A entrada da China na Organização
Mundial do Comércio sem condições, a par das decisões dos gestores de
indústrias na Europa e EUA, de deslocalizarem para a Ásia as produções, deram a
machadada final à economia ocidental, deitando milhões de trabalhadores para o
desemprego e galopantes despesas sociais que os Estados têm vindo a suportar.
O resultado
desta revolução só não teve, ainda, repercussões sociais mais dramáticas,
devido à existência de um welfare state na Europa que tem vindo a suportar o
exército de desempregados que não pára de aumentar nos países em assistência
financeira.
Agora estamos todos aflitos porque a dívida
soberana já ameaça a estabilidade de vários países. Portugal é um deles, tal
como a maioria dos países do sul, mas que se vai alastrar aos países, ditos
ricos, do norte. Pois não adianta ser rico no seio de pobres e miseráveis.
Em Portugal já
percebemos que não temos governo que tenha uma visão diferente daquela que tem
exibido. Para Pedro Passos Coelho e Gaspar só há um caminho, que é o do
purgatório da austeridade traduzida em cortes salariais, porque não se pode
afrontar os altos poderes económicos e da alta finança.
Os cortes nas rendas
excessivas na eletricidade ou a renegociação musculada dos juros de usura por
que está a ser financiada a economia portuguesa pelos credores nacionais, a
reorganização administrativa dos municípios, fim dos benefícios a milhares de
institutos públicos iníquos, não é matéria que interesse aos nossos
governantes.
Entramos num
ciclo vicioso de empobrecimento e daqui a um ano estaremos muito piores. Está à
vista de quase todos, mas por profissão de fé, os governantes não vêm assim. Só
por milagre é que será diferente. Na Europa a missa é a mesma e o caminho será
o mesmo, contaminando cada vez mais economias e a própria sobrevivência de
muitos países com coesão social mínima.
Os dirigentes
europeus enganaram-se e estão a iludir a real questão, pois uma explosiva
mistura de incompetência das políticas colapsas da UE, os regabofes das
políticas dos governos indígenas, como o português e a irresponsabilidade de
admissão da China sem condições nenhumas num comércio livre, respondem pelo
desastre que vivemos.
Se não houver
um plano de correção dos défices excessivos nas contas públicas que sejam comportáveis
pelos países, designadamente dando mais tempo; uma renegociação das taxas de
juro mais civilizada e uma negociação séria do papel da China no Comércio
Mundial, estaremos a iludir o problema, a sua génese e a comprometer ainda mais
uma futura solução.
Enquanto não se
repensar esta questão, não conseguiremos resolver o grave problema em que estamos
mergulhados e que ameaça de forma indelével a civilização ocidental que
conhecemos. Infelizmente, penso que não é exagero.
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| Mário Russo |


