
João Almeida
Para além da arte, dos jogos de vídeo e da leitura, só a condução me dá tanto prazer.
Para além da arte, dos jogos de vídeo e da leitura, só a condução me dá tanto prazer.
Infelizmente para mim, não há um único dia em que quando me meto na estrada não seja afectado pela ignorância, falta de educação e em certos casos verdadeira aselhice mental dos outros condutores, particularmente na correcta feitura dos piscas, o uso indiscriminado dos faróis de nevoeiro, e a baixa velocidade de circulação na faixa do meio das auto-estradas, sem contar com o resto...
Todos os anos se contabilizam os acidentes e mortos na estrada e são-nos apresentados valores de milhares de vítimas, parte dessas mortais e todos os anos os sucessivos governos apresentam medidas para a redução dessa sinistralidade... no entanto, não consigo compreender (ou talvez consiga) porque é que os governantes não perceberam ainda que a principal causa da sinistralidade não é, nem o excesso de velocidade, nem o excesso de ingestão de bebidas alcoólicas, e muito menos a deficiente sinalização ou estado das estradas... mas sim o tipo de educação dada pelas escolas de condução.
Quando eu estava tirar a carta, julguei eu erradamente que me encontrava ali naquela pequena sala de paredes brancas a aprender a conduzir, em vez disso foi-me provado pelo próprio instrutor que estava ali sim, apenas a aprender a passar no exame quando, ao interpelá-lo com uma dúvida sobre o sistema ABS, ele respondeu-me simplesmente: “ – Não te preocupes com isso porque não sai no exame.”
Ora... penso eu de que, em termos civilizacionais a condução das máquinas é tão importante actualmente como saber ler e escrever, e exactamente por esse facto dever fazer parte dos programas educacionais do ensino secundário.
Se a condução fosse uma disciplina do 9º ano, não só resolveríamos o problema da sinistralidade, uma vez que estaríamos a colocar jovens com preparação teórica e prática de um ano, com testes intercalares e notas finais, como também resolveríamos o problema do abandono escolar se obrigássemos o futuro condutor a completar o ano satisfatoriamente.
Ao 12º ano seria reservado o ensino da condução das categorias de pesados de mercadorias, pesados de passageiros e cartas profissionais com as mesmas condições.
pintor e simpatizante do clube dos Pensadores