27/05/2014

PS vence, mas parece que perde


O PS vence mas não convence e o pior de tudo aos olhos dos portugueses não é alternativa. Depois de três anos de governo com uma austeridade nunca vista, o PS tinha obrigação de ter tido uma votação mais expressiva nestas eleições europeias. Eu sei que são eleições europeias e não eleições legislativas mas os portugueses nestas eleições a permeio de eleições para se ter um governo aproveitam para castigar e dizer do que não gostam.
Os portugueses estão zangados com o PSD e CDS, mas não acreditam, nem têm confiança, no PS, e muito menos, em António José Seguro (AJS).
Estas eleições europeias trouxeram à liça que António José Seguro  está –se a tornar o problema e não a solução para o PS. Já nas eleições autárquicas, o PS venceu, mas não conseguiu capitalizar esse descontentamento e gestão suicida do governo no lema” custe o que custar”, fez cortes e mais cortes parecendo um lenhador com uma motosserra. O défice tem vindo a baixar mas a dívida pública não. Todavia os portugueses, uns estão cansados e a forma de manifestar o seu descontentamento foi não votar, outros acham que este governo não tem culpa do que se passou anteriormente com o governo de José Sócrates e, que este governo tirou o país da bancarrota, votaram PSD e outros da forma mais variada votaram noutros partidos, em branco e nulo. 
O PS tem que perceber que não é com tiros nos pés, ao fazer reaparecer José Sócrates na campanha que vence eleições. Os portugueses estão escaldados e desconfiados. Poderão vir a votar no PS, mas que nada tenha que ver com um passado recente.
Porém AJS é um líder fraco, muito preocupado com os seus militantes socialistas que lhe dão os votos para se manter no poder, em vez de se preocupar com as pessoas, como diz, mas as pessoas que não são militantes do PS.
Mário Soares ao não aparecer nesta campanha europeia traçou o destino de AJS. Deu a entender para quem queira perceber que AJS não serve, é um líder fraco, para o PS vencer tem que mudar de líder, seja António Costa, seja quem for. Com AJS já se viu que o PS não vai a lado nenhum. António Costa hesita entre ser Primeiro-ministro ou Presidente da República mas o PS não pode esperar mais. ( parece que vai avançar).
Há coisas do destino, o PS depois de vencer pode entrar em convulsão interna com um congresso extraordinário e com a disputa de uma eleição para secretário-geral. Se não o fizer há a possibilidade contra todos os prognósticos de o PSD vencer as próximas eleições, de novo.
O PS tem que pôr fim a este acantonamento, obediência, submissão e reverência ao chefe em público e em surdina contestando e insurgindo-se e à espera que o poder lhes caia nos braços de podre.
O PS para ser alternativa de poder tem que recuperar a iniciativa, mudar de rostos e dizer de forma sintética e plausível o que faria para melhor no governo.
O PS precisa de carisma e indivíduos com faro político e imaginação. De outro modo, o PSD e Pedro Passos Coelho arriscam-se a vencer sem saber como, em 2015.

O PS lembra-me um texto de Benedetti: «quando pensávamos que tínhamos todas as respostas, de repente, todas as perguntas mudaram».

JJ

2 comentários:

  1. um fenómeno que poucos admitem chama-se Sócrates. AJS não consegue descolar-se desta imagem, vive com este medo/monstro que o está a enfraquecer. Penso, honestamente, que muitos votos da abstenção foi uma reacção directa à tentativa de desenterrar o digno exame dominical. Se é facilomo ser oposição, há pelo menos 2 correntes irreconciliáveis no PS ...

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  2. Mas é que perde mesmo! E por isso é que estão a tratar de alternativa. Quem venceu foi a abstenção, o independente M Pinto, e o próprio governo até acabou saindo menos derrotado em comparação com o PS.
    E assim vai o país, numa altura em que a estabilidade é crucial, pede-se eleições mesmo sabendo que não vai resolver nada.
    Claro..., para resolver os interesses partidários eles andam rápido; mas quando se trata do país todos sabemos o quanto se esforçam!
    Há 40 anos que passamos a vida nisto, e o país cada vez com mais problemas e sem soluções.

    Hercília Oliveira

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