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| Francisco Azevedo Brandão |
As manifestações populares espontâneas que se têm vindo a desenrolar-se em Lisboa e um pouco por todo o país, contra a política financeira e económica do Governo imposta pela troica, faz lembrar a Revolta da Maria da Fonte, em 1846, contra o despotismo de Costa Cabral, numa reacção natural e espontânea contra o agravamento fiscal, a criação de novos impostos e a imposição do cumprimento das leis de saúde pública.
O ciclo de revoltas iniciou-se na Póvoa do Lanhoso, de onde partiu ondas de insurreição para as zonas confinantes de Viana, Guimarães e Braga. Os tumultos populares, chefiados por mulheres, armadas de chuços, roçadoiras, forcados de ferro que repicavam os sinos das igrejas, incitando o povo à revolta, espalharam-se como um rastilho por Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Barcelos, Fafe, Viana, Esposende, Fão, Vizela,Penafiel, Felgueiras, Amarante, Cabeceiras de Basto,Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Santo Tirso,Negrelos, Montalegre, enfim, por todo o Minho,, num pé de guerra contra a política dos desmesurados impostos perpetrados por Costa Cabral.
Incapaz de suster esta onda de indignação, o Governo de Costa Cabral foi obrigado a demitir-se demitir-se em 20 de Maio de 1846, levando o seu líder ao exílio.
Contrariamente à opinião do Senhor Cardeal- patriarca de Lisboa, que afirmou há poucos dias «que o poder não estava na rua», a revolta da Maria da Fonte vem provar claramente que quando um governo está a prejudicar um povo, é ao povo que compete tomar medidas para remediar o mal que lhe faz.
Conhecer a História do passado não é a apologia do saudosismo, mas uma lição sempre viva para se trilhar os caminhos do futuro.

