22/08/2007

Assembleia Geral do BCP dia 27 - Será que é desta?


Luis Gourgel Silva


Como é sabido por todos (se esteve de férias não se preocupe porque ainda vem a tempo de acompanhar esta novela), o futuro do maior banco privado português ficou adiado para o próximo dia 27 de Agosto depois da Assembleia Geral do dia 6 de Agosto ter sido suspensa devido a problemas informáticos.

Vai-se lá perceber estas coisas dos computadores e das novas tecnologias, um dia estão bem e no outro carregados de virus, de spam, de problemas - "..demoro + de 30 minutos a introduzir (no computador), quando antigamente demorava apenas 10 (a escrever no papel)..." - desabafava uma funcionária de um hospital, aquando da mudança dos dossiers de papel com a informação clínica sobre os doentes, para o processo clínico virtual.


as voltando ao tema, como é que foi possivel ao maior banco privado português, devido a um problema com os computadores, suspender uma AG sem qualquer decisão tomada e sem que tenha sequer sido votado qualquer ponto da ordem dos trabalhos, pondo em causa o desempenho operacional e as metas e objectivos traçados para 2010.

Só mesmo em Portugal quando esperamos já ter visto de tudo, lá acontece mais um fenomeno do Entroncamento.

No entanto, a luta pelo poder entre o fundador e o seu sucessor continua ao rubro (tal como as eleições internas no PSD). A resistencia á mudança e o apego ao poder de um, colide com o ego e mudança de fé do outro. Pode até ser coincidencia mas a "guerra" pela liderança do BCP, entre Paulo Teixeira Pinto que um dia foi apadrinhado por Jardim Gonçalves, chegou ao ponto do primeiro abandonar a instituição religiosa Opus Dei, do qual Jardim Gonçalves também é membro.

Igualmente estremados estão os posicionamentos para a proxima AG, Joe Berardo, Manuel Fino, Sonangol, Fortis, Moniz da Maia e Pereira Coutinho, a EDP presidida por António Mexia, o Banco Sabadell, João Rendeiro presidente do Banco Privado Português, o Grupo JP Morgan, contam espingardas e assumem posições. Só entre 7 de Agosto e a sessão de ontem, mais de 6% do capital do BCP foi transaccionado em bolsa, cerca de 223 milhões de títulos.

Quem agradece toda esta indefinição é a CGD, o BPI e o Santander Totta que como concorrentes, nem têm que se esforçar muito para captar clientes, cuja imagem de confiança no Millenium caiu em descredito.