03/07/2014

O PS corre atrás do prejuízo e de explicações





O PS está mergulhado numa grave crise e o próximo líder tem um trabalho árduo de reconstrução e regeneração do partido.
Devolver ao partido a sua credibilidade. O essencial e mais premente é devolver de novo a credibilidade perdida e a capacidade dos seus dirigentes para serem credíveis.

O PS é oposição não é poder não tem os recursos económicos, nem unidade. É fundamental neste processo, sem fim no PS, que o PS de uma vez por todas corra atrás do prejuízo e torne esta adversidade em vantagem. Uma das chaves actualmente na política é ser transparente e explicar tim-tim por tim-tim o que se está a fazer e para onde se quer ir. O PSD e o CDS são poder, estão no governo e isso permite muitas coisas, nada se passa, parecem unidos e aparentemente aguardam o grande dia das eleições legislativas de 2015.

O PS ultimamente tem vivido em ambiguidade e falta de explicações para dentro de si e para fora. António José Seguro nunca teve a vida fácil no seu mandato e as lutas intestinas em surdina e agora audíveis, nunca lhe facilitaram a vida. Porém a falta de explicações é capaz de acabar com qualquer político. O PS entrou numa espiral sem solução. É injusto dizer-se que Seguro não fez coisas boas e propôs reformas importantes que são imprescindíveis.

Mas este interregno nesta disputa interna pode-lhe ser fatal com evidente prejuízo. Os problemas prementes do país não esperam. No debate da Nação , viu-se um PS diminuído, não se sabendo quem é o próximo líder e quem é que manda. Existe alguma ambiguidade, qual o caminho a seguir na área económica e social. É necessário suavizar as regras da UE, corrigir a restrita política de austeridade mantida até agora.

É fundamental um partido com vontade de poder e virado para fora, as eleições estão aí à porta.

Os portugueses não vêem o PS como uma alternativa, mas também sabem que a única alternativa a este governo é o PS. O PS tem que mudar e correr atrás do prejuízo, explicando-se, saindo desta contenda fortalecido.

Tem que iniciar um processo de regeneração e cortar com o passado (José Sócrates) e o passado recente, fechar a brecha da desconfiança entre os cidadãos e as instituições e isso passa por reformar o nosso sistema eleitoral. Não tem que passar pela diminuição do número de deputados, mas passa pelo acesso mais igualitário a todos os órgãos do poder. Regular o funcionamento dos partidos, acabar com o seu financiamento privado. Reduzir o seu financiamento estatal ao mínimo. Eleições livres e abertas.

O PS deve ser capaz de sair da crise e abordar decidamente a reconstrução do seu espaço político.
Como diz Janet Yellen, presidente da Reserva Federal dos EUA: “A chave fundamental para recuperar a credibilidade é explicares o que estás a fazer e porquê”.

O PS precisa de um líder que nos empurre e não de um líder que seja empurrado.

JJ

2 comentários:

  1. Eu acho que o PS não é alternativa nenhuma. A algazarra que há por lá, em que cada um dos líderes só pensa no seu umbigo e está-se «marimbando» para o país , não oferece nenhuma confiança ao povo português. Parecem dois «galfarros» embrulhados numa luta sem nexo nem objectivos concretos. Estão ambos deslumbrados com a cadeira do poder e estão cegos perante as necessidades do país. Os Portugueses estão fartos de messias e de homens providenciais. Há muita gente no PSD que não se revê neste governo e nesta maioria. Estou convencido que é aqui que os Portugueses irão apostar nas próximas eleições legislativas, porque sentem que o PS está ainda agrilhoado às políticas mortíferas de Sócrates que não se cansa de justificar a sua acção política nos écans da televisão, o que , em minha opinião, o tem prejudicado mais do que ele pensa. Nestas circunstâncias costuma-se dizer: «É pior a emenda que o soneto».
    Francisco Azevedo Brandão

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  2. Muito bem JJ..., a sua análise está perfeita; o pior é que o maior prejuízo é sempre para o país...!
    O melhor para Portugal era esta cambada toda ir à "vida".
    Nesse dia eu sairia à rua para festejar..., e de que maneira!

    Hercília Oliveira

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