08/05/2007






Clube dos Pensadores 2007-05-08 20:52

Hermínio Loureiro considera ser "o momento para se fazer algo" no futebol nacional


Foi no sentido de debater a importância do futebol português que o Clube dos Pensadores colocou lado a lado, na passada segunda-feira no Hotel Holiday Inn, em Vila Nova de Gaia, Hermínio Loureiro (presidente da Liga de Clubes), Carlos Daniel (jornalista), Ricardo Costa (jogador do FC Porto), Drulovic (ex-jogador de futebol) e Joaquim Jorge (fundador do Clube dos Pensadores).

Tiago Silva



Os estádios vazios - à excepção onde jogam os três crónicos candidatos ao título - não reflecte o elevado peso que o futebol tem no seio da sociedade portuguesa. A modalidade desportiva que mais paixões levanta no nosso país já viveu melhores momentos. E para o seu declínio contribuíram múltiplos factores, que vão desde os jogos fracos a nível técnico a alguns escândalos que envolvem agentes do futebol.


Na plateia do debate realizado pelo Clube dos Pensadores marcaram presença personalidades como Reinaldo Teles (administrador da SAD do FC Porto) , Semedo (ex-jogador) e Narciso Miranda ( ex-presidente da Câmara de Matosinhos) entre as cerca de 150 pessoas que assistiram ao debate.



Para o presidente da Liga, o futebol nacional já começa a sair da tenebrosa penumbra que o cobriu nos últimos anos. Apesar da média dos espectadores nos estádios de futebol ser baixa, ao comparar com a média europeia vê-se muito futebol em Portugal. Hermínio Loureiro referiu que este é "momento para se fazer algo" e que já trilhou caminho para voltar a colocar a alegria nas bancadas. A realização da Taça da Liga, que espera "ver aprovada na próxima Assembleia-Geral da FPF e que comece a ser jogada já a partir de Agosto" vai aumentar o quadro competitivo e trazer mais receitas para os clubes. Hermínio Loureiro garantiu ainda que "não vai descansar" até profissionalizar a arbitragem, "ainda neste mandato".


Carlos Daniel referiu que o futebol português é "um jogo estranho", já que produz "jogadores de talento e treinadores excelentes", mas exporta demasiado. Por isso, é estranho que só esta época se tenha assistido na BwinLiga a "16 chicotadas psicológicas. Os presidentes apostam nos treinadores mas não acreditam neles". O jornalista abordou ainda a formação e as poucas vezes que os jogadores aparecem nos meios de comunicação social a falar na primeira pessoa.


Joaquim Jorge salientou que os clubes e jogadores deveriam ter uma maior componente pedagógica e que os artistas "são como estrelas cintilantes, que quando a carreira acaba desaparecem". Para o biólogo e fundador do Clube dos Pensadores, é necessário "atrair mais pessoas para os estádios", e aproveitou a ocasião para referir que o seleccionador nacional "devia ser português". Acrescentou que gostava que " o futebol fosse mais jogado e menos falado" em que "os actores e intervenientes fossem os jogadores". Finalizou dizendo que "o futebol deve ser utilizado como veículo de união e não de desunião".


Drulovic relembrou as dificuldades porque passou quando foi treinador na II Divisão B e o mau momento económico que os clubes vivem. O ex-jogador de futebol aprova a profissionalização dos árbitros e que quem sofre com os estádios vazios são os clubes mais pequenos. A formação dos jogadores é essencial e é necessário criar um sistema flexível que permita aos jogadores jogarem ao mais alto nível e estudar ao mesmo tempo.


Já o defesa-central do FC Porto preferiu ser questionado pela plateia. Sobre a formação académica dos jogadores, Ricardo Costa referiu que era muito difícil estar na escola o dia inteiro, treinar ao final da tarde e "depois ainda chegar a casa e estudar". Mesmo assim, o jogador frequentou o 12º ano, mas depois teve que optar: "Ou o Torneio de Toulon ou os estudos. Preferi ser jogador de futebol". Sobre as críticas de que os jogadores não promovem os jogos das suas equipas, Ricardo Costa defendeu-se dizendo que muitas vezes "não podem falar" e que o gostaria de fazer mais vezes.