PSD de Passos Coelho, têm dado amplas razões para Jerónimo de Sousa dizer muitas verdades, não só na minha opinião mas na de muita gente.)
Depois de meter ainda mais dinheiro no BPN, o governo vendeu o banco... por uns míseros 40 milhões de euros! Se vendesse por um valor idêntico ao que lá meteu, acrescido dos avultados juros desse capital, compreendia-se. Como quem o comprou não foi, certamente, para perder dinheiro, a pergunta que surge é: o que é que o novo dono vai fazer que a Caixa Geral de Depósitos não é capaz?
Parece que algo semelhante se está a passar com o BES. Eu repito a pergunta: porquê vender?

Uma outra pergunta me ocorre. O governo clamou que uma das razões para ter de vender a TAP – uma entidade do maior interesse nacional e uma presença de Portugal no mundo – era ela precisar de uma injecção de capital. E que a UE não permite que o governo o faça, algo que, se é verdade – vi indicações que dizem não ser – além de considerar que essa interferência excede o que deviam ser as suas competências, me deixa perplexo. Então o governo não pode meter dinheiro numa empresa que é totalmente sua – diz-se que a bem da concorrência – e pode meter verbas avultadíssimas em empresas privadas?

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