Mas, o pouco que sei do que se passa com os nossos ex combatentes nas ex
colónias, é de muita injustiça e ingratidão.
Estes Homens que como em qualquer país são obrigados a ir combater em
guerras que eles não provocaram e que outros delas se aproveitaram.
Muitos nunca mais voltaram, muitas Mães "morreram" também com o seu
desaparecimento. E os que voltaram, são muitos os que ficaram com marcas para o
resto da sua vida.
Marcas físicas bem visíveis e que os limitaram ou impediram de exercer
qualquer tipo de trabalho que lhes proporcione uma vida com a qualidade que
merecem e têm direito.
Mas, as marcas mais terríveis e que além de não conseguirem ser
ultrapassadas são muitas vezes com o avançar da idade motivo de grandes
perturbações mentais por sentimentos de culpa e de consciência que lhes provocam
pesadelos terríveis e condutas no seio familiar das quais temos muitas vezes
conhecimento através dos relatos que os jornais fazem.
E, enquanto os maiorais que fazem do serviço militar sua profissão, que até
usufruíram de subidas nas carreiras que lhes proporcionaram mais regalias a
vários níveis; que ainda hoje reclamam quando acham que estão sendo prejudicados
e receberam condecorações pelos seus feitos, os que realmente estiveram na
linha da frente correndo os riscos que daí são consequentes, são esquecidos e
sentem muitas vezes a ingratidão de um País que muitas vezes os olha como que
eles sejam os culpados dessa guerra, e muitas vezes vêm neles uma época que eles
encarnam, porque nela viveram, e parece que são culpados de tudo que de
mau nessa época acham ter acontecido.
Será que algum dia lhes prestarão a atenção devida e os cuidados a que têm
direito!? Duvido.
Hercília Oliveira


Também sou dessa geração e estive em Moçambique.
ResponderEliminarA Hercília deve saber, mas aquilo que se passa é que o Estado Português começou há uns anos a pagar 100€ (em média) uma vez por ano, a título de...olhe, nem sei a que título, de esmola, é isso, de esmola.
Em muitos casos mais valera pegarem nesses 100 euros e constituir-se um fundo de capitalização a favor dos ex-combatentes em situação precária na sua vida.
E são muitos, ainda, cada vez menos embora, que eles vão morrendo, pela idade e em resultado das doenças e deficiências físicas que contraíram em combate ou pelo simples facto do clima agreste a que foram sujeitos.
Pela minha parte já disse que prescindia dos meus 100 €uros, mas só faltou dizerem-me na cara que sou obrigado a receber. Ainda dá uns milhões mas também deu muito jeito para a propaganda do snr. Portas, na altura!
António Nunes
Texto muito interessante e bem analizado.
ResponderEliminarRealmente estes homens deram o corpo ao manifesto enquanto outros que se armam em grandea patriotas foram para o "exilio" de luxo.
Estes homens foram completamente desprezdos e muitas vezes olhados como culpados.
Tive na familia quem passou por essa situação e ficou com uma deficiência e com muito pouco apoio psicológico que o levou a pôr termo à vida.
É o país que temos, que só é bom para os que dizem olhar por os interesses do povo e tratam é dos interesses deles.
Distinta Hercília Oliveira
ResponderEliminarO texto elaborado por si, além de ser oportuno, é sempre eterno, porque a História não esquecerá os bravos combatentes que lutaram nos sertões africanos, ao serviço dos 8 séculos de Portugal. A minha geração foi a grande sacrificada e ainda deixei um cabo na Serra de Mucaba. Não morri por uma questão de sorte. Choro os mortos, porque as gerações actuais não aprenderam a amar Portugal. Muitos heróis e santos continuam a ser luzeiros das gerações futuras, já que as gerações, no presente, não merecem a grandeza dos "NOSSOS MORTOS" que continuam "A CHAMA" da PERENIDADE DE PORTUGAL.
António Ramos
Minha amiga Hercília,
ResponderEliminarHoje tive exame a História e apareceu umas questões de Salazar e algumas das consequências da Colonização (ainda que indiretamente) . O que posso dizer é que estes Homens foram heróis por defenderem uma causa, logo desde início, perdida!
Um abraço muito amigo,
Rui Fernandes
A minha geração não passou estes tratos de polé. No entanto, os meus segundos primos passaram por tal. Nenhum precisou ( e foram oito, senhoras e senhores) de cuidados especiais, tendo integrado a sociedade nos mais variados setores.
ResponderEliminarTiveram sorte? Não.
Quando se vive a aventura que eles viveram nas picadas e no mato, fica sempre a memória do gajo do lado, que se calhar levou a bala que era para ele. Que é um gajo que se calhar acabamos por ter conhecido melhor que muitos familiares.
Portugal tratou sempre muito mal quem o elevou. Mas não foi Portugal a entidade etérea que adoramos, foram os porcos que se serviram dele em vez de o servir.
Os que foram para o "ultramar", foram conscritos. Poucos foram voluntários.
Dos oito meus primos, três foram voluntários aos dezoito anos, mas isso não serve de exemplo, porque já antepassados nossos cairam na Guerra de Civil Espanha e todos foram voluntários (seis nas Brigadas Internacionais e três "viriatos").
Respeito igualmente aqueles que voltaram com a sensação do dever cumprido e aqueles que sentem ter perdido três anos da vida a defender o indefensável.
Mas acho que, mais do que dinheiro, lhes devemos, a todos, isso mesmo RESPEITO.
O caixa d'óculos