01/10/2014

ELEIÇÕES PRIMÁRIAS




As eleições primárias no PS podem considerar-se uma aposta ganha. Mas atendendo às circunstâncias em que se realizaram, António José Seguro despoletou esta iniciativa, numa fuga para a frente, para ganhar tempo de forma a não ser apeado do poder. Falou em abertura do partido aos cidadãos pensando que eles lhe dariam o seu apoio. Perdeu, porém há males que vêm por bem.
A novidade funcionou, contudo entre os inscritos: simpatizantes e militantes mesmo sem as quotas em dia houve uma abstenção à volta de 30 por cento.
quadro primarias 600
Nas eleições internas do PS, em que votam à volta de 30 mil militantes num universo de 90 mil militantes, é muito bom. Votam menos de 50 por cento, com a abstenção a rondar mais de 40 por cento.
Este processo foi estimulante e a aproximação com os cidadãos louvável. Todavia este processo já foi efectuado no PS francês e os resultados não me parecem os melhores. Foi eleito François Hollande, homem do partido em detrimento de outras candidaturas mais capazes.
Seria importante a possibilidade de dar acesso a candidatos não filiados nos partidos, isto é, abre-se a possibilidade de votar não militantes, mas não se facilita uma candidatura de um simpatizante ou independente.
Estas eleições primárias são uma medida de regeneração e limpeza democrática, mas deveria ser acompanhada de outro tipo de medidas. Mudança no sistema de nomeações para órgãos institucionais e a elaboração de uma nova lei de partidos que democratiza a sua gestão e funcionamento. Essa nova lei dos partidos deve obrigar todos os partidos a fazer eleições primárias para designar os seus candidatos e abri-los a simpatizantes ou independentes.
Este processo é um pouco cosmético, dá-se com uma mão (permitindo simpatizantes ou qualquer cidadão votar) mas tira-se com a outra (não permitindo um simpatizante ou independente ser candidato).
É um passo, mas muito tímido, porventura sedutor, mas induz em erro os cidadãos. Os partidos têm medo de perder o controlo sobre este processo que é a eleição do candidato a primeiro-ministro. Pode-se fazer uma leitura contrária à pretendida. Há uma abertura, mas o PS continua a olhar para o seu umbigo. No fundo, as primárias do PS converteram-se num mero casting e uma passagem de personagens e sorrisos cativadores.
Nas próximas eleições autárquicas vai haver primárias para a escolha dos candidatos a presidente de Câmara?
Estas primárias no PS foram tão livres que os cidadãos utilizaram-nas para castigar a fraca oposição feita por António José Seguro e os militantes socialistas para chegar de novo ao poder e distribuir lugares. Não foi um voto ideológico mas mais exótico de gente que aproveita para passar facturas.
A política portuguesa só sairá deste lodaçal em que se encontra se passar pela iniciativa dos cidadãos com mais democracia, menos colonização dos partidos e do aparelho do estado.
Os cidadãos devem estar atentos e serem mais exigentes com os políticos e as políticas que executam. Se este PS for igual ao que governou antes do governo PSD/CDS , torço o nariz. Acabou o tempo de passar cheques em branco e acreditar no inacreditável.
JJ
*artigo de opinião publicado no PT Jornal

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