Guacira Maciel
(Jardim dos Poetas Vincent Van Gogh)
Seu sentir jamais foi entendido;
você tentou mostrar a eles
um universo novo,
mas, Vincent, eles não podiam compreender,
que na sua lucidez,
você tenha perdido os olhos pra inveja,
pra ganância, injustiça e pro sofrer,
ao ponto de se mutilar!
Vincent, eu sei...você não era louco;
você os queria acordar...
não se encerrou na sua torre;
toda a beleza que transbordava sua taça
você transformava em luz,
cores, movimento,
e o que chamaram de tormento,
retratado num rosário de preciosas gemas,
rubras como a sua paixão,
azuis como os seus céus,
amarelas como os seus sóis,
seus girassóis,
seus mares calmos ou revoltos...
eram síntese da vida!
eram um turbilhão,
que secretamente inundavam sua alma;
sua arte são poemas
que nos revelam histórias sofridas,
de camponeses, mineiros cabisbaixos,
rudes, explorados,
porque você viveu com eles,
viveu a mesma lida!
Mas, você também sentiu amor
de homem apaixonado;
e muito deu e muito amou:
a arte, as pessoas, a natureza...
você foi um homem doce, frágil, delicado,
mas não foi asséptico, não foi morno...
tudo em você era dançante;
as suas noites, estreladas;
seus dias, ensolarados;
as raízes das suas árvores, se mexiam...
suas casas respiravam!
Vincent, os gênios não se findam,
eles não têm limites...
eles, apenas, mudam de trajetória
e, fica em paz, eu sei,
você foi descansar; não desistiu;

