06/08/2014

Pecados Capitais no BES



ricardo salgado1 - Havia uma mesma direcção para tudo: tentaram convencer que uma coisa era o BES outra o GES, uma era o Banco Espírito Santo outra o grupo com o mesmo nome. O tempo demonstrou que o mal que correu ao grupo da família acabou por prejudicar o banco. Deste modo Ricardo Espírito Santo foi destituído, irá a tribunal e no mínimo será inabilitado para ser de novo banqueiro.
2 - Tentou a todo o custo evitar a entrada do Estado: realizou três aumentos de capital, sempre com dinheiro privado, forçando o endividamento das empresas e das famílias para manter o controlo do banco. A entrada de dinheiro público dava direito a fiscalizar as contas e isso a família não queria que acontecesse. faria com que acabasse o uso do BES para benefício dos seus negócios.
3 - Ludibriar a CMVM: segundo Carlos Tavares presidente da CMVM, nos últimos anos foram abertos 20 processos sobre entidades do BES. Uma das maneiras encontradas para contornar a lei - vender os seus produtos a menos de 150 clientes, deste modo, não tinham que prestar contas à CMVM. Agora vão ser os clientes a actuar judicialmente sobre o BES.
4 - Ludibriar o Banco de Portugal: As contas apresentadas eram uma panóplia de anomalias e Ricardo Salgado contrariou várias vezes as ordens do supervisor central. Por exemplo tinha que reduzir até 30 de Junho a exposição de risco em 400 milhões de euros, todavia aumentou os empréstimos à GES em más de 200 milhões de euros. Realizou transações no valor de 120 milhões sem que fossem autorizadas pelo Banco de Portugal
5 - Relações perigosas: Angola: o BES detinha a maioria do BESA, banco angolano. Descobriu-se que o ano passado havia 5.700 milhões de euros sem a devida informação, por vezes nem se conhecia o nome do cliente a quem se emprestava o dinheiro.
6 - Relações perigosas: PT: A holding Rio forte, dos Espírito Santo precisava de dinheiro. Emitiu dívida mas o BES não podia comprar, nem colocar. Assim que o BES entrou na PT (10%), a PT comprou 900 milhões de euros de dívida à Rioforte. Chegou o momento de pagar em 18 de Julho e não pagou.
7 - Enganar clientes: para financiar as empresas da família, o banco vendeu dívida da GES. Mais de 200 clientes do banco recorreram à Associação de Defesa de Clientes Bancários (ABESD) porque não conseguem que lhe reembolsem o seu dinheiro. Reclamam prejuízos e danos causados não sabiam os riscos que estavam a correr ao comprar estes títulos.
8- Favorecer outros clientes: alguns clientes preferenciais, o banco recomprou a sua carteira de dívida, antes do seu vencimento, acima do preço do mercado. Tudo isto, dias antes de entrarem os novos administradores. O Banco Portugal quantifica perdas no valor de 1.500 milhões de euros para o BES. Outra prática era a emissão de obrigações com o compromisso de recompra pelo banco , que não estavam registadas nas contas do banco. Se tudo isto se provar em tribunal, Ricardo Salgado e colaboradores mais próximos arriscam cadeia por favorecimento, gestão danosa, e falsificação de documentos e contas.
9- Conclusão: Num mês o BES passou de um dos melhores bancos portugueses e mais bem cotado na Bolsa à fatalidade de desaparecer. O BES transformou-se em Novo Banco, o que é espúrio ficou no banco mau. Até ao fim do ano o banco pode ser vendido. Já há compradores interessados. Em Portugal o BPI é o mais bem posicionado mas não tem suficiente tamanho. No estrangeiro, o Santander, o BBVA e o Sabadell são alguns dos principais bancos espanhóis que estão a avaliar a possibilidade de compra.
JJ

4 comentários:

  1. abandona jota isto já não dá mais nada! Está pior que o Banco mau jota sai pla porta grande enquanto é tempo jota. Das duas uma: ou estás xexé ou estás a governar-te.

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  2. Não se preocupe tanto o nosso querido amigo e fundador Joaquim Jorge ( para alguns amigos mais chegados - Jota ; não para si)

    Agradecemos o elogio de dizer que Joaquim Jorge sai pela porta grande .

    Mas como deve saber o que afirma é por demais insultuoso e ofensivo.

    Quando diz que não tem interesse e ninguém liga a este espaço. O caro anónimo vive aqui 24h sendo caso clínico grave e compulsivo.

    Cumprimentos

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  3. Misturas de negócios com política


    De acordo com a narrativa do governo não houve qualquer intervenção no governo no processo, ainda que na passada quinta-feira tenha sido produzido um diploma de forma simplex em apoio de uma decisão que só foi estudada e desenhada na sexta-feira, já depois do fecho dos mercados. Toda a intervenção terá cabido ao governador do BdP e de acordo com a ministra não serão utilizados fundos dos contribuintes.

    Ao mesmo tempo que se sabe que o governador de Portugal foi apanhado de surpresa e que o sistema financeiro esteve no fio da navalha na passada sexta –feira alguns admiradores fanáticos do actual primeiro-ministro, como é o caso de um tal José Manuel Fernandes, elogiam a decisão de Passos Coelho em ajudar Ricardo Salgado. Os spin do governo têm-se esforçado em passar a mensagem de que Passos recusou ajuda ao grupo GES e que nestes dias tem estado entretido na Manta Rota. Digamos que enquanto o Costa tira a pele aos Espírito Santo os Passos Coelho tirava a pela aos carapaus para os fazer alimados de acordo com a receita dos Silva da Coelha.

    Acreditando nos spin governamentais Passos Coelho recusou ajuda aos Espírito Santo, o que terá desiludido o seu amigo Ricciardi, um dos poucos cidadãos comuns com aceso directo ao telemóvel do primeiro-ministro. Esta tese que elogia a coragem do primeiro-ministro implica que houve uma decisão sobre todo o grupo GES e que tomada essa decisão a falência do BES estava decidida.

    A questão agora é saber que tipo de ajuda foi pedida e de que forma foi recusada. Segundo os spin Passos não misturou negócios com política, um chavão que Seguro imita até à exaustão, mas que só revela inexperiência e irresponsabilidade. Quando o Presidente viaja com um avião cheio de empresários está misturando o quê? Quando Passos vista as feiras está misturando o quê? Quando se faz diplomacia económica mistura-se o quê? Quando Marcelo levou Cavaco Silva à casa de Ricardo Salgado para este o convencer a candidatar-se a presidente misturou o quê? Quando Passos Coelho estava na Tecnoforma e tentava obter fundos comunitários misturou o quê? O Que é condenável não é a mistura, é os políticos ficarem encharcados em corrupção.

    Sejamos claros, a decisão tomada por Passos Coelho em relação ao GES foi a mais importante decisão política e económica do seu governo e muito provavelmente uma das mais importantes da nossa história económica desde o século XIX. Se essa decisão foi adoptada a pensar nalguns votos numa tentativa desesperada de se manter no poder pode ter sido o maior acto de incompetência de um governo. A Merkel deixava a BMW ir à falência só para inchar o peito e dizer que os gestores da empresa que assumissem as consequências?

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  4. CONTINUAÇÃO

    O grupo GES e o BES eram demasiado importantes para que a decisão fosse tomada a pensar apenas nuns quantos votos. Era o maior grupo empresarial que estava em causa e a riqueza destruída vai ser bem maior do que muito provavelmente era necessário. As condições dessa ajuda e a gestão do grupo era outra questão. Pelo que se sabe e só para poder inchar o peito Passos Coelho deixou cair o maior grupo empresarial português para alegria de outros, a começar pelos interesses angolanos.

    Estava demasiado em causa para tudo se resuma a um chavão para que os lambe-botas tenham matéria para bajular Passos Coelho ou que para Carlos Costa se armar no herói que salvou um BES bom sem dinheiro dos contribuintes. Quando o país emergir deste pesadelo de tretas e mentiras saberemos quanto custou a Portugal tanta coragem e tanta preocupação com o dinheiro dos contribuintes. Um dia saberemos se o fim da golden share da PT não foi uma mistura de negócios com política para injectar dinheiro no GES com a venda da Vivo e se os 900 milhões da PT não resultaram de outra mistura de negócios com política.

    O emprego dos funcionários do BES, a riqueza criada por muitas empresas rentáveis do GES, o peso do GES na economia portuguesa e na sua internacionalização merecem muito mais oprocupação do que uma decisão da treta motivada por meros obejctivos eleitorais de curto prazo. E o ódio aos Espírito Santo ou o desprezo pela sua gestão ruinosa não passam de treta, o GES é muito mais do que uma imensa Tecnoforma ou Fomentivest. Não está em causa salvar a família Espírito Santo que até há pouco tempo era bajulada por todos e que tão preciosa ajuda deu a Passos para chegar ao poder, com ou sem a família Espírito Santo a dimensão do grupo GES justificava mais seriedade e tudo deveria ter sido feito para que as suas emopresas ficassem em mãos portuguesas.




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