18/01/2013

A ENCRUZILHADA


Daniel Braga 
Perante o rumo que tudo isto está a tomar, perante as incertezas das políticas económicas aplicadas e face a uma luz ao fundo do túnel que tarda em aparecer, começa a ser imperioso uma espécie de hara-kiri político contra o procedimento dos partidos e a sua atitude muito autista e muito virada para si mesmo, como que vivendo num outro limbo que não aquele onde todos vivemos com as dificuldades que sentimos e aquelas que se aproximam a uma velocidade célere muito por culpa das novas medidas implementadas para 2013, nomeadamente no que se refere à repartição por duodécimos de metade dos subsídios e às novas tabelas de escalões do IRS. Portugal encontra-se numa encruzilhada em que o meteram durante décadas e para o qual não se vê solução à vista.
Culpados todos sabemos quem são, tendo durante muito tempo a ideia que seríamos um autêntico el-dourado, onde gastar e esbanjar sem critério seria ponto de ordem, Fizemos disparates do arco-da-velha, construímos um CCB, estádios de futebol, um Parque das Nações, auto-estradas em multiplicidade crescente, quisemos fazer novos aeroportos e um TGV e aperfeiçoámos as escolas através de um elefante branco chamado Parque Escolar.
Entretanto outros elefantes brancos de cariz ainda mais grave se tomaram conhecimento - as célebres PPP´s – com gravíssimas consequências para o País. E que medidas se tomaram para obstar a que o País saísse deste verdadeiro desvario em que se transformou no período pós-troika e perante os disparates calamitosos ao longo de largos anos? As medidas mais fáceis de implementar que foi exercer um poderoso garrote no orçamento das famílias através da supressão dos subsídios e do “enorme aumento de impostos” viva voz anunciado pelo próprio Vitor Gaspar, que se traduziu em autênticos sufocos para as famílias que num ápice se viram colocadas perante situações de enorme desassossego financeiro e sem ferramentas para fazer face a ele.
É certo que vivemos todos debaixo do cutelo do “Memorandum da Troika”, em que as condições impostas para o financiamento nos obrigam a ceder e a seguir perante determinados pressupostos de contenção despesista. Mas esse facto não implica que se imponham apenas medidas de sentido único penalizando quem menos pode e não de ataque ao verdadeiro “monstro” que é a despesa do Estado. Um verdadeiro crescimento e desenvolvimento económico não se conseguem quando toda a economia do País e das famílias se encontra totalmente ostracizada e em recessão permanente.
Portugal e as empresas precisam de incentivos, as famílias necessitam de um maior desafogo financeiro para que a economia possa rolar e crescer de modo que se consiga novamente que os mercados confiem em nós e Portugal retome a mais breve trecho o seu ritmo de crescimento e desenvolvimento numa simbiose de fé, crença e confiança em nós próprios. Nem que para isso troquemos de políticos. Nem para para isso sejam necessárias outras políticas. Para bem de todos, para bem do País.