22/01/2008

SISTEMA POLITICO



Devíamos ser um povo mais culto e ter cuidado nas escolhas que fazemos quer nos partidos quer nos governos


JOAQUIM JORGE


O sistema político está esgotado a crise vai-se acentuar com as novas leis para eleições autárquicas e legislativas exercendo efeitos muito perniciosos na vida pública. A vida interna dos partidos tem que ser alterada e não pode estar à mercê de: pagamento de quotas; procedimentos eleitorais; formas de militância; listas; sindicatos de voto; democracia interna; tráfico de influências; promiscuidades várias ; etc. . Funcionam como empresas, em que o secretariado nacional é a administração, a comissão política a direcção e a comissão nacional os cargos intermédios, finalmente os militantes de base são os trabalhadores.
O país está cansado dos mesmos políticos e eles não têm ou não querem ter consciência disso. Não é alterando as leis eleitorais que se renova a democracia quer local quer nacional. As pessoas querem caras novas e a alternativa é renovar os rostos daqueles que estão à frente de projectos políticos. O sistema político não permite a renovação dos partidos, a sadia e salutar crítica e contraditório, fomentando alternâncias e alternativas
Esta oligarquia partidária, tem que ser alterada, a indiferença grassa, a naturalização do inevitável e impossibilidade de modificar este estado de coisas terá consequências nefastas no futuro das novas gerações. A política é vista como algo sujo e promíscuo com a retórica de dizer uma coisa e fazer outra.
A culpa é nossa devíamos ser um povo mais culto e ter mais cuidado nas escolhas que fazemos quer nos partidos quer nos governos, e o grau de exigência fosse o devido e não o mal menor.



Publicado hoje na página 5.



4 comentários:

  1. Bom artigo. Mas ás vezes penso, que estamos mum atoleiro taõ labirtintico, que não sei como vamos sair deste estado de de coisas.

    Maria Teresa Goulão

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  2. O grande problema é que a renovação dos partidos, de vez em quando apresenta umas caras novas, o mal é que eles já vêem formatados, depois de anos dentro da estrutura desses partidos a absorver os ensinamentos dos que lá estão.

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  3. Amigos do Mar de Gaia22/01/08, 10:34

    Há muito que se sabia que haviamos de chegar a um ponto de esgotamento, mas contudo continua-se a omitir aos portugueses a realidade de determinados assuntos e ficar pela rama, mas por outro lado os portugueses devem estar mais atentos e não deixar influenciar-se pelas algumas noticias fantásticas que aparecem sempre na ultima da hora. Acredito que o povo pode não ter cultura suficiente para desbravar caminhos pantanosos mas não creio que seja estupido para um suicidio colectivo!
    Qualquer partido politico que esteja no poder maioritáriamente tende por defeito exceder-se cabe aos portugueses abrir caminhos como outrora em data de 74.
    O povo hoje está mais adormecido não será sinónimo do medo politico e desinteresse nos politicos ?!
    Ainda ontem nos prós e contras achei uma palhaçada o que se diz em torno da lei do tabaco, foram aqueles que nunca pensei , falaram de formas tão básicas e bregeiras que mais valia estarem calados.
    Como ex fumador não vejo razão alguma para tais comentários por exemplo. Direitos? Onde estiveram os direitos dos não fumadores e dos fumadores passivos estes anos todos?
    Será que a vida humana tem afinal de contas um preço?
    Um abraço e votos de um sempre forte desempenho para o Clube dos Pensadores.
    Amigo Joaquim Jorge o meu bem haja.
    Jorge Amaral

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  4. Bem pensado e bem escrito, meu caro JJ. A reforma política, em que a renovação da forma de a fazer seja realidade, nunca será feita pelos que estão dentro dos poderes instituídos. Quem conquista o poder não o faz para o outorgar a terceiros, o povo.

    É nestas ocasiões que deve surgir a revolução, no sentido de dar um "pontapé" à crise e ao pântano e protagonizar novos projectos.

    Não podemos queixarmo-nos de que "eles" não fazem a renovação. Claro que não fazem, porque só o faz quem tem estatura estadista, que não é o caso.

    Não podemos é estar sempre a reclamar, mas nada fazemos para alterar o estado de coisas. É difícil? claro que é. É um processo que deve ter uma estratégia de médio prazo, com objectivos claros a atingir e a forma como podem ser atingidos.

    Um abraço

    Mário Russo

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