22/05/2010

Quem ajuda a encontrar uma bússola para o governo de Portugal?



Mário Russo


Os acontecimentos que se abateram sobre o nosso país e Europa nos últimos tempos, com relevo para o último mês, merecem uma reflexão profunda e ponderada, baseada na maior seriedade que se pode imaginar e temperada de competência.

O que constato é tudo menos serenidade, bom senso, seriedade e competência.

Por mais cruel que seja a situação, o pior que nos pode acontecer é não termos confiança no guia. Por mais duro que possa ser o caminho para sairmos do abismo, temos que ter um guia em que confiamos para dele sair. Alguém que aponte a direcção com firmeza.

Como podemos tolerar que nos digam que agora é preciso fazer este sacrifício, mas a caminho vem mais, porque isto não é nada, que os “portugueses têm de mudar radicalmente de vida”….

Eu exijo que me digam o que posso esperar deste país e de quem nos governa. Exijo verdade por mais cruel que seja e já. O pior é o que nos estão a fazer, cravaram-nos um punhal nas costas e estão a deixar que nos esvaímos em sangue. É cobarde e cruel demais. Só possível porque a sociedade civil é fraca e despolitizada.

O governo português não sabe o que fazer e navega à vista, fazendo experiências de marinheiro de primeira viagem para ver onde vai dar. Comporta-se irracionalmente como os investidores em bolsa (casino) que estão tão aturdidos e irresponsáveis que fazem as mesmas despencarem 9 % num dia e subir no outro 8%. Algo de irracional, como as atitudes do governo.

O que se deveria fazer então?

Em época de guerra com tiroteio por todo o lado não se pode ir de peito feito atirando para tudo que mexe. É preciso manter a calma, avaliar a situação, detectar o inimigo que se pode abater e proteger-se ao máximo. Não gastar munição à toa.

Há divergência quanto ao modo como se pode sair da crise. Muito bem, é legítimo que tal aconteça. Como a crise é da Europa, nada melhor que no seio da tal Europa para se despoletar a grande discussão de toda a verdade. Onde realmente estamos? O que temos e podemos utilizar? O que é preciso fazer para que a solução seja global e não apenas de uns quantos países?

É preciso harmonizar a fiscalidade? É imperioso desvalorizar o euro para dar competitividade às exportações europeias? Deve impor-se limites e condições à entrada de produtos estrangeiros fora da UE? É preciso redefinir ou redimensionar o estado social europeu? É preciso redistribuir as horas de trabalho para evitar desemprego? É necessários definir em que tipo de obras investir? Onde cortar nas despesas e como? Que se faça a discussão. É uma questão de honradez dos políticos europeus, acaso tenham alguma, o que se exige deles.

Seja o que for, só a verdade e não o subterfúgio e o discurso saloio do PM podem salvar-nos. Qual é de facto a nossa real situação?

O que não pode continuar é esta navegação à vista. Não podemos aceitar que se diga que Portugal e o mundo mudaram radicalmente no último mês, porque é ridículo. Só se uma bomba tsunâmica caísse sobre a Europa é que se justificaria tal desassombro, para tomar medidas a esmo.

Este governo já demonstrou que está passado e não tem mais ideias de como sair desta crise. Está num beco sem saída e está a levar o país para o abismo.