13/11/2012

Sensações estranhas

Tiago Sousa*

Nos últimos tempos tenho convivido com sensações estranhas que eu muitas vezes não consigo descrever ou perceber. Há poucos dias tivemos a visita da chanceler alemã que veio averiguar o estado da nação portuguesa. A História diz-nos que algures em séculos passados houve países que foram colonizados hoje não se impregna o mesmo termo no entanto as consequências são similares. Vivemos numa sociedade que está a ferver. Pergunto quando será que irá explodir? Será que isso vai acontecer? As consequências são boas ou más?

As sensações estranhas que eu tenho convivido prendem-se com o estado do meu país mas também devido às convivências com uma sociedade que não olha para o lado, cansada e focada apenas no trabalho, ou quando não o têm nas preocupações do desemprego. Refiro-me ao cansaço, quando vejo pessoas a trabalhar desalmadamente, com objectivo de ganhar um mísero ordenado que em nada recompensa o valor das tarefas desempenhadas.

Com a crise as pessoas perderam esperança e deixaram de ter objectivos a longo prazo pensando apenas no dia de amanhã, focando-se apenas nos planos a curto prazo. O risco de perder o emprego retrai e induz as pessoas ao silêncio engolindo muitas injustiças. Todas estas contingências são aproveitadas pelo Estado Português e capitalista que reina na Europa e no Mundo.
Eu induzido num ritmo louco de trabalho vejo-me por vezes com receio de onde eu irei parar. É alucinante o ritmo de trabalho no ensino privado. Nota-se diariamente uma competitividade latente e eu dou por mim naturalmente a ter que ir aos meus limites.
Questiono até quando aguentarão os portugueses os sacrifícios que estão a ser sujeitos.

*professor de Geografia