10/01/2013

Crónica do Brasil


António Jota 
Chuva na Caatinga

Chove na Caatinga, que é o maior e mais brasileiro dos biomas! Mas que felicidade, meu Padim Ciço! É uma felicidade mais feliz do que ter nos braços a grande paixão. A chuva cai pesada nos pedregulhos e na poeira fina. O cheiro da Mãe Terra é tão pertinaz que jamais sairá do olfato, esteja aonde estiver o sertanejo.
O chão vai se umedecendo, se lavando e a torrente vai procurando ou refazendo os caminhos; rios, riachos e ribeirões surgem como numa mágica alucinante.

Em pouco tempo ouve-se um piado, um chilrado, um cantar tímido, outro cantar... E aí vai se tornando uma sinfonia ensurdecedora. Os insetos, aves, sapos, lagartos vão surgindo sabe-se lá de onde! O sol arrefece e o sertão se torna uma fornalha suportável. Deus parece vivo no rosto da gente simples. O coração só não explode porque a fé é imensa.
A felicidade desaba do céu como a chuva grossa; e a tristeza se vai nas primeiras águas da enxurrada estridente. E vamos nos ressuscitando diante de nós mesmos. Toda dor se vai sem deixar resquício. Somos cobaias de Deus e estamos vivos por mais 50 anos! Que venha o aquecimento global criado pelo consumismo babaca. Eu sou o sertão, tão eterno quanto o bicho gente.