Nunca
entendi muito bem o que leva determinados autarcas a verem-se realizados pelo
cargo que exercem. Talvez a minha biologia mental não me tenha até hoje
configurado a plenitude que esse efeito de consagração política proporciona a
certa gente oportunista partidariamente o “umbigo grande”.
Então
não são os partidos políticos, os representantes do povo, não são os políticos,
aqueles que pela sua competência (ou não) ou pela “arte de bem falar”, são bem
pagos pelo povo, por todos nós, para nos representar?
Serão
esses políticos/autarcas essa gente? Se o são, o que os fazem desviarem-se
depois? Porque a sua actuação, a imagem que nos passam será de tudo, menos
ética!?
Assistimos
cada vez mais ao digladiar na praça pública, por um lugar ao sol, num total
desrespeito por quem neles confiou.
Alguns
exemplos:
- Porque
é que um autarca tem de ter um motorista unicamente ao seu serviço, e ter duas
viaturas da Autarquia, uma para a semana e a outra para levar para aos fins-de-semana,
com a gasolina paga pela autarquia, além de que, o motorista é também “chauffeur
particular” do autarca para levar as sogras às compras e os filhos ao
infantário/escola nos carros da Autarquia?
Porque
não pagam do seu bolso, como qualquer outro funcionário público, os almoços e
jantares e até levam amigos para comerem à custa da autarquia?
Não
existe entre os autarcas incompatibilidades ao serem sócios e fazerem partes dos
corpos sociais nos CCD do pessoal das Autarquias, fomentando ingerências
inqualificáveis e um profundo prejuízo para estas Associações?
Nesta
altura de crise, porque não fazem contenções e como tal deveriam agir sem a
pretensão de pompas que ajudam a delapidar os cofres autárquicos.
Conheço
muita desta gente e reparo que são vaidosos, prepotentes, “eu quero, posso e
mando”, vingativos, desconfiados, como quem deles continuam a desconfiar
certamente, esquecendo estes senhores, daqui a uns anos vão embora e podem
sofrer as consequências dos seus actos.
Quando
no seu “lugar sagrado - as autarquias”
os autarcas, perante aquilo que nos permite ver, a má educação, falta de
civismo e até algum desprezo para com os munícipes, salvo honrosas excepções, claro está envolvendo-se em tricas que
nos confundem e desestabilizam, sem na verdade vermos os assuntos que nos
interessam serem tratados com dedicação e verdadeira honestidade.
Cada
vez mais a digladiar, na praça pública, por um lugar ao sol, num total
desrespeito por quem neles confiou,- será que ainda confiamos?
Vamos
continuar a votar nesta gente, sempre nos mesmos, que trocam de lugares no
final dos mandatos, como quem troca o lugar das cadeiras, ou seja da autarquia
A para a autarquia B, não cumprindo com a Lei, autênticos “mercenários” políticos.
Por isso, senhores autarcas, senhores do poder, não imputem todos os apertos de
cinto aos que sempre trabalharam, apertem também o vosso. A contenção das
despesas deve começar por cima, a fim de aliviar os que têm direito a ter casa,
emprego, pão saúde e educação!
Não
queiram à custa dos vossos cargos ser pessoas privilegiadas!
Os
políticos deste País, que nos seus ensaios e discursos tendem a fazer crer que
aspiram à construção de uma sociedade alicerçada em princípios, como a
igualdade, a verdade, a honestidade, não podem de modo algum mover-se ou
regular-se por vinganças políticas inqualificáveis.
Tanto
nos prometeram mundos e fundos, e estamos a bater no fundo, o que é dramático e
que talvez isso seja inevitável para que a indispensável mudança tenha lugar,
para que a raiva rebente e a revolta estale, acabando de vez, com todos estes políticos
de fachada, humanitários eleitoralistas.
São estes
senhores ditos socialistas, sociais-democratas, de inspiração cristã, mas
sempre com uma inclinação e tendência monárquica, pois as suas actuações, é de
autênticos Reis e Condes.
Só prepotências ! Só arrogâncias!
Mas afinal onde está a democracia ?

