1.Recordo, há pouco tempo, ter ouvido Vítor Gaspar afirmar que aquilo
que estava fazendo pelo país era uma forma de pagar aquilo que o Estado tinha
feito por ele, nas instâncias Internacionais.
2. Sendo um homem clonado nos gabinetes de estudos na Europa, para ele,
um Parlamento, a casa da democracia e o Estado social passa-lhe ao lado.
3. Através da subjugação da política às Finanças, Gaspar está a
destruir a classe média, suporte duma democracia.
4.Com certeza, que ele tem conhecimento que esta política de austeridade
vai permitir que o poder se concentre num pequeno núcleo muito restrito do
Governo e como tal passando a ter o poder de cortar qualquer aumento da
despesa, torna-se o centro do poder.
5. Está o caminho aberto para uma ditadura. Tanto a Troica como a srª.
Merkel sabem que a mudança da estrutura da política dum país faz-se através
duma política de austeridade.
6. Com a apresentação da TSU de uma forma rápida ao País e agora este
Orçamento leva-nos a pensar, como bom aluno, Portugal será um campo de ensaio
para a criação de um novo modelo económico, social e até político. Não importa que morram milhões de pessoas à fome…
7.Importa, a nosso ver, a Europa, terá que afastar o mais rapidamente
possível a Srª. Merkel, porque ela está preparando a Alemanha para dominar
outra vez a Europa, mas sub-repticiamente tem que destruir primeiro a estrutura
política dum País e o melhor caminho é a austeridade.
8. Os exemplos que ela apresenta falam por si: neste último Conselho
Europeu, cuja agenda era o estudo e a implantação da União Bancária, ela
apressou-se e veio, de imediato, defender que, nos orçamentos nacionais, o
Comissário europeu para a área económica deveria vetar os orçamentos de cada
País. Não vingou ainda esta tese, mas se estivermos atentos, ela virá outra vez
a insistir.
9.Daí que, se não houver uma forte oposição dos Países sob “agendamento
financeiro” sairão fragilizados, os Estado passarão a marcar as prioridades,
onde as prioridades financeiras determinarão todas as outras.
10. Na sequência da análise atrás efectuada, só agora se compreende,
porque Passos Coelho entrou e saiu mudo deste último Conselho Europeu e não aproveitou as
palavras de Christine Lagarde, quando indicou que o diagnóstico em Portugal
tinha sido errado.
11.Logo, no cumprimento destas políticas, o País caminha para o
empobrecimento até à indigência.
12.Resta saber se o primeiro- ministro e o seu núcleo sabem que caminho
estão a trilhar ou então se desconhecem, chegou, o momento, para se retirarem,
porque a mudança que vier, não virá com cravos na ponta das espingardas.
António Ramos
