Chove
na Caatinga, que é o maior e mais brasileiro dos biomas! Mas que felicidade,
meu Padim Ciço! É uma felicidade mais feliz do que ter nos braços a grande
paixão. A chuva cai pesada nos pedregulhos e na poeira fina. O cheiro da Mãe
Terra é tão pertinaz que jamais sairá do olfato, esteja aonde estiver o
sertanejo.
O
chão vai se umedecendo, se lavando e a torrente vai procurando ou refazendo os caminhos;
rios, riachos e ribeirões surgem como numa mágica alucinante.
Em
pouco tempo ouve-se um piado, um chilrado, um cantar tímido, outro cantar... E
aí vai se tornando uma sinfonia ensurdecedora. Os insetos, aves, sapos,
lagartos vão surgindo sabe-se lá de onde! O sol arrefece e o sertão se torna
uma fornalha suportável. Deus parece vivo no rosto da gente simples. O coração
só não explode porque a fé é imensa.
A
felicidade desaba do céu como a chuva grossa; e a tristeza se vai nas primeiras
águas da enxurrada estridente. E vamos nos ressuscitando diante de nós mesmos. Toda
dor se vai sem deixar resquício. Somos cobaias de Deus e estamos vivos por mais
50 anos! Que venha o aquecimento global criado pelo consumismo babaca. Eu sou o
sertão, tão eterno quanto o bicho gente.

