14/01/2015

MAUS COMPORTAMENTOS




Tereza Halliday
Janeiro continua com os malfeitos que esperamos consertar a partir dele, no rastro das fantasias de passagem de ano. Metáfora do Brasil é o calçadão onde caminho regularmente junto ao mar. Não posso curtir a caminhada e a bela paisagem porque preciso defender-me dos perigos que não deviam estar lá. Tenho de enfrentar ciclistas que não usam a ciclovia bem ao lado e preferem apropriar-se da pista dos pedestres. Tenho de enfrentar skates e patins de jovens que fazem piruetas e tiram fino em caminhantes, corredores, carrinhos de bebê e cadeiras de rodas. Não têm espaço destinado a eles, então resolvem seus direitos roubando-nos o direito de caminhar com segurança e gosto. Tenho ainda de desviar-me dos cocôs de cachorros. Alguns donos ainda esquecem de levar o saco recolhedor de dejetos.

No calçadão Brasil, mensalões, petrolões, gestores públicos sem noção, políticos e empresários que sabem muito bem o que estão fazendo, continuam a comportar-se mal – com as sempre honrosas exceções. Maus comportamentos “os males do Brasil são”. Quantos brasileiros sabem o que é mau comportamento? Quantos acreditam na importância de agir bem? Educação, palavra mágica onde todo mundo diz que está a solução, mas quase ninguém se importa. Educação não é somente adquirir habilidades. Abrange ética e civilidade. Do contrário, o mau comportamento prevalece  no calçadão onde caminho  e nos descaminhos do país.

O lema do segundo governo Dilma é “Pátria Educadora”.  Isto deve incluir educação para formar mão de obra - a carência notada; e educação para formar cidadãos decentes - carência relegada. Este aspecto não compete somente à escola, mas aos pais e a um todo de exemplo, cobrança, punição, incentivo ao bom comportamento. Somente assim chegaremos, um dia, a ser respeitáveis, a  ter  um país que preste.


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