28/06/2007

CLUBE DOS PENSADORES


JOAQUIM JORGE

A actual hegemonia dos partidos do espaço público nas sociedades democráticas conduziu a um risco de uma certa uniformidade e racionalização dos modos de pensar. Este clube foi criado para fomentar o espírito crítico e um conceito de opinião, capaz de aprovar ou desaprovar o exercício do poder. Sendo um espaço acessível a todos os cidadãos que nele se reúnem para discutirem temas de interesse comum. Nele se exprimem discursos múltiplos, frequentemente contraditórios.
A aposta de trazer o clube para Gaia, foi ganha, não só pela simpatia e apreço demonstrado pelo edil Luís Filipe Menezes, mostrando ser visionário e estando aberto a novas formas de participação cívica. É do conhecimento geral, o défice de participação que existe na sociedade actual, o clube ao ser apoiado e incentivado nas suas acções é um bom presságio para continuar.

Este ano já passou por lá, em Janeiro, Manuel Maria Carrilho para dissertar sobre a cultura como um desígnio nacional. Em Fevereiro numa atitude pedagógica abriu-se o blogue –clubedospensadores.blogspot.com - à participação de todos quer pela posição do SIM, quer do NÃO. Nessa actividade o depoimento de Vicente Jorge Silva, Manuel Alegre, José Leite Pereira, Luís Filipe Menezes, entre outros enobreceu a ideia. Em Março fomos os responsáveis pelo ressurgimento de Pedro Santana Lopes, com uma exposição mediática sem precedentes: as quatro televisões com directos no local; a imprensa toda em peso mais as revista cor-de-rosa. O interesse foi fantástico! Seguidamente houve um debate sobre a perda de influência do Norte e do Porto com Marco António Costa, Rui Sá, Álvaro Castello-Branco e o meu amigo Manuel Serrão. Em Abril esteve presente Garcia Pereira, para falar sobre Justiça e Trabalho. Maio teve a presença de Hermínio Loureiro, Reinaldo Teles, Ricardo Costa, Carlos Daniel e Drulovic que falaram de futebol. Por último a presença do anfitrião, estando a jogar em casa Menezes e Rui Gomes da Silva.
Com este leque de convidados, a presença em média de mais de centena e meia de pessoas, atingindo em alguns debates muito mais: Santana Lopes (mais de 300), Menezes (à volta de 200) é algo incomum e um novo espaço de activismo cívico, reinventando a participação dos cidadãos.
Às vezes pergunto a mim mesmo como é possível?
– A resposta agora é fácil ou perceptível: o envolvimento das pessoas; o nível dos convidados; conversas sem pé atrás; conversas não monopolizadas; conversas interessantes; não hajam indizíveis; sem medo de se exporem; as pessoas com mais valor estão em casa e não estão para se incomodar (se o debate tiver qualidade e lhes diga algo, saem de casa e aparecem); a metodologia seguida dando voz a quem não a tem; não haver um alheamento do real e uma concentração mórbida das pessoas nas decisões dos partidos; ter um olhar diferente e crítico; pensar sem coacção ou constrangimento de qualquer tipo; independente dos partidos; com autenticidade e espontaneidade; não comprometido.

Este à-vontade e reflexão do que nos rodeia e entender a crítica como procurar melhorar e não um ataque pessoal, ou querer denegrir alguém é um salto cultural e de mentalidade democrática a seguir. Eu não vejo a vida de uma forma monolítica. Este clube não sendo contra os partidos, mas sim um complemento deles, tem sido pioneiro em procurar evitar que não estejam tão ensimesmados e menos autistas.

Esta humanização da política fazendo ver que os políticos são pessoas normais com sentimentos, angústias, comuns dos cidadãos, foi conseguido, dando outra imagem de alguns deles.
Se a saúde me permitir e não me faltar força anímica espero continuar…


artigo publicado no jornal Audiência por sugestão do seu director Ferreira Leite