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| Miguel Mota |
Depois de algumas conversas
infrutíferas com entidades responsáveis do sector, publiquei em 1994 um artigo
em que apresentei as linhas gerais das alterações que propunha para o ensino
superior, para corrigir o que eu considerava errado na legislação de 1980.
Esses erros, na minha opinião, tinham sido, principalmente, o “enxerto” dum
quarto grau académico, o mestrado, entre a licenciatura e o doutoramento e a
criação dos Institutos Politécnicos. Estes eram destinados, inicialmente, a
formarem bacharéis – presumo que algo como os “Junior Colleges” dos Estados
Unidos – um grau superior mas de limitado nível, para o desempenho de tarefas
não muito exigentes. Por essa razão, a carreira dos seus docentes é também
menos exigente que a carreira docente universitária (CDU). Mas em breve
começaram a dar licenciaturas – com o mesmo valor das das universidades – a
colaborar em mestrados e pretendiam dar doutoramentos.
Os pontos essenciais da minha
proposta eram a extinção dos mestrados, a padronização de todos os cursos
superiores em 3 anos para o bacharelato, 5 anos de cadeiras e um ano para tese
de licenciatura, para completar este grau, e 2 anos (ou o que fosse necessário)
para o doutoramento. Propunha a extinção dos politécnicos como escolas
separadas e a sua integração nas universidades mais próximas ou com que
tivessem mais afinidades, constituindo polos dessas universidades. Em qualquer
parte das universidades, na sede ou nos polos, em que houvesse infraestruturas
e pessoal docente qualificado, se fariam todos os graus, bacharel, licenciado e
doutor. Os docentes dos politécnicos que tivessem qualificações idênticas às de
qualquer nível da CDU, passariam para ela. Os que tivessem qualificações entre
duas categorias da CDU, manteriam a sua posição até fazerem provas para passar
para o grau mais alto.
No ano seguinte (1995) publiquei no
Linhas de Elvas um outro escrito em que pormenorizei um pouco mais o esquema e
sugeri que o governo, considerando as discrepâncias existentes na Europa sobre
graus do ensino superior, propusesse uma uniformização de graus segundo o
esquema apresentado. Tudo foi ignorado.

