19/08/2007

ELEIÇÕES INTERNAS NOS PARTIDOS



JOAQUIM JORGE

A democracia é o poder do povo, porém tem construído uma partidocracia -poder dos partidos,em que sobressai a «senhorecracia» - poder dos senhores



Como é que é possível apregoar a democracia e a liberdade de escolha , quando os partidos políticos , não a praticam e dão um mau exemplo para o comum dos cidadãos.A democracia é o poder do povo , porém tem construído uma partidocracia –poder dos partidos , em que sobressai a “senhorecracia” –poder dos senhores.Depois de alguns anos de ditadura , aceita-se como um mal menor que nos permite ter liberdade . O sistema eleitoral não é o melhor , às eleições não concorre quem quer , mas quem é escolhido pelas estruturas partidárias. É necessário melhorar e aprofundar a representação dos cidadãos. A cidadania unicamente tem a possibilidade de mudar a elite de um partido por outra ou a elite que estava no poder sofre uma mutação e fica tudo na mesma .

Os partidos sofrem de uma doença “ partidarite” que ainda não foi descoberto antídoto que a cure. Existem cidadãos com valor , mérito , cultura , conhecimentos , provas dadas , sendo muito melhores do que a maioria dos chefes das estruturas partidárias ; querem participar e não sabem como e não tem aonde , pois não se querem sujeitar a uma tarimba partidária. É fundamental um sistema político que esteja pronto a ouvir e a responder.Os escolhidos são aqueles que tem como características máximas e indeléveis ao chefe: fidelidade ; disciplina ; yes-man ; seguidista ; bajulador e lambe-botas . Mais parecendo legionários integrados em legiões ( facções ) , recebendo instrução para tal.

Actualmente quem vence eleições internas dos dois maiores partidos políticos ( PS e PSD ) , é uma minoria , votam sempre menos de 50% dos militantes . Não convivem bem com o debate de ideias e eleições disputadas. Onde quer que haja mais de um candidato , seja da concelhia ou da distrital e até presidente do partido , há sempre tentativa de impugnação das eleições e casos menos edificantes .

Vem isto a propósito das eleições internas para presidente do PSD , em que um dos candidatos Luís Filipe Menezes questiona o pagamento de quotas , acesso dos candidatos à lista de militantes , apresentação de contas ,origem forma e limites de fundos de campanha e utilização de meios de partidos. Os partidos são obrigados a comunicar à Entidade das Contas e Financiamento Políticos ( ECFP) , as acções de campanha nacionais, bem como meios utilizados, tendo mandatários financeiros que são obrigados a colaborar na comunicação de dados.

Porque é que para eleições internas não se aplica o mesmo , com os devidos ajustes? Porque é que existem num partido perto de 140.000 militantes e só podem votar 30.000 ? O eterno problema das quotas Por mim deixaria de haver pagamento de quotas , seria militante quem o quisesse e estivesse imbuído dessa doutrina partidária. Alterava os estatutos dos partidos em que as eleições internas se regiam pela lei eleitoral vigente. Quando há uma eleição para presidente da concelhia , distrital ou líder do partido , essa eleição deve ser isenta em que a sua condução competeria a uma comissão eleitoral, representada por todas as candidaturas .

O que acontece é que apesar de haver uma eleição para líder do PSD , Marques Mendes foi ao Pontal , falar na qualidade de líder do partido e candidato a líder ! Concorrer a uma eleição em que se está em vantagem e controla esse processo , é uma eleição inquinada e não credível.O sistema eleitoral tem que ser ajustado. Porque é que para se ser primeiro-ministro tem que se ser líder de um partido ?

Como agora se verifica , basta falar com as pessoas na rua , é o melhor barómetro , Luís Filipe Menezes para os portugueses é mais desejado do que aparentemente no seu partido, pelos barões e baronesas que valem o seu voto…

Michel Maffesoli diz que cada vez há mais pessoas que não se inscrevem nas listas eleitorais especialmente os mais jovens , obedecendo a uma ideologia diferenciada , que se deve à indiferença. A aristocracia é quem manda não a democracia . Actualmente o político é o contrário do que é a democracia : são uns poucos e não todos. A naturalização política deste estado de coisas aceitando como um mal endémico (facto consumado), necessariamente vai ter consequências nefastas, a ver vamos.



artigo publicado no JANEIRO ver aqui.
mais tarde publicado no MatosinhosHoje