08/05/2015

Excerto de Pedagogia Cívica (3)



(...) Um político deve ter um vencimento digno de acordo com o seu cargo e ser tratado como qualquer cidadão que faz descontos e tem um emprego. As subvenções devem acabar de uma vez por todas. Ponto final! Custa-me pensar que não haja, dentro dos partidos ou fora deles, homens e mulheres
de alto valor moral e intelectual, animados pelo desejo de serem úteis à Nação e não pensarem neles próprios.
Sou contra os abusos, injustiças, favoritismos ou imoralidades. Esta atitude política tem que ser o exemplo e não cortar somente 10% das subvenções. Uma coisa é uma pensão de reforma, outra é uma subvenção vitalícia.
As subvenções públicas devem ser abolidas para quem as tem: membros do Governo, deputados, juízes do Tribunal Constitucional.
País pobre, sem recursos, intervencionado, em regime de protectorado não pode e não deve dar benesses a ninguém. Não há dinheiro, isso é para todos e não pode haver excepções. (...)

Primeiras eleições “livres”




Miguel Mota 

Eu gostava de perguntar aos portugueses qual é o seu conceito de eleições livres.
Lembro que na democracia – palavra derivada do grego “demos” (povo) e “kratos” (poder) – o poder reside no povo, considerado este o conjunto dos cidadãos maiores de 18 anos, e não numa pessoa ou entidade. Portanto, os cidadãos é que são os detentores do poder e a quem cabe tomar as decisões.
Como as diferentes pessoas podem não ter a mesma opinião, sendo rara a unanimidade, foi decidido, em democracia, adoptar, para qualquer decisão, aquela que tiver maioria. Como não é possível consultar todas os cidadãos para todas as decisões a tomar, salvo em casos de decisões de excepcional importância, torna-se necessário que os cidadãos deleguem o seu poder, pelo voto, num número restrito dos seus pares, para que estes, em seu nome, tomem as decisões necessárias.
A delegação de poderes, em democracia, tem de ser absolutamente livre. Não pode haver uma qualquer entidade a determinar em quem é que os cidadãos têm “licença” de delegar o seu poder. Em democracia, todos os cidadãos têm os mesmos direitos. Quem  desejar ser uma das pessoas em quem os outros vão delegar o seu poder deve poder, portanto ser um candidato a receber essa delegação. Para que não haja um número exagerado de candidatos em quem quase ninguém votaria, é normal que uma candidatura tenha de ser acompanhada por um determinado número de eleitores apoiantes.
Não foi isto que se passou nas eleições de 1975. Quem mandava, ditatorialmente, pois o povo ainda não tinha tido oportunidade de se expressar, eram os militares que fizeram a revolução e os civis que a eles se associaram. Esses mandantes decidiram que, para a eleição de uma Assembleia Constituinte, os cidadãos, individualmente, não se podiam candidatar. Só partidos políticos, criados entretanto, poderiam apresentar listas de candidatos. E até foram excluídos desse direito alguns partidos porque, na opinião dos mandantes, uns eram demasiado de esquerda e outros demasiado de direita!
O país foi dividido em círculos eleitorais, coincidentes com os distritos. Assim, alguns círculos elegeram dezenas de deputados e outros apenas dois ou três! E as listas eram, como continuam a ser, com ordem fixa, o que dá aos candidatos da frente privilégios que não têm os do final da lista.
Os portugueses, que tanto se queixavam, na anterior ditadura, de não poder eleger livremente os seus deputados, agora consideram estas e as que se seguiram para a Assembleia da República, “eleições livres”. Eu, obviamente, não considero, pelas razões acima.


Para termo de comparação, os portugueses têm uma eleição democrática: para o Presidente da República. Candidata-se quem o deseja e os partidos limitam-se a apoiar os candidatos que entenderem. Os que se queixam do Presidente da República, só têm de lamentar não terem sido capazes de eleger um melhor. Tinham toda a liberdade para o fazer.

07/05/2015

Artigo de opinião de Joaquim Jorge no Record



Excerto de Pedagogia Cívica (2)



(...) O escrever não está reservado aos grandes literatos.Seria tão estúpido como pensarmos que não podemos jogar futebol, porque não somos iguais a Cristiano Ronaldo. Para escrever, como dizia Oscar Wilde, “somente há duas regras: ter algo para dizer e dizê-lo”.
A minha formação em Ciências, pouco tem a ver com Letras, mas há uns anos a esta parte verifico que escrever tem um poder assinalável de intervir e alertar. Os temas que mais me preocupam, por exemplo, são a política, em geral, alguns políticos e determinadas situações com as quais me
sinto mal quando tomo conhecimento. Faço-o para que tenha relevância pelos outros e para o bem-comum. Escrever, por outro lado, potencia a criatividade e a resolução de determinado problema. Escrevo sem medo e sem pensar nas consequências. As minhas ideias vão fluindo. Procuro
converter o complexo em simples. Muitas vezes, ouço críticas, outras vezes elogios. Charles Reade disse: “Semeia um pensamento e colhe um acto. Semeia um acto e colhe um hábito. Semeia um hábito e colhe um carácter. Semeia um carácter e colhe um destino”.
Não tenho dúvidas de que as minhas palavras, os meus pensamentos e as minhas ideias estão ligadas a uma finalidade: lutar pela cidadania, dar voz aos cidadãos, lutar pela sua participação activa, lutar pelos seus direitos,proporcionar mais e melhor democracia, etc.

Passe a jactância, não sei se é um destino, mas não deixarei de continuar a fazê-lo pelo uso da palavra
escrevendo ou falando.Tenho-me apercebido de que a minha escrita chega cada vez a mais gente, logo tem mais poder e influência.
Utilizo a internet no blogue e no Facebook, mas também em vários jornais de referência locais e nacionais. Tenho grande feedback do que digo e escrevo, o que é preocupante para alguns mas um prazer para muitos.
A minha escrita tem como finalidade melhorar. Quem é poder tudo o que faz está na arena pública, para o bem e para o mal. Não podem querer só aplausos. ( ...)

06/05/2015

Selecção JJ - 80's Groove - Mix 2 (R&B/Club Hits/Disco) - DJ Sugar E.



Excerto do livro Pedagogia Cívica



(...) Neste país, há a mania de marcar o andamento de uma pessoa. De facto, a sociedade e quem a dirige diz-te que caminho tens que seguir, como tu deves actuar, onde ir, os restaurantes da moda ou discotecas in para onde ir de férias, como te deves vestir, como deves pensar e em quem deves
votar. O teu gosto não é para aqui chamado. Deves seguir à risca o estipulado socialmente. Há normas e costumes que se devem acatar de forma resignada, amorfa e insípida. Se
não o fizeres, és um herege e um alvo a abater. O teu maior problema foi fundares o Clube dos Pensadores e fazeres debates da forma como os fazes, pois há muito tempo que há
debates para todos os gostos, mas não como os teus. Porém, a forma como os fazes, os conduzes e quem convidas marca a diferença e faz escola. Os teus debates têm emoção, um pouco de magia e são únicos. Por isso, quando alguém é diferente, sai do normal e segue em contracorrente, começa por surpreender, chega a desagradar e, depois, como não conseguem modificá-lo,começam a prestar-lhe atenção, porque podem revoltar-se contra o que está estabelecido, contra o que está imposto.( ...)

(...) Fazer o que fazes não tem nada de extraordinário. É um dever e um privilégio que muita gente não o pode fazer. No fundo, algo que é absolutamente normal e natural, mas que Adolfo Suárez definiu como ser preciso “elevar à categoria de normal o que é normal”.
O problema é que há muita gente que não aceita que tu sejas apenas tu mesmo, que o teu copo pode ser pequeno, mas é só dele que bebes. Que tu estabeleças os teus objectivos,
segundo as tuas preferências e prioridades, que tenhas o pernicioso vírus da independência e que por si sejas um grão de areia na engrenagem que chateia toda a gente. (...)

RETOMA



Parece finalmente que vamos ter uma retoma económica, pela ajuda da queda do preço do petróleo, pela depreciação do euro e pelo BCE.
O problema é o que acontecerá depois de estes três efeitos desaparecerem. Todavia acho que vamos continuar a sentir a crise nos próximos anos. Em Portugal seria importante que a economia se tornasse auto-sustentada.

JJ

05/05/2015

Selecção JJ - 80's Groove - Mix 1 (R&B/Club Hits/Disco) - DJ Sugar E.




COELHO EM LATA OU LATA DE COELHO




Hercília Oliveira 
Uma característica comum da classe política, e que a mim me tira do sério, é a forma, ou melhor..., a lata com que eles nos tratam, achando que podem fazer e dizer todas as baboseiras que lhes der na gana, e que nós aceitamos e acreditamos sem pestanejar!
Um bom exemplo disso, foi a atitude de Passos Coelho há uns dias atrás.
E..., das duas uma:
Ou Passos Coelho acha que é tão" engraçado" e tão bem amado pelos portugueses, que tudo lhe toleram e aceitam.
Ou, então..., Passos Coelho teve a tal lata de que os políticos são mestres!
E, como é esta segunda hipótese que mais eu acho ser a real, só tenho a dizer o seguinte:
É preciso ter uma grande LATA, mas muito grande..., para Coelho fazer o elogio público que fez a Dias Loureiro! É realmente ter uma grande LATA...!
Que Coelho, quisesse dar prova de amizade  ao amigo  publicamente..., tendo a maioria dos portugueses a opinião que têm sobre tão sinistra figura que é Dias Loureiro, deveria de todo, ser evitado.
Até porque..., quando queremos dar provas de amizade a uma amigo, não é necessariamente publicamente a melhor forma de o demonstrar.
Mas a LATA de Coelho foi tão grande, que se deu ao desplante de elogiar Dias Loureiro, como empresário de sucesso e que era um bom exemplo a seguir!
Ora, um "elogio" destes..., é de quem tem uma LATA tão grande, que dá até para duvidar da tal amizade. Chega até, a parecer um presente envenenado! Pois se a figura sinistra estava já e infelizmente..., esquecida, com estes desavergonhados elogios, ela voltou a ser falada e raivosamente lembrada.
E, Diz Loureiro ao Expresso:
  " A minha vida é fora, desliguei da política".
Pois..., a política serviu-lhe para concretizar os seus verdadeiros objectivos:
"ser um bom empresário..."
É para isto, que os políticos que têm estado ao serviço deste país, o têm usado: serem uns grandes "empresários", da mesma classe e categoria de Dias Loureiro !
Tenham vergonha! E metam na vossa limitada cabeça...,que a maioria dos portugueses não são como vocês...!

artigo de opinião de Joaquim Jorge no JN



Democracia, 41 anos
JOAQUIM JORGE, FUNDADOR DO CLUBE DOS PENSADORES






O banho


Carla Ribeiro






A música suave A água corria na banheira. Recostei-me na banheira O meu corpo relaxado. Fechei os olhos. Entras-te, mas não te ouvi. Colocaste pétalas na água, E suavemente, beijaste os meus lábios. Abracei-te e puxei-te para dentro da banheira. O teu corpo deslizou suavemente. Lentamente, despi a tua roupa. Queria sentir o teu corpo no meu. As tuas mãos percorriam o meu corpo Os teus beijos incessantemente procuravam os meus. Os nossos corpos flutuavam na água Procurando-se para se acariciarem. Puxaste-me para ti. Senti as tuas mãos nas minhas nádegas A tua boca beijava o meu peito. Deleitei-me ao prazer de te sentir. Todo o meu corpo desejava o teu. Os teus beijos percorreram o meu corpo As tuas mãos procuravam o meu sentir. Afastaste as minhas pernas e a tua mão tocou-me Sentiste o meu corpo estremecer de desejo. A tua língua ardente de desejo percorria-me. Acariciaste a minha vulva Soltaram-se suspiros e gemidos de prazer. Sentia todo o teu corpo desejar o meu. Suspiros, gemidos, sussurros de prazer e paixão. Mergulhávamos os nossos corpos na água, Como que se buscassem novos prazeres. E ao som da música suave, Os nossos corpos, fundiam-se num só. Numa dança, num bailado De desejo, de Amar, de paixão. As minhas camoesas eram agora tuas, O meu desejo era teu. Oferecia-te todo o meu sentir. Amamo-nos, sem receios, sem pudor, Queríamos apenas nos oferecer o desejo de sentir, De nos Amarmos.

04/05/2015

Livro




Dia 25 de Maio é um dia especial para mim. Este livro é uma súmula do trabalho que venho ,há uns anos a esta parte, a desenvolver no Clube dos Pensadores.
Gostava muito que estivessem presentes, por mim , pelo Clube, pelo que representa, independentemente de quem vai apresentar a obra... Por outro lado, ninguém tem a obrigação ou o dever de estar presente. O Clube é um free space.
O jornalista Pedro Laranjeira disse na sessão de apresentação de um dos meus anteriores livros:
"Numa sala repleta de comunicação social, onde meio milhar de pessoas acorreu a matar a curiosidade de longa data sobre a obra que retrata todos os eventos, foi uma noite de glória para o inconformista pensador que tem tido a ousadia de discutir em público os tabus do nosso quotidiano e tem conseguido, para isso, a colaboração e presença de figuras públicas dos mais diversos quadrantes da sociedade.
Joaquim Jorge continua a "ousar pensar".Contundente e sempre muito atento, foi afirmando a sua posição e é hoje objecto de notícias permanentes na maior parte dos órgãos da comunicação social portuguesa.
Criou um espaço público de debate de ideias que é inédito na sociedade ocidental contemporânea, para que tem convidado personalidades de incontornável preponderância na gestão dos destinos nacionais".


nota: até à data de lançamento de Pedagogia Cívica deixarei aqui pequenos enxertos de textos do livro.
JJ

Clube dos Pensadores lamenta morte de Tereza Halliday





Tereza Halliday
Nunca conheci pessoalmente Tereza Halliday, de seu nome completo, Tereza Lúcia Halliday Levy. Começou a enviar os seus textos para o blogue , por sugestão de um amigo do Clube, Francisco Morgado. Estranhei que não enviasse como habitualmente os seus textos. Fui fazer uma pesquisa na Net e apercebi-me que faleceu. Um dia triste para mim. Já outra mulher que escreveu neste espaço, Isabel Carmo, também tinha falecido em 2010.

Há pessoas que nunca conhecemos mas gostamos. Esta era uma delas. Este espaço perdeu alguém com valor  erudito e de educação extrema. E, que os seus escritos iam para além da crónica política.

Um dia enviou-me esta mensagem:
"Quero mais uma vez agradecer-lhe pela divulgação de meus textos.E dizer-lhe do meu gosto em visitar o seu blog. A recente matéria sobre Saias Curtas e Decotes, pertinente e com a pitada certa de humor e ironia. Sem dúvida, o Clube dos Pensadores presta um bom serviço à comunidade e ao estímulo dos nossos neurônios". Que eu agradeci e enalteci os seus textos fabulosos e cheios de sentido.
O Clube dos Pensadores lamenta profundamente o falecimento, na madrugada de sexta-feira , no dia 24 de Abril, Foi professora do curso de Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco.
Foi jornalista e escritora, mas depois de se reformar Tereza dedicou-se ao trabalho de lapidar textos de terceiros para melhor apresentação, trabalhando a forma e o estilo, daí o título que ela mesma cunhou: Artesã de Textos. Ela lutou contra um cancro por um ano. Estava internada no Hospital Memorial São José e seu corpo foi cremado no cemitério Morada da Paz, em Paulista. Gostava de fazer Cooper nos finais de tarde no calçadão de Boa Viagem e tinha gosto em enviar os seus lindíssimos textos para o nosso blogue.

Uma homenagem póstuma  à minha querida amiga Tereza Halliday  e do Clube, com um texto escrito por Isabel Carmo ( também já não está connosco).


MULHER!

Mulher! Como inspira a tua tolerância!
Mulher, onde a beleza é indescritível
Mulher, flor de doce fragrância
Mulher meiga de beijos de mel…
Mulher vestida de elegância…
Às vezes de lágrimas de dor
De sorrisos de feiticeira
Sem que seja entendido o seu amor…
Mulher, mãe dedicada
Nem sempre apreciada.
Mulher sofredora,
Nem sempre respeitada
Mas sempre boa trabalhadora…
Mulher de responsabilidade
Que faz da sua lealdade
A bandeira da vida…
Mulher Mãe!
Doce Mãe querida,
Sofredora se já mãe não tem…
Mulher amante
Dando todo o seu amor
É como um precioso diamante
Cheio de brilho e esplendor…

Isabel Carmo

03/05/2015

Selecção JJ - Cherelle & Alexander O'Neal - Saturday Love (Elias Tzikas re-edit)



MÃE



Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas' 



MOVE Noticias

02/05/2015

Gravação: Manuela Moura Guedes no Clube dos Pensadores - 2015







gravação em vídeo  de  Elísio Carvalho

Como os pilotos da TAP afundam a companhia de bandeira



Mário Russo
O sindicato dos pilotos da TAP, uma classe de marajás das índias, decidiu uma greve de 10 dias com o argumento de que o Governo não vai ou não está a cumprir o acordo assinado em Dezembro, ao contrário do que diz o Governo.
Parece ser a agenda dos senhores da Direção do sindicato, como de resto se passa com outros sindicatos, correias de transmissão política dos partidos, sobretudo PC (CGTP), mas também PS e PSD (UGT). Nenhum tem a menor intensão de defender os seus membros, mas as próprias carreiras na estrutura sindical e partido correspondente.
Os pilotos querem 20% da companhia e deveriam ter essa percentagem, inclusive a respetiva responsabilidade percentual sobre a dívida da companhia. O Governo PPC não tem sabido resolver este diferendo e teima em privatizar a qualquer custo, dando combustível a radicais como o Presidente do sindicato que corre não sei por conta de quem.
Os sindicatos das empresas públicas de transportes têm causado prejuízos de centenas de milhões cujo pagamento é feito pelos portugueses através de impostos. As suas greves são injustificadas no plano racional e odiadas pelos portugueses. Ódio que pode virar-se contra os próprios e dar uma ajuda ao governo nas próximas eleições, dependendo do desfecho.
As greves no grupo TAP, só no último ano ascendem diretamente a mais de 100 milhões de prejuízos. Esta greve de 10 dias é criminosa a todos os títulos, porque põe em risco muitas empresas ligadas ao turismo e a negócios, causando centenas de milhões de euros de prejuízos. Ninguém tem o direito de prejudicar terceiros com a sua atuação, quando não há alternativas. O Presidente do Sindicato deveria responder em Tribunal pelo crime que comete. É uma espécie de senhor da guerra, pois vários pilotos são contra este tipo de atuação, por mais que tenham razão. Este senhor é uma espécie de Savimbi, o senhor da guerra que quando foi silenciado acabou imediatamente a sangria que se derramava há décadas em Angola.
Fazer uma greve de um dia para mostrar o descontentamento e para serem ouvidos, ainda se poderia justificar, coisa que aliás nem precisam, pois basta ver que marcaram uma coletiva em horário nobre em todas as TVs para o senhor presidente dos pilotos, alcandorado a estrela mediática, vociferar as razões (infundadas) da paralisação. Marcar 10 dias é um crime premeditado para arruinar definitivamente a companhia e para isso, não pode haver complacência. É crime contra a coisa pública. Ninguém tem o direito de o fazer, por mais que possam reclamar direitos.
O Governo não pode ser tão displicente com uma empresa em que é o único dono. Ou tem capacidade para pôr ordem nas tropas, ou também deve assumir as suas responsabilidades políticas claudicando e demitindo-se por incompetência. Um país ou uma empresa não podem ser competitivos sem disciplina, ordem, competência e trabalho. Nada é incompatível com a liberdade, até porque esta termina onde inicia a dos outros. É o caso. Os pilotos da TAP não são taxistas. Têm sobre os seus ombros responsabilidades que vão para além de empregados e para isso ganham mais de 20 salários mínimos nacionais. Estão a representar um país e não podem pôr em causa o bom nome de milhões de concidadãos e arruinar colateralmente quem não pode prescindir dos seus serviços.
Este episódio revela a falência das negociações do Governo, que as conduziu de forma inepta, mas também dos pilotos sob a batuta do respetivo sindicato e seu presidente, que aceitaram uma falsa negociação para se livrarem da requisição civil de Dezembro, sabendo que a qualquer momento meteriam a faca ao peito do negociador.
O PS, na voz de António Costa, deveria aproveitar a oportunidade para clarificar o que pretende fazer com a TAP, preto no branco, sem titubear nem ter complacências, doa a quem doer. Os portugueses querem e merecem veracidade nas propostas dos políticos. Por outro lado, ninguém gosta de ser liderado por um fraco. É a hora de se mostrar resoluto e assertivo, evitando o facilitismo.

01/05/2015

Selecção JJ - Marcus Miller - Free (feat Corinne Bailey Rae)



Manuela Moura Guedes sem papas na língua na Clube dos Pensadores




A jornalista Manuela Moura Guedes (MMG), é uma pessoa incómoda sobretudo para o poder instituído, seja ele qual for. Pelo seu prestígio nacional, Joaquim Jorge convidou-a para dissertar sobre o jornalismo, política e a liberdade de imprensa em Portugal. Depois da habitual bem estruturada apresentação do convidado, neste caso, convidada, Joaquim Jorge deu a palavra à distinta jornalista que começou por fazer uma resenha do início da sua carreira de jornalista e a sua passagem pela política, onde foi independente nas listas do CDS. A sua versatilidade e talento levaram-na ao mundo da música, tendo editado um álbum que foi o mais vendido em Portugal na década de 80.
Na passagem pelo Parlamento constatou que os jornalistas ali baseados, bastas vezes, estavam moldados e no regaço do poder. Não se querem “chatear” e até combinam o que sair na imprensa, o que a desencantou. Contou o caso mediático Freeport que envolve Sócrates, de quem MMG diz nada ter pessoalmente contra, e que nem o conhece pessoalmente, mas foi sua vítima. A uma pergunta da plateia negou que fosse um caso pessoal contra Sócrates. Elencou um conjunto de casos estranhos que suscitou investigação jornalística, como o Portucale, envolvendo figuras públicas importantes, o caso BPN, o GES, sofrendo pressões de todos os lados, aliás, como se deve imaginar. Só não tem culpa, diz MMG, de ao investigar coisas “estranhas” caírem ligações onde está Sócrates: a licenciatura, as casinhas da Beira, a herança, a casa da Brancamp, a Cova da Beira, etc.. Como jornalista sempre teve a convicção de que quanto mais uma pessoa é responsável político, mais de lhe deve exigir. Para demonstrar que não é um caso pessoal, relatou o que lhe aconteceu ao tempo de Cavaco como PM, em que Marques Mendes a pôs na prateleira.
Sobre o jornalismo na televisão diz serem todos iguais, porque bebem a informação da mesma fonte, escasseando o jornalismo de investigação independente. É contra os comentadores políticos profissionais, cuja informação é direcionada aos respetivos partidos, por mais que façam a ginástica de independência. Brincou com o caso, dizendo que não conhece outro país em que tal acontece (um provincianismo, digo eu). O novo Diretor de Informação da RTP, Paulo Dentinho que viveu em Paris, manifestou desejo de acabar com essa prática. Vamos ver se consegue o intento.
Uma constatação da convidada sobre os jornalistas portugueses é a de que sofrem de complexo de esquerda. Dá o exemplo, se o atual PM fosse acusado de corrupção (como Sócrates está sendo acusado com evidências monstruosas), qual seria o comportamento? Seguramente que não seria o de proteção como está a acontecer com Sócrates.
Joaquim Jorge perguntou porque Manuela Moura Guedes retirou a queixa contra Sócrates e a convidada não deixou de contar pormenores do assunto, confessando que chorou no escritório do seu advogado ao tratar do andamento do processo, porque constatou que tudo lhe era hostil, desde o Presidente do ST, Noronha do Nascimento que obrigou um juiz a destruir as provas que incriminavam Sócrates até à proteção que o PGR, Pinto Monteiro, dedicava ao caso. Por isso, não quis reviver as angústias de uma perseguição e difamações em vão.
O comportamento dos portugueses foi também avaliado. Manuela Moura Guedes é de opinião que de modo geral os portugueses não são interventivos civicamente por causas, mas por interesses particulares. Quando lhes toca no bolso vão à rua, de contrário ficam no sofá que é mais cómodo e por isso estamos onde estamos, ao contrário de outros povos, designadamente os espanhóis, com movimentos organizados com peso na vida pública (2 recentes movimentos têm quase 50% das preferências eleitorais).
A cobertura das campanhas eleitorais pela imprensa e o bate boca político que se tem feito também foi tema abordado pela convidada, que refere que a lei que a rege é de 1975, quando os portugueses na sua maioria nem sabiam o que eram partidos políticos e democracia, eleições, etc. Hoje, 40 anos após essa data histórica, há conhecimento e responsabilidades de todos. Não faz sentido que não se distinga propaganda eleitoral de notícias de eleições. Até jornalistas confundem. Faz sentido os horários eleitorais obrigatórios (tempos de antena que são propaganda) e as notícias, que devem ser do foro da liberdade jornalística.
A crise na TAP foi comentada com veemência por Manuela Moura Guedes, que diz que a classe dos pilotos, uma classe privilegiadíssima é desleal com o Governo com quem celebrou um acordo, com os restantes trabalhadores e com o país, dadas as repercussões económicas graves que a irresponsável atitude conduz. Acha que os pilotos são os responsáveis pela empresa ir ao charco. É de opinião que o Governo deveria ser mais enérgico, simplesmente fechando a empresa e abrindo uma outra, limpando a agenda política dos dirigentes sindicais dos pilotos da TAP.
Mário Russo
Do dealbar da sessão, Joaquim Jorge pediu licença a Manuela Moura Guedes e anunciou novo debate a 25 de Maio, de grande impacto, convidando todos à sua participação.
Uma noite de excelente debate com uma pessoa simpática, incómoda e muito direta, que não tem papas na língua. Parabéns JJ e CdP.

debate em imagens com Manuela Moura Guedes

fotos: Vítor Alves





























Manuela Moura Guedes, no Clube dos Pensadores, falou de jornalismo e de Sócrates


Manuela Moura Guedes no 92.º debate do Clube dos Pensadores mostrou mágoa e  tristeza  pela incompreensão da forma como sempre procurou fazer jornalismo. 

As noticias actualmente quando se vê os telejornais são todas iguais. Não há investigação e procura de um jornalismo de qualidade.
Manuela Moura Guedes quando foi  convidada para ser deputada. Aceitou o convite do CDS , na altura, liderado por Manuel Monteiro porque pensou que seria uma experiência que ficaria para  sempre na sua cabeça caso não o fizesse. Foi como independente mas com uma condição fundamental que era a de ter inteira liberdade de voto e até votou em desacordo com o partido e a favor do PCP no caso da  idade da reforma das mulheres. Renunciou e passado algum tempo voltou à TVI para fazer aquilo que mais gosta,  jornalismo!
O que é impensável em democracia e o que mais a chocou, foi que nem a opinião pública, nem a classe jornalística reagissem às noticias sobre José Sócrates. Os jornalistas estavam mais do lado do poder e cúmplices com esse mesmo poder e criticavam todo o trabalho que tinham feito.
Outro grande choque, foi verificar que todas as noticias sobre corrupção à volta de José Sócrates que tinha denunciado, não impediram a sua reeleição. Ou seja, mesmo denunciando em várias peças e reportagens sobre corrupção, os português votaram no mesmo!
O grosso da classe jornalística deixa-se levar e encantar por umas palmadinhas nas costas.
Existia uma espécie de mania da perseguição a chamada caça ao homem! O Povo português deveria ter a obrigação de se aperceber do que se estava a passar.
O que seria agora se a maioria da comunicação social dissesse mal de Pedro Passos Coelho???
A maioria da comunicação social tem um complexo de esquerda portanto não o defenderia...É uma pobre comunicação social, a maioria está sempre do lado da esquerda, ou seja, o PS está sempre a ganhar com isto.
Tudo aquilo por que passou foi difícil recuperar! Fez-lhe ver as coisas de forma diferente pois acha que era melhor pessoa antes de tudo isto.
Joaquim Jorge que moderou o debate , como habitualmente fez várias perguntas a Manuela Moura Guedes que respondeu prontamente.
Joaquim Jorge : O que pensa da Ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz?
Manuela Moura Guedes : Gosta bastante e não se pode responsabilizar uma Ministra pelos erros informáticos
Joaquim Jorge : Porque retirou a queixa sobre José Sócrates?
Manuela Moura Guedes : Porque Sócrates tentou transformar tudo isto como um caso pessoal e ela nem sequer o conhece pessoalmente e apesar de vários tentativas para entrevistas  ele  nunca aceitou. Nem ele, nem nenhum outro ministro do governo PS! Sócrates só lhe interessava enquanto 1º ministro, como cidadão não merecia qualquer tipo de atenção! Após várias incidências no processo (coisas muito esquisitas para defender Sócrates) e quando finalmente iam a julgamento teve uma crise de choro e não aguentou reviver mais uma vez todo aquele processo.
Joaquim Jorge :  Gostava de voltar ao jornalismo e fazer um telejornal ?
Manuela Moura Guedes :  O que mais gosto e prezo é a liberdade de imprensa! Sim, claro que gostava e em qualquer televisão, mas no panorama actual não é de vislumbrar essa possibilidade.
Por fim, falou dos movimentos em Portugal, Manuela Moura  Guedes diz que em Portugal as pessoas não vão para a rua e demoram muito tempo a manifestar-se e a procurar a verdade. Não se manifestam por qualquer valor da sociedade mas apenas por coisas que lhes dizem respeito. Não se unem para lutarem.
Maria João 
O jornalismo é feito em massa. As noticias são combinadas! Falta  investigação e olhar à nossa volta. É necessário ser diferente e é suposto existir liberdade de imprensa! Distinguir propaganda politica e o que é a verdadeira noticia!
Só em Portugal é  que há comentadores políticos!
Regra como jornalista! Quanto maior é a responsabilidade de alguém, mais temos que lhe pedir contas.
Sempre que investigava algum caso e em tudo aparecia sempre o nome de Sócrates.
Um debate com muita gente e agora ficamos à espera da apresentação do novo trabalho editorial de Joaquim Jorge Pedagogia Cívica em Maio

artigo de opinião de Joaquim Jorge no record



JOAQUIM JORGE | Ontem, às 12:58