1.Compaginando
a informação que veio esta passada quinta-feira na Revista “Sábado” com outras
informações que vêm chegando até nós, torna-se preocupante para o rumo que a
Europa está seguindo e com as consequências imprevisíveis para os Países que
estão sob “ajustamento” do memorando da Tróica.
2. Ainda não
sabemos, por que razão o FMI recuou, quando a Christine Lagarde, veio comunicar
que teria havido um erro nas previsões da austeridade para os países que estão
sob a alçada de “ajustamento”, considerando que a austeridade é excessiva, é causa de explosões sociais e
consequentemente duma recessão mais profunda.
3. Embora não
saibamos o que levou o FMI a fazer tais declarações, ou será simplesmente uma
estratégia de “um passo atrás, para que, logo que seja possível avançar dois
passos em frente”, porém, aqui entra a já conhecida “Goldman Sachs” mais
conhecida por ser o Banco que manda no mundo e que é acusado de ter provocado a
crise na Europa e tem vários ex-funcionários em lugares chaves neste Governo.
Dispenso-me de indicar nomes, pois, um observador atento, poderá fazê-lo na
referida Revista de 11 a 17 deste mês.
4.Pergunta-se
então qual a estratégia seguida pelos Presidentes das Grandes Multinacionais e
de organizações, como o Banco Mundial, o FMI, ou Wall Street, etc, etc,...
5.A
estratégia normalmente seguida é a seguinte:
”planear grandes empréstimos para
os países em desenvolvimento para estimular as economias” que se traduzem em
centrais eléctricas, parques industriais, mais concretamente no nosso país,
parcerias público privadas rodoviárias e ferroviárias, os dez Estádios de Futebol que vêm do euro 2004,
etc.etc…. Nestes grandes projectos entraram
o Banco Mundial, Sindicatos Bancários, incluindo bancos estrangeiros e
algumas grandes Empresas Portuguesas, apoiadas por estas organizações. Estes
grandes projectos não contratam muitas pessoas.
6.Evidentemente,
estes grandes projectos estão apenas a ajudar um grupo muito restrito de pessoas
muito ricas no País, bem como as organizações que dão suporte a estes projectos.
7. Se não
houver um travão nesta estratégia, as pessoas tornam-se escravas, porque o país
está cada vez mais afundado em dívidas.
8. Foi o que
sucedeu nestes últimos dez a quinze anos, com todas as consequências dos
contractos efectuados, em que todo o risco, passou para o Estado.
9. E a
economia, em vez de investir na educação, na saúde ou noutras áreas sociais,
tinha e tem que pagar a dívida. E a dívida, seguramente, nunca vai ser paga, na
totalidade.
10. E o que
sucederá então: ”uma vez que não se consegue pagar a respectiva dívida, pagar-se-á
com outros recursos, com o petróleo, se o houver, ou o que quer que se tenha,
que, se vai vender a um preço muito baixo a grandes multinacionais, sem
quaisquer restrições sociais ou ambientais”. Por exemplo, autorização livre sem
limitações, para plantação de eucaliptos, prevendo-se, para dentro de dez anos, uma secura total dos campos.
11.É o que
está sucedendo em Portugal, com a Cimpor, com a Edp.E o que vai suceder com a
Ana, a Tap, os Correios de Portugal, as Águas de Portugal, etc, etc,…
12.Certamente,
o País vai-se apercebendo desta estratégia e daí a grande manifestação de 15 de
Setembro e outras que se seguirão, por tempo indeterminado.
13. E
finalmente pergunto-me a mim mesmo: será ou terá sido este movimento
espontâneo, de 15 de Setembro, vamos lá, de sobrevivência, que levou o FMI a
recuar ou alterar a estratégia a seguir?
14.O tempo o
dirá.
António Ramos

