
Daniel Braga
Muito por culpa das eleições legislativas em Timor, resolvi rebobinar o filme da minha infância e voltar aos tempos idos dos inícios dos anos 70, mais propriamente à história de Timor nos pós 25 de Abril de 1974 até ao início da sangrenta ocupação do território, estendida por 24 dolorosos e sofridos anos.São apenas pequenas notas sobre algo que ainda dilacera muitos corações que hoje ainda acham que a história de Timor poderia ter sido escrita de outro modo e com outro rumo, sem a necessidade de ter de se recordar duas décadas de dor, sofrimento e perda, de todo um povo, por via da ocupação estrangeira da sua pátria por uma nação poderosa, cruelmente impiedosa e de comportamento não admissível nem tolerado à luz do direito internacional. Mas vamos aos factos que muitos teimam "esquecer" ou "adulterar" para sua conveniência e interesse...
Em 1975 , ao eclodir a guerra civil entre os irmãos timorenses desavindos (Fretilin e UDT), Portugal possuia meios humanos e militares suficientes para acabar imediatamente com o conflito e só o não fez porque o representante máximo português, Governador Lemos Pires assim o não entendeu (talvez tivesse recebido ordens para não actuar...), tendo preferido abandonar o território à sua sorte e recuado, com as suas tropas, para a ilha do Ataúro. Ao deixar o território à sua mercê e ao sabor de todas as crueldades das duas partes envolvidas no conflito, as autoridades portuguesas de então não fizeram mais do que ajudar a agudizar e a extremar o conflito que rapidamente se tornou numa guerra civil, tendo dado à Indonésia um pretexto explêndido para invadir o território,o que veio a acontecer em Dezembro de 1975.
Durante o conflito da guerra civil alguns portugueses foram presos, humilhados, torturados e, posteriormente executados, em Aileu, às mãos da Fretilin (são exemplo, o comandante da Polícia de então, Maggiolo Gouveia, César Mouzinho, Amadeu Coelho, entre outros), não tendo as autoridades portuguesas da altura tido a mínima preocupação em exigir a libertação desses compatriotas portugueses presos.Um desses presos foi o tenente- coronel Maggiolo Gouveia, comandante da polícia , um dos oficiais mais condecorados na guerra colonial. Quem conheceu Maggiolo Gouveia sabe que a sua atitude de resignar ao exército português e lutar por amor a um território que ele já considerava seu, foi tomada conscientemente pois entre servir um Portugal que caminhava cada vez mais para uma anarquia generalizada e um Timor que se queria livre, independente, próspero e assente em bases sólidas de amizade e cooperação entre as diversas correntes ideológicas timorenses e Portugal, ele preferiu a segunda hipótese, mesmo sacrificando a família, pois acreditava piamente que Timor poderia tornar-se num pequeno País independente, com a inter-ajuda de todos e logo que as condições o permitissem.
Quando Mari Alkatiri, em tempos idos, se referiu a Maggiolo Gouveia como um dos responsáveis pelo holocausto em Timor, está a distorcer grosseiramente a verdade histórica e a fugir das responsabilidades que o seu partido tem por todo o banho de sangue que ocorreu em Timor em Agosto de 1975 e que proporcionou à Indonésia o pretexto que queria para invadir o território.
A verdade dos factos é esta, doa a quem doer, mesmo que alguns hoje tenham a memória "curta" e lhes convenha distorcer os acontecimentos da História, ao sabor dos seus interesses, sejam eles quais forem.
PS: este artigo é escrito em memória de Maggiolo Gouveia e homenagem à sua família que eu muito prezo e estimo.
professor , timorense e membro do clube
Muito por culpa das eleições legislativas em Timor, resolvi rebobinar o filme da minha infância e voltar aos tempos idos dos inícios dos anos 70, mais propriamente à história de Timor nos pós 25 de Abril de 1974 até ao início da sangrenta ocupação do território, estendida por 24 dolorosos e sofridos anos.São apenas pequenas notas sobre algo que ainda dilacera muitos corações que hoje ainda acham que a história de Timor poderia ter sido escrita de outro modo e com outro rumo, sem a necessidade de ter de se recordar duas décadas de dor, sofrimento e perda, de todo um povo, por via da ocupação estrangeira da sua pátria por uma nação poderosa, cruelmente impiedosa e de comportamento não admissível nem tolerado à luz do direito internacional. Mas vamos aos factos que muitos teimam "esquecer" ou "adulterar" para sua conveniência e interesse...
Em 1975 , ao eclodir a guerra civil entre os irmãos timorenses desavindos (Fretilin e UDT), Portugal possuia meios humanos e militares suficientes para acabar imediatamente com o conflito e só o não fez porque o representante máximo português, Governador Lemos Pires assim o não entendeu (talvez tivesse recebido ordens para não actuar...), tendo preferido abandonar o território à sua sorte e recuado, com as suas tropas, para a ilha do Ataúro. Ao deixar o território à sua mercê e ao sabor de todas as crueldades das duas partes envolvidas no conflito, as autoridades portuguesas de então não fizeram mais do que ajudar a agudizar e a extremar o conflito que rapidamente se tornou numa guerra civil, tendo dado à Indonésia um pretexto explêndido para invadir o território,o que veio a acontecer em Dezembro de 1975.
Durante o conflito da guerra civil alguns portugueses foram presos, humilhados, torturados e, posteriormente executados, em Aileu, às mãos da Fretilin (são exemplo, o comandante da Polícia de então, Maggiolo Gouveia, César Mouzinho, Amadeu Coelho, entre outros), não tendo as autoridades portuguesas da altura tido a mínima preocupação em exigir a libertação desses compatriotas portugueses presos.Um desses presos foi o tenente- coronel Maggiolo Gouveia, comandante da polícia , um dos oficiais mais condecorados na guerra colonial. Quem conheceu Maggiolo Gouveia sabe que a sua atitude de resignar ao exército português e lutar por amor a um território que ele já considerava seu, foi tomada conscientemente pois entre servir um Portugal que caminhava cada vez mais para uma anarquia generalizada e um Timor que se queria livre, independente, próspero e assente em bases sólidas de amizade e cooperação entre as diversas correntes ideológicas timorenses e Portugal, ele preferiu a segunda hipótese, mesmo sacrificando a família, pois acreditava piamente que Timor poderia tornar-se num pequeno País independente, com a inter-ajuda de todos e logo que as condições o permitissem.
Quando Mari Alkatiri, em tempos idos, se referiu a Maggiolo Gouveia como um dos responsáveis pelo holocausto em Timor, está a distorcer grosseiramente a verdade histórica e a fugir das responsabilidades que o seu partido tem por todo o banho de sangue que ocorreu em Timor em Agosto de 1975 e que proporcionou à Indonésia o pretexto que queria para invadir o território.
A verdade dos factos é esta, doa a quem doer, mesmo que alguns hoje tenham a memória "curta" e lhes convenha distorcer os acontecimentos da História, ao sabor dos seus interesses, sejam eles quais forem.
PS: este artigo é escrito em memória de Maggiolo Gouveia e homenagem à sua família que eu muito prezo e estimo.
professor , timorense e membro do clube