16/10/2012

“A MÃO INVISÍVEL DA ALTA FINANÇA INTERNACIONAL”



           
1.Compaginando a informação que veio esta passada quinta-feira na Revista “Sábado” com outras informações que vêm chegando até nós, torna-se preocupante para o rumo que a Europa está seguindo e com as consequências imprevisíveis para os Países que estão sob “ajustamento” do memorando da Tróica.
2. Ainda não sabemos, por que razão o FMI recuou, quando a Christine Lagarde, veio comunicar que teria havido um erro nas previsões da austeridade para os países que estão sob a alçada de “ajustamento”, considerando que a austeridade é excessiva,  é causa de explosões sociais e consequentemente duma recessão mais profunda.
3. Embora não saibamos o que levou o FMI a fazer tais declarações, ou será simplesmente uma estratégia de “um passo atrás, para que, logo que seja possível avançar dois passos em frente”, porém, aqui entra a já conhecida “Goldman Sachs” mais conhecida por ser o Banco que manda no mundo e que é acusado de ter provocado a crise na Europa e tem vários ex-funcionários em lugares chaves neste Governo. Dispenso-me de indicar nomes, pois, um observador atento, poderá fazê-lo na referida Revista de 11 a 17 deste mês.
4.Pergunta-se então qual a estratégia seguida pelos Presidentes das Grandes Multinacionais e de organizações, como o Banco Mundial, o FMI, ou Wall Street, etc, etc,...
5.A estratégia normalmente seguida é a seguinte:   ”planear grandes empréstimos  para os países em desenvolvimento para estimular as economias” que se traduzem em centrais eléctricas, parques industriais, mais concretamente no nosso país, parcerias público privadas rodoviárias e ferroviárias, os  dez Estádios de Futebol que vêm do euro 2004, etc.etc…. Nestes grandes projectos entraram  o Banco Mundial, Sindicatos Bancários, incluindo bancos estrangeiros e algumas grandes Empresas Portuguesas, apoiadas por estas organizações. Estes grandes projectos não contratam muitas pessoas.
6.Evidentemente, estes grandes projectos estão apenas a ajudar um grupo muito restrito de pessoas muito ricas no País, bem como as organizações que dão suporte a estes projectos.
7. Se não houver um travão nesta estratégia, as pessoas tornam-se escravas, porque o país está cada vez mais afundado em dívidas.
8. Foi o que sucedeu nestes últimos dez a quinze anos, com todas as consequências dos contractos efectuados, em que todo o risco, passou para o Estado.  
9. E a economia, em vez de investir na educação, na saúde ou noutras áreas sociais, tinha e tem que pagar a dívida. E a dívida, seguramente, nunca vai ser paga, na totalidade.
10. E o que sucederá então: ”uma vez que não se consegue pagar a respectiva dívida, pagar-se-á com outros recursos, com o petróleo, se o houver, ou o que quer que se tenha, que, se vai vender a um preço muito baixo a grandes multinacionais, sem quaisquer restrições sociais ou ambientais”. Por exemplo, autorização livre sem limitações, para plantação de eucaliptos, prevendo-se, para dentro de dez anos, uma secura total dos campos.
11.É o que está sucedendo em Portugal, com a Cimpor, com a Edp.E o que vai suceder com a Ana, a Tap, os Correios de Portugal, as Águas de Portugal, etc, etc,…
12.Certamente, o País vai-se apercebendo desta estratégia e daí a grande manifestação de 15 de Setembro e outras que se seguirão, por tempo indeterminado.
13. E finalmente pergunto-me a mim mesmo: será ou terá sido este movimento espontâneo, de 15 de Setembro, vamos lá, de sobrevivência, que levou o FMI a recuar ou alterar a estratégia a seguir?
14.O tempo o dirá.

António Ramos