10/11/2012

A Perigosa teimosia dos políticos que se marimba para o país

Portugal está cada vez mais numa encruzilhada sem precedentes na sua história. Provavelmente vive-se o momento mais negativo e perigoso da nossa existência como nação. Não é exagero. A dívida pública simplesmente não é pagável nas condições draconianas impostas, reconhecidas à surdina ou à voz baixa, pelo próprio FMI, o triturador de países frágeis.

A receita continua a mesma, a de ajustar o regabofe de 3 décadas em apenas 2 anos, alargado agora para 3. A receita é criminosa, pois é redundante e cai num círculo vicioso de empobrecimento galopante, sem dar espaço à economia, essa sim, geradora de receita para sair da crise.

O problema não é apenas português, que seria mais um trunfo em negociações com os credores, desde que conduzido por gente competente, mas do modelo depredador de casino da economia mundial. A Europa está quase toda ela a entrar na vertiginosa deriva ciclónica do furacão e as lideranças insistem em misturar café com leite para dar vinho. Pensam que é a crise dos países do sul. Ledo engano. A contaminação é evidente e os resultados serão um desastre, se nada se fizer em contrário à doutrina vigente.

Portugal carece de um Governo com experiência e competência para lidar com esta complexa equação. O Governo ainda não conseguiu uma única vitória nas previsões que tem feito sobre os resultados das políticas que vem encetando. De derrota em derrota, insiste na mesma receita de destruição económica e desagregação social do país. Teima em não negociar, como Miguel Cadilhe diz, com honra, enquanto é tempo. Exibe uma miopia que nos assusta. Pedro Passos Coelho (PPC) é um homem perigoso com as suas convicções fanáticas, pois não houve ninguém, nem a evidência dos factos.
Por outro lado, António J. Seguro ( AJS), que poderia protagonizar uma real alternativa, também não está à altura dos acontecimentos, colocando-se numa posição de populismo gratuito e fácil, esquecendo-se que corre o sério risco de ser governo mais cedo que julgam e com um enorme problema para resolver e sem solução para o mesmo, correndo o risco de novamente ser considerado tão mentiroso como Sócrates o foi e agora PPC se transformou.

Se há um momento em que não só os partidos, mas a sociedade toda, deveria estar a dialogar e discutir alternativas, é exatamente esta. É um imperativo patriótico que ninguém se deveria furtar.

Pese embora não reconhecer qualquer credibilidade a este governo, que enganou milhões de portugueses, também não posso aceitar que apenas se rejeite o que é proposto, por vezes sem se saber o que é, sem dar uma única solução credível. Não basta dizer que se é contra a revisão da constituição, como se isso fosse suficiente para defender um estado social excelente, porque se assim fosse, os portugueses não estariam na penúria e na eminente situação de não terem dinheiro para as pensões de reforma daqui a uns anos, porque a constituição não foi mudada e não impediu esta falência generalizada.

Com efeito, é preciso definir o que queremos de estado social. Quais as funções do Estado e qual o nível de prestação que deve ter. Como proteger os mais desfavorecidos e evitar injustiças sociais, bem como com que meios se financia este Estado Social. Este é o que considero, há muito, o trabalho de casa. É a grande reforma por fazer, pois se define o que queremos de Estado Social, o seu âmbito, a extensão da sua ação e o modo como é financiado, com o que produzimos. Se queremos mais, temos de produzir mais. Só assim se pode sair da crise com dignidade e mostrar aos credores que somos portadores de boa-fé, mas queremos oportunidade para honrar os compromissos de um povo digno e sério, mesmo que alguns dos que nos governam o não sejam.

E é por isso que não se pode evocar a falta de educação de PPC ao convidar AJS fora de tempo, para não participar desta mãe de todas as discussões, porque no mínimo servirá para denunciar o que está a ser preparado à sorrelfa por este grupo de autistas trituradores do povo português.

Mário Russo