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| Miguel Mota |
“Escolhemos bem a nossa candidata”
foi declarado por um chefe de partido na campanha eleitoral para as autárquicas
de Setembro de 2013. Foi daquele partido mas podia ser de qualquer outro, pois
todos funcionam da mesma forma. Ditadura!
Os portugueses mostram não saber
que, em democracia, os detentores do poder são os cidadãos, e que a sua
primeira liberdade é a de decidir livremente em quem delegam esse poder – e de
se candidatar - sempre que há que escolher um ou um número restrito dos seus
pares para, em seu nome, irem legislar e governar.
Como se sabe, temos apenas uma
eleição democrática em Portugal: para o Presidente da República. Candidata-se
quem o deseja e tem um certo número de eleitores apoiantes e os partidos
limitam-se a apoiar o candidato que entenderem. (Em democracia, os partidos
políticos têm toda a razão de existir, como associações de cidadãos com o mesmo
credo político, mas não como órgãos de poder).
Penso que a razão porque os que
fizeram esta não plebiscitada e antidemocrática Constituição nela incluíram uma
eleição democrática pode ter sido porque se trata dum cargo de grande projecção
mas de escasso poder.
Enquanto nas eleições para a Assembleia
da República (as mais importantes de todas) a ditadura é completa, para as
autarquias abriu-se há anos o que chamei de “uma pequena janela democrática”.
Podem, também (devia ser exclusivamente), ser apresentadas listas por grupos de
cidadãos eleitores. Chamei a esse sistema “uma pequena janela democrática”
porque, além dos partidos serem apresentadores de listas, não se lhes exige o
que se exige às listas dos grupos de cidadãos eleitores (os únicos realmente
independentes), o que os coloca em posição muito desfavorável. Mesmo assim, em
eleições anteriores, foram eleitos vários independentes. Veremos o que sucede
nas eleições de 29 de Setembro deste ano de 2013. (****)
Recordo-me de alguns casos em que,
com toda a naturalidade e com total desprezo pelos eleitores, foram feitas
declarações de “nomeação” de candidatos. Ofereço dois exemplos.
Há muitos anos, o “democrata”
Pacheco Pereira, então Chefe da Distrital de Lisboa do PSD, declarou, antes de
determinadas eleições que “quem nomeia os candidatos desta Distrital sou eu”.
Penso que seria um dos que, na anterior ditadura, protestava (ou se queixava)
de não ter eleições livres – o que era verdade – pois, embora os cidadãos se
pudessem candidatar a deputados – agora não podem! – os entraves e manipulações
faziam com que só fossem eleitos os candidatos “nomeados” pela União Nacional.
Num outro caso, muito mais
recente, vi na TV Sócrates, perante um vasto auditório de gente do PS, como
quem tira da cartola um coelho, apresentar quem ele escolheu para candidato às
eleições para o Parlamento Europeu. Demorados e frenéticos aplausos do
auditório, onde certamente estavam alguns que no antigamente se queixavam de
não terem eleições livres.
Acham que, com tais cidadãos,
Portugal tem algum futuro?

