27/11/2013

Crónica de Liverpool



Pedro Almeida
A irmã da canhota



Dizem que Mário Soares passou do prazo e já não diz nada com sentido. Ele dirige-se ao actual Presidente da Republica e ao primeiro-ministro e diz-lhes para se demitirem. Incita à violência e à desobediência civil.

Isto tudo, depois de ele próprio ter sido protagonista de um resgate financeiro, quando primeiro-ministro, no distante ano de 1980.

É triste ver esta histórica figura da política portuguesa descambar por caminhos tortuosos. Não pelo sentido das suas palavras, que essas estão bem corretas: o actual Presidente faz tudo para deixar este governo seguir a sua senda destruidora, por isso, não está a exercer as suas funções fiscalizadoras, correctamente. É sim triste, porque tem que ser um reformado a agitar as consciências do cidadão português.

O governo, com a cumplicidade da Troika, quer refazer em 3 ou 4 anos, o que foi lentamente destruído ao longo de 30 anos, em Portugal, por sucessivos governos do PS, PSD e CDS. O resultado está a ser a aniquilação do país.

Como não acredito que se possa ser tão incompetente assim, mesmo com a cega desculpa do “retorno aos mercados”, eu estou convencido que a razão de se levar o país à miséria e desespero é um rancor antigo, pelo 25 de Abril de 1974, por parte da direita Portuguesa (hoje. como no passado, dona do monopólio do Capital, no país).

Todos vivem os seus traumas na vida mas, saber lidar com os traumas, é que importa.

O que se passa hoje em Portugal é contrário à Constituição Portuguesa, aniquila qualquer forma de desenvolvimento dos valores da sociedade, mata a economia Nacional. Dai, o incitamento
à desobediência civil é legitima e está mesmo consagrado na Constituição Portuguesa.

As mais de 3 décadas de esbanjamento, roubo e corrupção, num período de democracia, na história de Portugal, encaminhou-nos para esta situação actual (com completa impunidade dos prevaricadores e cumplicidade dos restantes). Quem cometeu estes crimes, sabia o que fazia. E o abuso aumentou quando a sua impunidade começou a ser garantida, pelo sistema ”favorável”, como é a inoperante e manipulada justiça.

Há, assim, uma grande diferença entre este resgate e o resgate de 1980, este acontecido 6 anos depois de uma revolução, e que pôs fim a quase 50 anos de retrógrada, estupidificante e empobrecedora ditadura. Após 1974, éramos uma nova Nação, sem grandes certezas para o futuro e sem dar garantias de vitalidade financeira e estabilidade politica.

A grande diferença com então é que hoje não há nenhuma preocupação em construir um país desenvolvido, não só financeiramente, como também com valores sociais, culturais e humanos.