09/05/2007

















HERMÍNIO LOUREIRO QUER MAIS JOGOS PARA GARANTIR RECEITAS
TAÇA DA LIGA ARRANCA EM AGOSTO


A Taça da Liga vai mesmo arrancar e já no próximo mês de Agosto. A garantia foi dada pelo presidente da Liga, Hermínio Loureiro, que encara a nova competição como forma de ajudar financeiramente os clubes.

Isabel Pinto
A Taça da Liga, um dos objectivos do mandato de Hermínio Loureiro na presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, vai mesmo ser uma realidade.“O objectivo é começar a jogar a Taça da Liga já no próximo mês de Agosto e realizar a final no sábado de Páscoa”, garantiu o dirigente, à margem de um debate, organizado pelo Clube dos Pensadores, anteontem, em Vila Nova de Gaia, que parece já ter tudo encaminhado.Esta nova competição, segundo Hermínio Loureiro, poderá colmatar uma das lacunas do futebol nacional, segundo as opiniões que recolheu juntos de dirigentes, treinadores e jogadores, que passa pelo “elevado número de treinos e o reduzido número de jogos”. Esta será também, apontou, uma forma de minimizar os problemas financeiros dos clubes, “colmatando a falha que existe nos calendários” em termos de partidas.“Há trabalho a mais e competição a menos. Por isso, acredito que a Taça da Liga vai ser um grande sucesso, apesar de saber que a sociedade portuguesa é conservadora e que tem sempre muitas dúvidas em relação ao que é novo. Estamos, contudo, determinados a prosseguir com este objectivo”, disse o presidente da Liga, que espera que na próxima Assembleia Geral da FPF, no dia 19, possa ser aprovado o calendário.Sobre o apelo do presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, ao boicote à Taça da Liga, Hermínio Loureiro considera que, “com tranquilidade, essas questões sejam ultrapassadas”, adiantando que os clubes já receberam os regulamentos da nova competição.O dirigente falou ainda da profissionalização dos árbitros, outra das metas que pretende cumprir: “Numa competição profissional o elo mais fraco é o sector da arbitragem. Será que os árbitros treinam bem depois de um dia de trabalho? Por que são os únicos a ter que dar prioridade aos empregos ou negócios? Se o futebol profissional não conseguir gerar riqueza para pagar aos árbitros, então está tudo errado”.
CERTEZA
FUTEBOL PODE SER MAIS BEM TRATADO NO PAÍS
Hermínio Loureiro considera que assumiu a presidência da Liga numa altura em que “o futebol português estava descredibilizado, dado os casos «Apito Dourado» e «Mateus», que geraram uma onda de desconfiança”. Mas, mesmo assim, decidiu apresentar a candidatura: “Acho que o futebol poder ser mais bem tratado no País”. Finalmente, o dirigente realçou “a actual competitividade do futebol português”, pois, “a duas jornadas do fim, ninguém arrisca dizer quem vai ser campeão”
DEBATE PROBLEMAS PASSAM PELA FALTA DE PÚBLICO
«A realidade do futebol português” esteve anteontem em discussão no debate organizado, em Vila Nova de Gaia, pelo Clube dos Pensadores, no qual estiveram presentes o presidente da Liga, Hermínio Loureiro, o defesa do FC Porto, Ricardo Costa, o ex-jogador e treinador, Drulovic, e o jornalista Carlos Daniel. Na plateia, composta por quase uma centena de pessoas, encontravam-se, entre outros, Reinaldo Teles, da SAD do FC Porto, Semedo, ex-jogador dos «azuis e brancos», e Narciso Miranda, ex-presidente da Câmara Municipal de Matosinhos. Durante cerca de duas horas, o tema foi amplamente debatido, com a primeira intervenção a pertencer a Hermínio Loureiro, que abordou a realização da Taça da Liga, como forma de ajudar os clubes a conseguirem mais receitas ao longo do ano, e a profissionalização da arbitragem e a necessidade de valorizar o papel do futebol em Portugal. Drulovic, por seu turno, considerou que “parte dos problemas financeiros dos clubes passa pela falta de público nos estádios”. “O público tem de dividir-se por outros estádios e penso que grande parte do problema prende-se com o facto de os bilhetes serem bastante caros”, disse, apontando ainda que “a profissionalização da arbitragem é positivo”. Já Carlos Daniel realçou, como problemas actuais da modalidade, “a elevada importação de jogadores e pouca aposta na formação, a grande exportação de treinadores em contraposição com as já 16 «chicotadas psicológicas» este ano, a promoção que se faz do futebol e as reduzidas assistências nos estádios”.

RICARDO COSTA

GOSTAVA DE PROMOVER O JOGO DE PAÇOS

O defesa do FC Porto, Ricardo Costa, foi uma das figuras de destaque no debate, mas não falou muito. Numa das raras intervenções, o jogador abordou a dificuldade em compatibilizar os estudos e o futebol. “Não acabei o 12.º ano porque tive de optar: ou o futebol, ou os estudos. Escolhi o futebol”, disse Ricardo Costa, lembrando que “não era fácil estudar depois de treinar ao fim da tarde e depois de um dia inteiro de aulas”. Curiosa foi a abordagem do defesa à questão relacionada com a promoção dos jogos: “Na Selecção Nacional faz-se muitas vezes, mas no clube não. Mas é verdade que gostava de este fim-de-semana promover um jogo decisivo: portistas, domingo venham todos apoiar-nos a Paços de Ferreira”. No fim do debate, Ricardo Costa concluiu dizendo apenas que “é necessário encontrar soluções rápidas para os problemas criados, pois só assim o futebol irá para a frente”.