06/06/2014

Debate em palavras com Henrique Neto



Henrique Neto pensador no CdP

O Clube dos Pensadores recebeu a convite de Joaquim Jorge, Henrique Neto, empresário, ex-deputado e acima de tudo um pensador livre e esclarecido. Após a apresentação do convidado, este discorreu sobre a política portuguesa atual, fazendo um diagnóstico das causas do país ter chegado à situação em que se encontra.
Afirmou que a atual crise em Portugal e na Europa é de índole política, em que as democracias europeias de modo geral perderam qualidade e carecem de lideranças. A classe política em Portugal não está ao nível dos problemas que deve enfrentar. O mal radica em parte no excessivo peso dos “Jotinhas” que atingiram o poder, sem experiência alguma.
O poder do mundo da finança que capturou o poder político é outro dos males detetado pelo convidado.  Este mal é transversal no mundo.
A Europa deixou de funcionar democraticamente após o tratado de Lisboa, onde um diretório de países poderosos domina e sufoca os demais países.
Henrique Neto afirmou que acreditava que a entrada na UE de uma pequena economia como a portuguesa poderia beneficiar da inserção num mercado muito vasto, mas desde cedo alertou para os seus perigos e a necessidade de o país se preparar para esse desafio. Não deveria celebrar, mas pensar no que fazer, sem entrar em triunfalismos. Tinha razão, antes do tempo.
Seguidamente virou-se para as causas específicas da derrocada de Portugal. O facto de ter abandonado a sua vocação euro-atlântica, à época de Cavaco Silva com a política do bom aluno europeu, ditou o descalabro. Desde logo a aceitação pacífica da ditadura burocrática de Bruxelas para enveredar pelo abandono da indústria de bens transacionáveis e fazer o abate da frota pesqueira, abandono da agricultura e o excessivo apoio financeiro a grandes grupos nacionais ligados à economia de bens não transacionáveis, como a finança, energia, telecomunicações, entre outros, fizeram o resto.
 Mas outros fatores foram prejudiciais para Portugal, como o alargamento brusco da UE a leste e a entrada da China o comércio mundial, praticamente sem regras impuseram enormes prejuízos a Portugal e os governos não souberam acautelar devidamente estes dois factos.
As cedências no domínio agrícola e a desindustrialização são exemplos do canto de sereia que o “bom aluno” europeu aceitou, para gáudio dos interesses alemães. Portugal tem mantido o modelo de desenvolvimento da EFTA, alicerçado nos baixos salários, que este governo tem insistido com maior satisfação e empenho.

Mário Russo
Os resultados da insistência na desvalorização do fator trabalho estão à vista de todos, menos do atual Governo. O privilégio dado aos grupos económicos de bens não transacionáveis é suicidário, alavancado pela proteção aos mesmos, alimentados por créditos fartos e fáceis desde os primórdios da nossa entrada na UE e vivendo de rendas excessivas, como de resto até a troika detetou, ditam os resultados que se conhecem. Estes desmandos não são pagos por quem os pratica, mas por todos nós através dos impostos, cada vez maiores e insuportáveis.


7 comentários:

  1. Este texto carece de outras coisas muito importantes que H N disse.
    O sr Mário Russo deve fazer parte dos "esquecidos" do que H N ontem recordou e muito bem.
    Que a austeridade que temos não se deve a este governo, mas sim a outros que antes estiveram e sobretudo ao governo de Sócrates. Henrique Neto falou mais uma vez sobre essa personagem diabólica que levou o país ao descalabro! Utilizou até a imagem, "o comboio conduzido por um louco" que se dirigia contra o muro e ninguém o mandava parar.
    Ora neste texto Sócrates e seu "especial" governo que H N acusou, não é tão pouco citado!??
    E como não acredito que seja por "esquecimento", é bom que seja lembrado.
    Por causa destes "esquecimentos" é que volta e meia temos a porcaria nos governos.

    Abílio Magalhães

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  2. Sou de opinião que Sócrates devia, duma vez por todas, ser indiciado pelo Ministério Público ou ilibado, para não andarmos nestes retrocessos constantes, qual boomerang de memórias, para justificar as azelhices e liberalismos fora de contexto do atual Governo liderado por PPC. Simplesmente, a Justiça não consegue funcionar quando dela realmente precisamos para bem da Sociedade em geral.

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  3. Concordo em quase tudo meu caro Mário, mas discordo nalgumas coisas. Colocar o ónus da responsabilidade em governos de PPC, desresponsabilizando 6 anos de governo Sócrates, muito culpado do sobreindividamento do País, levando ao desastre que todos conhecemos, não me parece justo e apenas nos leva sempre a branquear o passado, achando sempre que os que estão no Poder são culpados por tudo o que de mau acontece. E responsabilizando Governos de Cavaco Silva, esquecendo os maus anos de governo de Mário Soares que colocaram Portugal na órbita de um
    resgate tb, é tb tentar branquar o passado. Neste País houve 40 anos de responsabilidade coletiva por tudo o que estamos a passar. Quer gostemos , quer não, seja para nossa conveniência ou não.
    Abraço

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  4. Mais um bom debate, com uma das poucas pessoas que neste país vale a pena ouvir! Muito bom.
    Henrique Neto, é um dos poucos cidadãos que mesmo fazendo parte de um partido como militante, nunca deixa de ver e dizer o que está errado.
    Sempre gostei de o ouvir, e apreciava a sua forma desempoeirada, sem medos, de criticar seja que político for.
    Aprecio muito a sua opinião obléctiva e frontal que sempre manifestou acerca do Sócretino e que já a manifestava quando ainda muito poucos o faziam.
    Como Henrique Neto diz, e é bem certo..., que a primeira vez que acompanhou o dito cujo para um evento organizado pelo PS e o ouviu "discursar", ficou logo ciente da "peça" que ali estava!
    E quando o viu chegar a PM, nem queria acreditar.
    O resultado está à vista do que nos deixou, e que muitos já esqueceram quem foi o "presenteador".

    Hercília Oliveira

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  5. Agradeço a todos os comentários ao meu texto de resumo do que se passou no debate. É uma síntese e não um relato. É de minha autoria e, por isso, limitado à minha capacidade de síntese e o que o engenho e arte mo permitiram, com lacunas, naturalmente, devido à minha incapacidade de fazer melhor.
    Meu amigo Daniel Braga, se entendeste que propositadamente escolhi o ataque a PPC, a Cavaco e, por inerência, ao PSD, como responsáveis pelo descalabro do país, só pode ser pela minha incapacidade de transmitir melhor o que entendi do debate e por necessidade de contenção do texto.
    Mesmo assim, com todas as minhas limitações, veja-se o que escrevi no parágrafo:
    “O facto de ter abandonado a sua vocação euro-atlântica, à época de Cavaco Silva …..”.
    É uma síntese do que HN disse. De facto foi com Cavaco que começou. É factual. Aqui não iliba os que vieram depois que continuaram “bons alunos”.
    No último parágrafo, a certa altura se afirma ..:”O privilégio dado aos grupos económicos de bens não transacionáveis é suicidário”. Isto é transversal desde a entrada na UE. Também não iliba-se ninguém.
    Quanto a Sócrates, é evidente que está entre os maiores culpados. Quanto ao meu pensamento quanto a esse senhor, basta consultar o que escrevi a respeito. Num país sério estaria na cadeia e a fazer-lhe companhia estaria já PPC, que tem o mesmo caráter.

    Mário Russo

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  6. Se PPC tivesse o mesmo carácter de Sócrates Henrique Neto falaria dele da mesma maneira, o que não aconteceu pois estive presente e ouvi muito bem.
    Sócrates é único e António Costa já o quer reabilitar!? Estamos tramados.

    Abílio Magalhães

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  7. Tenho por Mário Russo , um homem culto, inteligente e que procura estar no Clube sempre que pode.

    Depois de um dia de trabalho , vir de Viana onde lecciona.

    Predispor-se a estar no debate e ainda fazer um soberbo resumo.

    Uma das prerrogativas do Clube e de mim próprio que dou azo e alarde a isso- nunca condicionar o pensamento de ninguém .

    Mas nunca deixo de expressar o seu próprio pensamento.

    Mário Russo é dos poucos que me vai ajudando. Há tempos Mário Russo estva para fora e não esteve no debate. Pedi a outra pessoa para me fazer o resumo. Essa pessoa disse que o faria , porém até hoje não me entregou... mas vejo escritos dessa pessoa em jornais da paróquia.

    O que concluo é que ou não sou escritos por essa pessoa ou foi mal educado e sem maneiras .

    O MR não tem agenda própria quando se trata do Clube e conto com ele sempre que ele queira e possa.

    O resumo está excelente e já vários órgãos de comunicação social me pediram para o consultar e tirar ideias.

    Obrigado,

    JJ

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