15/11/2012

Porque chegamos aqui e daqui não saímos com estas políticas?

As dificuldades vividas em Portugal são o corolário de políticas erradas concretizadas não apenas em Portugal. De facto, a globalização tão desejada, não foi devidamente avaliada em todo o mundo e os governos e experts não souberam, nem sabem, como lidar com este fenómeno.
A entrada da China na Organização Mundial do Comércio sem condições, a par das decisões dos gestores de indústrias na Europa e EUA, de deslocalizarem para a Ásia as produções, deram a machadada final à economia ocidental, deitando milhões de trabalhadores para o desemprego e galopantes despesas sociais que os Estados têm vindo a suportar.

O resultado desta revolução só não teve, ainda, repercussões sociais mais dramáticas, devido à existência de um welfare state na Europa que tem vindo a suportar o exército de desempregados que não pára de aumentar nos países em assistência financeira.
 Agora estamos todos aflitos porque a dívida soberana já ameaça a estabilidade de vários países. Portugal é um deles, tal como a maioria dos países do sul, mas que se vai alastrar aos países, ditos ricos, do norte. Pois não adianta ser rico no seio de pobres e miseráveis.
Em Portugal já percebemos que não temos governo que tenha uma visão diferente daquela que tem exibido. Para Pedro Passos Coelho e Gaspar só há um caminho, que é o do purgatório da austeridade traduzida em cortes salariais, porque não se pode afrontar os altos poderes económicos e da alta finança. 

Os cortes nas rendas excessivas na eletricidade ou a renegociação musculada dos juros de usura por que está a ser financiada a economia portuguesa pelos credores nacionais, a reorganização administrativa dos municípios, fim dos benefícios a milhares de institutos públicos iníquos, não é matéria que interesse aos nossos governantes.
Entramos num ciclo vicioso de empobrecimento e daqui a um ano estaremos muito piores. Está à vista de quase todos, mas por profissão de fé, os governantes não vêm assim. Só por milagre é que será diferente. Na Europa a missa é a mesma e o caminho será o mesmo, contaminando cada vez mais economias e a própria sobrevivência de muitos países com coesão social mínima. 

Os dirigentes europeus enganaram-se e estão a iludir a real questão, pois uma explosiva mistura de incompetência das políticas colapsas da UE, os regabofes das políticas dos governos indígenas, como o português e a irresponsabilidade de admissão da China sem condições nenhumas num comércio livre, respondem pelo desastre que vivemos.
Se não houver um plano de correção dos défices excessivos nas contas públicas que sejam comportáveis pelos países, designadamente dando mais tempo; uma renegociação das taxas de juro mais civilizada e uma negociação séria do papel da China no Comércio Mundial, estaremos a iludir o problema, a sua génese e a comprometer ainda mais uma futura solução.
Enquanto não se repensar esta questão, não conseguiremos resolver o grave problema em que estamos mergulhados e que ameaça de forma indelével a civilização ocidental que conhecemos. Infelizmente, penso que não é exagero.

Mário Russo