Lígia Carvalho
Viva o S. João! Vamos ver o fogo, vamos rir, vamos participar alegremente nesta festa popular, que é o orgulho da nossa cidade do Porto!
Foi com este sentimento e com esta vontade que, quando acabamos de comer as sardinhas assadas, saímos de casa rumo à Ribeira para assistirmos ao célebre e grandioso fogo de artifício no rio Douro.
Apanhámos o metro, saímos na Trindade e percorremos a Avenida dos Aliados, ouvindo os vendedores de martelos e alho-porro, e participando na festa que, em nossa opinião, deve ser vivida com alegria e lucidez. Este ano, com uma cerveja vinha um capacete, mas decidimos comprar água e, mesmo assim conseguimos acompanhar a moda dos capacetes neste S. João. Pelo caminho cruzámo-nos, inevitavelmente, com pessoas que beberam mais do que suportavam e que se sentiam perdidos no meio da multidão.
Chegámos à Ribeira, por volta das 22h30 e ainda conseguimos arranjar lugares na esplanada do café em frente ao rio. Aproveitamos para conviver, conversar e viver este momento em família.
À medida que se aproximavam as 24h00, a Ribeira enchia-se de pessoas, com vontade de celebrar o S. João, assistindo ao fogo de artifício preparado para encher os olhos e os corações.
Quando começou o fogo de artifício não se via qualquer espaço livre entre a multidão. As pessoas observavam o céu onde rebentavam os foguetes e bailava o espectáculo de luzes. Foi um bonito, correu tudo bem e reinava a alegria.
Acabou o fogo, batemos palmas, assobiamos e louvamos os Srs. Presidentes das Câmaras que alegraram os corações dos portuenses. Nem nos lembrámos que se esqueceram de prever algum problema…
Como é possível que as entidades responsáveis não se tivessem prevenido para o caso de acontecer algum acidente? Será que posteriormente se defenderiam do seu fracasso e incompetência alegando que “foi azar”, “ninguém estava à espera que tal acontecesse”, “fizemos tudo que estava ao nosso alcance para evitar uma tragédia maior”?, etc, etc, Confiariam que o pânico cegaria as pessoas, não as deixando enxergar a sua incompetência? Ficariam de bem com a sua consciência? O que aconteceria se um foguete não explodisse em direcção ao céu, mas em direcção à multidão? O que aconteceria se, por alguma razão, se gerasse o pânico entre as pessoas? Respondem que isso não acontece? Que a festa é mesmo assim? Demitem-se do dever de informar e olhar pelo bem-estar dos cidadãos?
Aguardámos que a multidão começasse a movimentar-se para seguirmos para o metro, que se havia anunciado capaz de responder às necessidades de transporte dessa noite. Quando começámos a vislumbrar movimento, ainda que lento, nas ruas perpendiculares ao rio, resolvemos avançar, combinando antes um ponto de encontro para o caso de alguém se perder no meio da confusão. Correu tudo bem até à Estátua do Infante e resolvemos depois continuar o caminho, subindo a rua Mouzinho da Silveira que, sendo larga, confiámos nos evitaria situações de apertos perigosas.
A primeira sirene soou, anunciando um batedor da Cruz Vermelha que tentava abrir caminho para socorrer uma senhora que não se sentia bem. Afastámo-nos, como toda a gente, libertando espaço para que passassem. Continuámos a subir, a segunda sirene soou, anunciando uma ambulância. Já com dificuldade em libertar espaço, as pessoas apertaram-se para permitirem a passagem da ambulância. Os momentos de aflição passaram e conseguimos avançar mais uns metros. A terceira sirene soou e a dificuldade em libertar algum espaço para a ambulância passar estava a tornar-se muito difícil, as pessoas não se conseguiam desviar, o condutor da ambulância forçava violentamente a passagem, as pessoas empurravam-se umas às outras criando momentos de aflição. A ambulância conseguiu passar mas agora a multidão parou, quase não havia espaço para o movimento do diafragma necessário à respiração, o pânico começava a instalar-se, as pessoas estavam a sentir-se presas e aflitas. A quarta sirene soou, anunciando uma nova ambulância. E agora? Não havia espaço, as pessoas não se conseguiam movimentar, mas a ambulância forçava a passagem e empurrava, provocando pânico. As pessoas atropelavam-se, vivendo-se momentos perigosos. Por ironia do destino, ou por falta de cuidado dos responsáveis em decidir o percurso das ambulâncias, para salvar uma vida poderia ter sido provocado um acidente que tiraria muitas outras.
Como é possível acontecerem estas situações? Por que razão não é reservada uma via, na rua Mouzinho da Silveira, para a passagem das ambulâncias ou até disponibilizado um hospital de campanha na Ribeira? O Hospital de Santo António é próximo mas neste dia as ruas estão intransitáveis, mesmo para ambulâncias...
Depois de descansarmos um pouco, acalmarmos a respiração e controlarmos os tremores nas pernas, continuámos o caminho até ao metro, subindo a Rua das Taipas até à Cordoaria, tentando, a todo o custo, evitar a confusão perigosa e desorganizada.
Chegámos à Trindade e fomos surpreendidos por um forte controlo de registo do Andante, seguido de um amontoar completamente desorganizado de pessoas, que tinham pago uma viagem mas que não tinham merecido um serviço de qualidade, uma viagem organizada num veículo de transporte, mas em vez disso esperavam um “enlatamento” temporário numa caixa movimentada sobre carris. Por que razão os responsáveis da Normetro não prepararam um serviço com qualidade para servir os portuenses nesta noite de S. João? As preocupações foram apenas para o controlo da marcação do bilhete… Foi esquecida a organização da entrada das pessoas no metro. Foi esquecido que os metros vindos do Estádio do Dragão atingem o limite de ocupação na estação do Bolhão, chegando à Trindade sem lugares livres. Porque não foram colocadas guias para organizar a entrada das pessoas no metro? Porque não existiram metros que alternassem as paragens nas estações do Bolhão e da Trindade?
Será que os responsáveis que lucram com a noite do S. João não têm obrigação de melhorar os seus serviços e evitar problemas graves e difíceis de controlar numa multidão sem organização?
Esperamos mais da Cidade do Porto. Queremos uma melhor festa de S. João.
Viva o S. João! Vamos ver o fogo, vamos rir, vamos participar alegremente nesta festa popular, que é o orgulho da nossa cidade do Porto!
Foi com este sentimento e com esta vontade que, quando acabamos de comer as sardinhas assadas, saímos de casa rumo à Ribeira para assistirmos ao célebre e grandioso fogo de artifício no rio Douro.
Apanhámos o metro, saímos na Trindade e percorremos a Avenida dos Aliados, ouvindo os vendedores de martelos e alho-porro, e participando na festa que, em nossa opinião, deve ser vivida com alegria e lucidez. Este ano, com uma cerveja vinha um capacete, mas decidimos comprar água e, mesmo assim conseguimos acompanhar a moda dos capacetes neste S. João. Pelo caminho cruzámo-nos, inevitavelmente, com pessoas que beberam mais do que suportavam e que se sentiam perdidos no meio da multidão.
Chegámos à Ribeira, por volta das 22h30 e ainda conseguimos arranjar lugares na esplanada do café em frente ao rio. Aproveitamos para conviver, conversar e viver este momento em família.
À medida que se aproximavam as 24h00, a Ribeira enchia-se de pessoas, com vontade de celebrar o S. João, assistindo ao fogo de artifício preparado para encher os olhos e os corações.
Quando começou o fogo de artifício não se via qualquer espaço livre entre a multidão. As pessoas observavam o céu onde rebentavam os foguetes e bailava o espectáculo de luzes. Foi um bonito, correu tudo bem e reinava a alegria.
Acabou o fogo, batemos palmas, assobiamos e louvamos os Srs. Presidentes das Câmaras que alegraram os corações dos portuenses. Nem nos lembrámos que se esqueceram de prever algum problema…
Como é possível que as entidades responsáveis não se tivessem prevenido para o caso de acontecer algum acidente? Será que posteriormente se defenderiam do seu fracasso e incompetência alegando que “foi azar”, “ninguém estava à espera que tal acontecesse”, “fizemos tudo que estava ao nosso alcance para evitar uma tragédia maior”?, etc, etc, Confiariam que o pânico cegaria as pessoas, não as deixando enxergar a sua incompetência? Ficariam de bem com a sua consciência? O que aconteceria se um foguete não explodisse em direcção ao céu, mas em direcção à multidão? O que aconteceria se, por alguma razão, se gerasse o pânico entre as pessoas? Respondem que isso não acontece? Que a festa é mesmo assim? Demitem-se do dever de informar e olhar pelo bem-estar dos cidadãos?
Aguardámos que a multidão começasse a movimentar-se para seguirmos para o metro, que se havia anunciado capaz de responder às necessidades de transporte dessa noite. Quando começámos a vislumbrar movimento, ainda que lento, nas ruas perpendiculares ao rio, resolvemos avançar, combinando antes um ponto de encontro para o caso de alguém se perder no meio da confusão. Correu tudo bem até à Estátua do Infante e resolvemos depois continuar o caminho, subindo a rua Mouzinho da Silveira que, sendo larga, confiámos nos evitaria situações de apertos perigosas.
A primeira sirene soou, anunciando um batedor da Cruz Vermelha que tentava abrir caminho para socorrer uma senhora que não se sentia bem. Afastámo-nos, como toda a gente, libertando espaço para que passassem. Continuámos a subir, a segunda sirene soou, anunciando uma ambulância. Já com dificuldade em libertar espaço, as pessoas apertaram-se para permitirem a passagem da ambulância. Os momentos de aflição passaram e conseguimos avançar mais uns metros. A terceira sirene soou e a dificuldade em libertar algum espaço para a ambulância passar estava a tornar-se muito difícil, as pessoas não se conseguiam desviar, o condutor da ambulância forçava violentamente a passagem, as pessoas empurravam-se umas às outras criando momentos de aflição. A ambulância conseguiu passar mas agora a multidão parou, quase não havia espaço para o movimento do diafragma necessário à respiração, o pânico começava a instalar-se, as pessoas estavam a sentir-se presas e aflitas. A quarta sirene soou, anunciando uma nova ambulância. E agora? Não havia espaço, as pessoas não se conseguiam movimentar, mas a ambulância forçava a passagem e empurrava, provocando pânico. As pessoas atropelavam-se, vivendo-se momentos perigosos. Por ironia do destino, ou por falta de cuidado dos responsáveis em decidir o percurso das ambulâncias, para salvar uma vida poderia ter sido provocado um acidente que tiraria muitas outras.
Como é possível acontecerem estas situações? Por que razão não é reservada uma via, na rua Mouzinho da Silveira, para a passagem das ambulâncias ou até disponibilizado um hospital de campanha na Ribeira? O Hospital de Santo António é próximo mas neste dia as ruas estão intransitáveis, mesmo para ambulâncias...
Depois de descansarmos um pouco, acalmarmos a respiração e controlarmos os tremores nas pernas, continuámos o caminho até ao metro, subindo a Rua das Taipas até à Cordoaria, tentando, a todo o custo, evitar a confusão perigosa e desorganizada.
Chegámos à Trindade e fomos surpreendidos por um forte controlo de registo do Andante, seguido de um amontoar completamente desorganizado de pessoas, que tinham pago uma viagem mas que não tinham merecido um serviço de qualidade, uma viagem organizada num veículo de transporte, mas em vez disso esperavam um “enlatamento” temporário numa caixa movimentada sobre carris. Por que razão os responsáveis da Normetro não prepararam um serviço com qualidade para servir os portuenses nesta noite de S. João? As preocupações foram apenas para o controlo da marcação do bilhete… Foi esquecida a organização da entrada das pessoas no metro. Foi esquecido que os metros vindos do Estádio do Dragão atingem o limite de ocupação na estação do Bolhão, chegando à Trindade sem lugares livres. Porque não foram colocadas guias para organizar a entrada das pessoas no metro? Porque não existiram metros que alternassem as paragens nas estações do Bolhão e da Trindade?
Será que os responsáveis que lucram com a noite do S. João não têm obrigação de melhorar os seus serviços e evitar problemas graves e difíceis de controlar numa multidão sem organização?
Esperamos mais da Cidade do Porto. Queremos uma melhor festa de S. João.
mestre em Matemática e membro do clube

