Manifesto Artístico
João Almeida
Entenda-se que o conceito de beleza não passa disso mesmo: de um conceito, mas não podemos ignorar a hipótese de a natureza ter criado para si mesma e de alguma forma os seus próprios conceitos de beleza... neste caso completamente inerente ao código genético dos seres para os quais ser “belo” é sinónimo de, no mínimo dar continuidade à espécie com os seus genes...; não é verdade que a maioria das fêmeas entre os pássaros escolhe para seu parceiro sexual o macho com a plumagem mais “bela”, ou aquele que oferece as coisas mais “belas”? Talvez o mesmo se passe com o homem e que a genética de cada um determine o que é para si belo ou feio. Seja como for, sabe-se bem o quanto o homem já pensou e escreveu sobre o assunto durante os últimos dez milénios ou mais, sem no entanto nunca ter descoberto a derradeira beleza apesar de, num belo dia solarengo em Itália por alturas do renascimento alguém apresentar publicamente a inquietante fórmula 1/618 e afirmar ser esta e mais nenhuma a verdadeira representação das proporções correctas da beleza. No entanto é e sempre será uma teoria controversa, porque também sabemos que o conceito de beleza sempre variou de época para época e de civilização para civilização e de pessoa para pessoa... Sendo assim, por mais que analisemos o estranho conceito da beleza cientificamente, existe sempre espaço para algo mais que nunca compreenderemos ou chegaremos algum dia a conhecer mas que pode ser o factor fundamental para a apreciação do belo em cada um.
Hoje com trinta e três, recuo na memória a 1988 por volta dos meus quinze anos quando estudava no 9º ano do secundário e descobria o som do Speed e do Power Metal de bandas tais como os Helloween e Manowar e surgem-me as respostas á questão pessoal sobre de que forma cheguei ao ponto intelectual onde me encontro e sobre tudo aquilo que me fez ser o que sou hoje. Não querendo parecer presunçoso, julgo ser uma dessas raras pessoas que pode afirmar que se conhece muito bem a si própria; que sabe o que foi, o que é, e o que será... ou por outra, o que quer ser, e mesmo que essas respostas não sejam as mais correctas, são certamente as mais lógicas para mim.
Não será grande parte do trabalho do artista procurar a beleza e representá-la? No meu caso, essa surgiu-me nesses tempos de estudante sobre a forma de uma rapariga andrógena pela qual tive uma paixão avassaladora. Sem conseguir racionalizar os motivos dessa paixão, sei agora que isso serviu para me fazer compreender já na altura, que a beleza surge em qualquer forma, e não apenas nos padrões que nos impõem dia após dia e que também esses, a quem o “lançamento dos dados” determinou padrões diferentes para a sua imagem, merecem figurar na arte.
Actualmente sou um estudioso da entusiasmante ciência da Teratologia e da história dos Freak Shows Americanos, sendo estes a minha principal fonte de inspiração.
artista ( pintor) e simpatizante do clube , inicia a sua colaboração connosco
