20/02/2015

Todas as respostas de José Sócrates



José Sócrates garante: nunca teve um milhão de euros escondido num cofre nem imóveis escondidos em fundos imobiliários. Em resposta a um conjunto de perguntas formuladas pela SIC, o ex-primeiro-ministro nega também que nunca pensou em fugir e diz que não compreende o perigo de fuga alegado pelo juiz Carlos Alexandre para o manter em prisão preventiva. Acusa o Ministério Público de violar propositadamente o segredo de justiça, para o condenar antes do julgamento. Mais que isso, aponta o dedo a "invenções e mentiras". Leia aqui, na íntegra, as respostas de José Sócrates à SIC.


Tinha viagem marcada, de Paris para Lisboa, para quinta-feira. Mudou para sexta-feira à tarde e voltou a mudar para sexta-feira à noite. Como justifica estas alterações? Admite que possa ter levantado suspeitas à investigação?


Na 5ª feira, das 17 às 19 horas, participei num seminário académico na escola doutoral de Sciences PO. Essa foi a razão pela qual mudei o regresso de Lisboa de 5ª para 6ª feira. Já na 6ª feira, a alteração do meu voo de regresso a Lisboa deveu-se à deslocação do meu advogado a Paris para uma reunião comigo que não estava inicialmente prevista. Francamente, não percebo que suspeitas essas alterações possam justificar. A verdade é que eu voltei, não fugi! Quando vejo invocarem o "perigo de fuga" como um dos fundamentos da minha prisão preventiva o que me parece é que alguém está a esforçar-se muito para não ver o óbvio: eu vinha a entrar, não ia a sair! Se este fosse um processo normal, guiado pelo bom senso, qualquer suspeita, mesmo disparatada, sobre a minha alegada intenção de fugir teria morrido aí. A insistência nesse absurdo "perigo de fuga" mostra bem o espírito que anima esta investigação e as suas presunções. Vejam bem: ao invocarem o "perigo de fuga" como um dos fundamentos da minha prisão preventiva, o que os magistrados que dirigem este processo estão a dizer é que acreditam que havia um sério risco de ficar uma cadeira vazia no meu comentário semanal na RTP! Podemos avaliar a credibilidade da ideia fazendo um esforço para imaginar a cena, com o "pivôt" da RTP a anunciar: "Senhores telespectadores, esta semana não há comentário. O ex-primeiro-ministro, que costuma estar aqui todos os domingos, fugiu!". Mas há alguém de bom senso que possa acreditar numa coisa destas?! Nunca fugi de nenhuma dificuldade; sempre as enfrentei.

No dia da sua detenção o seu advogado enviou, de Paris, um email ao director do DCIAP. De que se tratava? Que consequência teve esse email?

Às 15h54 do dia 21 de Novembro (horas antes da minha detenção à chegada ao aeroporto, com todo aquele espectáculo mediático), o meu advogado enviou um e-mail ao Director do DCIAP comunicando a minha vontade  de ser ouvido neste processo o mais rapidamente possível (depois das buscas em casa do meu filho e da notícia da detenção de pessoas que me são próximas não era preciso ser adivinho, nem ter informações privilegiadas, para calcular que havia um processo contra mim). O texto do e-mail diz expressamente: "ele (José Sócrates)... dispõe-se a comparecer (...) onde e quando for determinado para ser ouvido".
Isso mesmo foi reiterado pelo meu advogado por contacto telefónico no mesmo dia, tendo o Diretor do DCIAP garantido que iria transmitir imediatamente o pedido, por mensagem telefónica, ao Procurador Rosário Teixeira.

Estas diligências, obviamente, deitam por terra o que ainda pudesse restar da tese do "perigo de fuga". O que provam é o contrário: a minha inteira disponibilidade para colaborar com a Justiça e para vir ao processo prestar todos os esclarecimentos. O que é absolutamente extraordinário é que esse e-mail, enviado às 15h54 do dia 21, só tenha sido oficialmente recebido às 16h04 do dia 25, já depois de decretada a prisão preventiva, sustentada, entre outras, nessa alegação absurda do "perigo de fuga". Esse pequeno truque - ignorar o e-mail e sustentar o perigo de fuga - é muito revelador. Ainda estou à espera que o sr. Director do DCIAP se digne explicar o que se passou.

Tentou, de alguma forma, evitar ser detido à chegada a Lisboa?

À chegada a Lisboa foi-me imediatamente comunicada a minha detenção e nada podia ser feito para a evitar. Depois, foi aquele circo mediático que estava montado e que todos puderam ver. A verdade é esta: a minha detenção nada teve a ver com Justiça, mas com espectáculo. Não se tratou de cumprir um qualquer objectivo jurídico legítimo mas teatralizar politicamente uma acção judicial.

Retenho desses episódios um momento particularmente impressivo e significativo: a manifestação organizada por um Partido de inspiração fascista, ou nacionalista, cujos manifestantes ruidosamente aplaudiam as decisões do Juiz e do Procurador. Pela minha parte, eu, que nunca fui aplaudido por fascistas, o que vejo nestas decisões é um abuso. Um abuso das regras e do Direito. E, fiel à boa tradição democrática, considero o abuso contra qualquer cidadão uma ameaça aos demais.

A sua defesa tem insistido que não existem fortes indícios de crimes no processo. Mas há uma pergunta que toda a gente faz: será possível imaginar que a justiça prenda alguém sem provas minimamente sólidas? Ainda para mais se esse alguém foi um primeiro ministro deste país?

Compreendo bem a pergunta sobre se é plausível que as autoridades tenham prendido um ex-primeiro-ministro sem terem nas mãos provas minimamente sólidas ou sem possuírem pelo menos fortes indícios da prática de crimes. Mas a verdade é que foi isso que aconteceu. Bem sei que as pessoas tenderão a pensar: "se ele está preso, é porque alguma coisa deve ter feito". E é evidente que a investigação joga com isso e com as "fugas" selectivas ao segredo de justiça para obter a condenação antes mesmo da sentença. Mas é cada vez mais claro que neste caso se prendeu para investigar. O que aconteceu aqui foi uma total precipitação de quem estava tão cego pela sua intenção persecutória ou tão convencido da sua teoria e das suas presunções que avançou sem provas ou sequer fortes indícios de quaisquer crimes. Aliás, as próprias "fugas" ao segredo de justiça, apesar do enorme esforço dos jornais do costume, mostram que este processo assenta muito mais em teorias e presunções do que em provas e indícios concretos. É por isso que esta prisão preventiva é abusiva, desproporcionada e ilegal. A minha esperança é que se perceba que, neste caso, salvar a face da Justiça não é o mesmo que salvar a face do Ministério Público. Salvar a face da Justiça é ter a lucidez e a coragem de garantir, neste como em todos os casos, o respeito integral pelos direitos fundamentais e pelo Estado de Direito.

Enquanto Primeiro-ministro alguma vez tentou beneficiar empresas ou empresários com os planos de investimento lançados pelos seus Governos?
Em concreto, ajudou, de alguma forma, os negócios do Grupo Lena, mesmo depois de deixar o Governo? Se o fez recebeu algo em troca?

Nunca, em nenhuma circunstância, durante todo o tempo em que exerci funções governativas, tomei qualquer iniciativa, directamente ou através de terceiros, para favorecer as empresas do Grupo Lena ou do meu amigo Carlos Santos Silva. Não tenho nada que ver com a vida empresarial dele, ele nunca me pediu nada enquanto fui membro do Governo. A nossa relação fraterna é pessoal não é profissional.

Conheci os administradores do Grupo Lena como participantes em comitivas empresariais no contexto de visitas de Estado, em acções de diplomacia económica. Estive com eles, por essa altura, uma meia dúzia de vezes, sempre em encontros sociais. Tenho por eles e pelo seu grupo empresarial a maior consideração mas nunca, em todo o tempo em que fui membro do Governo, nem eles, nem ninguém por eles, me pediram seja o que for.

Aproveito para esclarecer, já que isso tem sido maldosamente referido, que o projecto do Grupo Lena de construção de casas na Venezuela foi integrado no convénio comercial celebrado entre Portugal e a Venezuela em 2010 nos mesmos termos em que o foram outros projectos pendentes de várias empresas. O Governo português, como é prática na política de diplomacia económica, empenhou-se na concretização desse projecto da mesma forma que se empenhou noutros, sem qualquer discriminação ou favorecimento.

É verdade que em Setembro de 2014 telefonou para o vice-presidente de Angola a interceder pelo Grupo Lena? Organizou ou tentou organizar um encontro entre as partes? Qual a razão?

Quanto ao telefonema para o vice-presidente de Angola, é verdade que, já neste último verão, vários anos depois de ter saído do Governo, num almoço com o meu amigo Carlos Santos Silva e um dos administradores do Grupo Lena, foi-me perguntado e pedido se podia diligenciar para que essa empresa fosse recebida pelo sr. vice-presidente de Angola. Acedi ao pedido por mera simpatia e fiz esse contacto com gosto, sem nenhum interesse que não fosse ajudar uma empresa portuguesa, como, aliás, fiz com outras.

Afonso Camões, então administrador da agência Lusa, admitiu que o avisou em Maio de 2014 que estava a ser investigado. Qual foi a sua reacção e o que fez com esta informação?

Tenho bem presente essa conversa com Afonso Camões. Na altura, reagi a ela com o desprezo e a indiferença que sempre me mereceram os boatos e os rumores. Não lhe dei mais importância que isso. No entanto, essa conversa ganha, hoje, outra relevância, tendo em conta o que entretanto se passou. Desejo contar essa pequena história mas quero fazê-lo, em primeiro lugar, no sítio próprio: no processo, já aberto, de violação do segredo de justiça. Tendo já comunicado à Sra. Procuradora Geral esta minha disponibilidade, aguardo que me convoquem para prestar declarações.

Mas não disfarcemos. O facto mais importante é a denúncia que Afonso Camões fez, que é gravíssima. Ela significa que, ao menos neste caso, as violações do segredo de justiça vieram precisamente daqueles a quem compete fazer justiça e aplicar lei.
Quanto às "fugas" mais recentes ao segredo de justiça - que continuam de forma sistemática, incluindo sobre o teor de escutas políticas que seria suposto estarem guardadas num cofre por serem irrelevantes para o processo... - já que me perguntam por factos, deixo aqui alguns:

1º facto: este processo está à guarda do Procurador e do Juiz.
2º facto: todas as "fugas" ao segredo de justiça, como se vê, têm sido favoráveis à acusação.
3º facto: um director de jornal escreveu expressamente num editorial que os jornalistas obtêm informações deste processo junto dos próprios responsáveis pela investigação.
4º facto: o jornal "Público", na sua edição do dia 20 de Janeiro de 2015, na pág. 7, numa notícia sob o título "Director do JN foi à PGR falar sobre contactos com Sócrates", garantiu, preto no branco, que obteve informações sobre o conteúdo de certas escutas não junto da célebre "fonte conhecedora do processo", nem da enigmática "fonte judiciária", mas de "fonte judicial".

Quatro factos. Perante estes factos, o que me espanta mais é o silêncio. Este silêncio é verdadeiramente impressionante. Mas se pensam que o silêncio conduz ao esquecimento estão equivocados. Há questões graves demais para serem silenciadas.

O seu advogado, João Araújo, tem a convicção de que o procurador Rosário Teixeira e o juiz Carlos Alexandre foram fontes de informação de órgãos de comunicação social. Tem a mesma opinião? Baseada em que factos?

A questão das violações sistemáticas do segredo de justiça não pode ser dissociada da questão das minhas intervenções públicas. Sou obrigado a defender-me na praça pública porque é também na praça pública que estou a ser acusado e julgado. Era o que mais faltava que eu tivesse de assistir em silêncio à divulgação criminosa de informações manipuladas e objectivamente difamatórias sem fazer nada em defesa da minha honra e do meu bom nome. E não é só a violação do segredo de justiça, são as mentiras: malas de dinheiro que iam para Paris; o milhão descoberto num cofre que nunca foi meu; e agora um fundo que eu teria para "esconder" os imóveis que nunca tive. Tudo invenções e mentiras. E não aceito a confusão, completamente abusiva, entre a minha resposta às notícias difamatórias que são publicadas e um suposto "perigo de perturbação do inquérito", que também é invocado como fundamento para a minha prisão preventiva. Como se o inquérito fosse muito beneficiado com as "fugas" selectivas favoráveis à acusação e prejudicado pela apresentação de esclarecimentos favoráveis à defesa! Talvez o espanto não nos tenha, ainda, permitido apreciar a beleza da posição do Ministério Público: face a reiterados crimes de violação do segredo de justiça, de teor sempre favorável à acusação, parece que o Ministério Público acha que o que realmente perturba o inquérito é o exercício legítimo do direito de defesa da honra. Logo, a seguirmos esse raciocínio, a defesa do arguido é, em si, "perturbadora". Lindo! O ideal do Ministério Público será, portanto, o de um processo onde o arguido esteja em respeito, viradinho para a frente, sem se defender. Porque defender "é perturbar". E, antes de perdermos o pé nesta vertigem que nos obriga a viajar já tão para lá de tudo o que é aceitável na lealdade processual democrática, talvez convenha lembrar o nosso estimável Ministério Público que o que perturba, de facto, o inquérito são as constantes violações do segredo de justiça. Ora, nada disto é aceitável, sobretudo quando uma pessoa é constantemente bombardeada com estas "fugas" ao segredo de justiça. Sejam claros: só há verdadeira perturbação do inquérito, susceptível de justificar uma medida restritiva da liberdade, quando há um risco real e concreto para a produção ou conservação da prova, não quando o visado por notícias difamatórias vem a público prestar simples esclarecimentos, mesmo que possam incomodar a versão da acusação.

Em declarações anteriores confirmou que "face a algumas dificuldades de liquidez que atravessei em certos momentos (…) recorri várias vezes a empréstimos que o meu amigo Carlos Santos Silva me concedeu para pagar despesas diversas". A PGR disse, em comunicado, que o inquérito está a investigar "operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificação conhecida e legalmente admissível". Consegue justificar todos esses movimentos suspeitos? Tendo admitido dificuldades de liquidez, por que razão optou por um estilo de vida tão dispendioso?

Tínhamos de acabar aqui: no meu "estilo de vida", que dizem "dispendioso", na crítica de costumes e no julgamento moral que inspira desde o início toda a campanha do "Correio da Manhã" contra mim. Não admito, nem alimento, esses julgamentos. Nem sequer para comentar a mesquinhez dos que acham que é um "luxo" tirar um mestrado em Sciences Po ou ter filhos a estudar numa escola estrangeira.

Quanto aos movimentos financeiros alegadamente "suspeitos", já expliquei o essencial que havia a explicar: o engº Carlos Santos Silva fez-me empréstimos que sempre tencionei e tenciono pagar. Essa é a verdade e não constitui crime, nem aqui nem em lado nenhum do Mundo. Por outro lado, ao contrário do que se pretendeu fazer crer, não há nenhuma contradição entre a existência desses empréstimos e o outro que também contraí, e entretanto paguei, junto da Caixa Geral de Depósitos. Tal como o facto de ter tido dificuldades de liquidez num certo período da minha vida não significa que não tivesse um horizonte financeiro, pessoal e familiar, compatível com o meu nível de despesas. Mas, já agora, sem querer "perturbar" esta tão interessante discussão das várias teorias sobre a minha vida pessoal e financeira, talvez valha a pena recordar que estamos no âmbito de um processo criminal, que é suposto investigar crimes e sustentar-se em factos, não em opiniões sobre a vida dos outros. Por isso, pondo de lado as teorias, as presunções, a coscuvilhice e os julgamentos morais que têm enchido as páginas dos jornais e animado tantos comentários, e tendo eu já respondido a tantas perguntas, há talvez uma pergunta a que a acusação deveria nesta altura responder: afinal, onde é que estão as famosas "provas" ou os "fortes indícios" dos crimes que me imputam? E, ao certo, de que crimes concretos é que estamos a falar? É essa a resposta que falta. E, enquanto faltar, nem esta prisão preventiva se justifica nem este processo pode ter futuro.

Para além de preparar a sua defesa, como ocupa o tempo na cadeia?

A prisão é uma coisa séria e tenho sobre ela muita coisa a dizer. Mas deixemos isso para outra altura. Tenho demasiado respeito por quem aqui está para me entregar ao exercício "voyeurista" da descrição do quotidiano prisional. Deixemos isso para os "tablóides".

Tem recebido muitas visitas na cadeia. Sente, ainda assim, que alguns amigos se afastaram?

Não, não senti que os amigos se afastaram. Eles sabem da monstruosa injustiça que foi cometida e o seu significado político. Tenho comigo os meus amigos de sempre e os que sempre quis ter.

SIC
3/02/2015 

GAIA continua…




Logo que o novo executivo socialista tomou posse fui apologista que se deveria fazer uma sindicância à CM Gaia, tendo em conta as dúvidas suscitadas pelo PS e rumores de determinadas situações. Li em notícias e fui informado que não havia dinheiro para o fazer! Nunca entendi muito bem como há dinheiro para festivais e motonáutica, e não há dinheiro para se saber em que pé está a situação económica da CM Gaia. Seria importante para apurar responsabilidades e traçar um plano de reescalonamento da dívida da CM Gaia.

As notícias sobre dívidas têm saído por conta-gotas e por vezes repetidas, o que é muito mau para a imagem do executivo.

Há um erro de casting na forma de abordar este intricado problema. Ou se procurava o apoio de Luís Filipe Menezes, anterior presidente, que está por dentro dos dossiers e se pedia a sua opinião avalizada na solução deste imbróglio, ou partia-se para outra solução assumindo a ruptura com todas as consequências que daí podiam advir.

Não se fez isso, ficou-se como o tolo no meio da ponte, não se sabendo para que lado ir. Porventura esta indefinição tem a ver que o PS foi oposição durante muitos anos estando por dentro de tudo que se estava a passar e Eduardo Vítor Rodrigues esteve como vereador da oposição em vários executivos assumindo nos últimos anos a liderança da oposição, quando o candidato do PS à liderança da CM Gaia, Joaquim Couto abdicou.

Por outro lado, no actual executivo da CM Gaia, para além de cinco vereadores do PS, há um vereador do PSD e três vereadores independentes de Guilherme Aguiar. É complicado dizer-se mal de quem se tem na nossa casa. Guilherme Aguiar fez parte da administração da Gaianima e de anteriores executivos, o PSD esteve à frente dos destinos da Câmara durante dezasseis anos.

Uma Câmara é uma instituição que exige continuidade e um trabalho a longo prazo, não é por se mudar o seu presidente que as coisas se devem mudar todas. A relação entre Luís Filipe Menezes (LFM) e Eduardo Vítor Rodrigues sempre foi aparentemente boa, pelo menos institucionalmente era isso que transparecia, havendo elogios mútuos chegando o actual presidente a estar presente no aniversário dos 60 anos de LFM.
Compreendo e até aceito que se procurasse uma transição com elevação e respeito pelo que foi feito anteriormente. Mas custa-me aceitar este rol de notícias sobre as dívidas da Câmara, parece que se está a queimar em lume brando LFM. Foi notícia, por estes dias, que foi indeferida no Supremo Tribunal Administrativo uma reclamação da CM Gaia sobre a VL9 (o proprietário dos terrenos pede 27 milhões de euros de indemnização). Não esquecer que para além deste processo há o da CIMPOR que pede uma indemnização avultada, para não falar da Gaianima.

Não seria de bom-tom procurar resolver estes processos de uma forma diplomática e nos bastidores, sem alarido, para se tentar chegar a acordo com os intervenientes e a CM Gaia? Em vez de constantemente saírem notícias que só degradam a imagem da CM Gaia e dos próprios gaienses, no qual me incluo. Já chega de andar a fazer sempre queixinhas públicas que o Menezes é isto e é aquilo. Todos nós já sabemos que há que pagar as dívidas de indemnização, mas já é tempo de se arranjar uma solução para o problema e apresentá-la publicamente aos gaienses.

Luís Filipe Menezes cometeu erros mas não é um herege, fez muito por Gaia e colocou Gaia no mapa. Cometeu alguns exageros e fez obras que poderiam ter sido feitas de outro modo, mas verdade seja dita, Gaia antes de Menezes era uns arrabaldes do Porto. Agora é uma cidade moderna e com vida própria.

Por outro lado, todos sabemos se Luís Filipe Menezes pudesse concorrer à CM Gaia vencia sem apelo nem agravo. Pela limitação de mandatos não o pôde fazer e tentou a aventura do Porto que lhe saiu furada.
Menezes foi perito em fazer muitos "amigos" que só o eram para ter lugares e benesses. Na primeira oportunidade traíram-no esquecendo-se de tudo que lhes deu. Nessa gente não existe a palavra reconhecimento e solidariedade.
Há já quem anseie e tenha saudades de Luís Filipe Menezes. Mas para isso se verificar tem que resolver os seus problemas com alegadas irregularidades judiciais e depois construir um novo projecto com outro tipo de pessoas e de companhias.

JJ
*artigo publicado no jornal Audiência 

Crónica de Genebra




Nelson Magalhães Fernandes

1. A Cigarra e a Formiga … !
2. O Sr. Primeiro Ministro de Portugal … !
3. E se a Democracia fosse mais que um « Deus Mitológico » … !

I
Chegava o meio do Inverno e as Formiguinhas, começaram a questionar-se do que poderia ter acontecido à Cigarra, visto que mal grado a rudeza do mesmo, ainda não tinha vindo bater à porta a pedinchar uma simples migalha.
Provavelmente morreu de fome e frio, murmuraram … !
Eis que, volvidos dias, ouvem no exterior, o ronronar rouco de uma poderosa cilindrada e saindo à porta da toca, para ver do que se tratava deparam com a Cigarra ao volante de um imenso Mercedes … !
Mas Cigarra que te aconteceu … ? Pensávamos que tinhas morrido … ?
Nada disso Queridas … Fui cantar para uma discoteca … !!!

II
Enquanto esperava na recepção do Hotel, pelo grupo com quem ia trabalhar, deitei mão a dois Jornais para ver os títulos e na página dois do Financial Times vinha a Fotografia de V.Ex.ª Sr. Primeiro Ministro acompanhado com a Chanceler Angela Merkel.
Eu que até sou um português adepto da austeridade e de apertar o cinto porque isso é alias o que mais tenho feito na minha vida, NÃO gostei do que LI.
Que Político pensa Vossa Excelência que é : Um Super homem … ?
Se os Países ricos são solidários uns com os outros, porque razão os Países pobres não o possam ser também … ?
Quem sabe se todos reunidos, não encontrariam soluções, que individualmente, não encontrarão nunca … !
Excelência Senhor Primeiro Ministro e meia dúzia doutros, Seus predecessores, sabe ou sabem eles, qual é a diferença entre um Portugal e uma Grécia recentes … ?
Tanto um como outro, são ricos em « MAMÕES » (entenda-se aqueles que nem deixam aquecer o lugar, aos €urozitos quando eles vão do BCE para baixo).
O que Portugal têm e a Grécia não, são DEZ MILHÕES de cidadãos espalhados (emigrados) pelos quatro cantos do Mundo, a enviar mensalmente para a terrinha uma média superior a UM €URO por cabeça.
Excelência Senhor Primeiro Ministro tenha a hombridade de dizer aos Portugueses que aí residem, que é com as remessas dos EMIGRANTES, que Portugal esta a pagar a Dívida.
Não fosse a MANE dos Emigrantes e os Portugueses que ainda tem a HONRA E CORAGEM de continuar a viver em Portugal e a lutar cada dia que passa … ! a estas horas estariam pior que os Gregos. Nem em esquerda nem em direita votavam. Já teriam morrido de fome, como aconteceu a muitos Gregos. Se a Europa é democrática, há que respeitar o voto dos POVOS.
Afinal de contas, os Gregos chegaram ao Estuário do Tejo, antes do meu Lusitano Vizinho Viriato … !
Ulisses --- Ulissaponna --- Lisbonna --- Lisboa … (ou enganaram-me ?)
Vergonha é roubar, Excelência Senhor Primeiro-Ministro … !
Parece-me não ser disso que acusam os Gregos.
Afinal de contas a primeira sigla da Europa é que era a boa, CEE. O resto é Bluff.

III
Não ouso ocupar mais este « Maravilhoso Espaço do CdP » com as minhas divagações : Deixo-vos pois, outras leituras sobre a matéria … !
Na minha ultima Crónica dissertei sobre a minha visão da Democracia e confesso-vos que me questiono quando escrevo se o que digo, o sonho, ou se há outros a sentir o mesmo.
Assim, ainda ontem em Zurich depois de ler o F.Times deitei mão ao outro Jornal, ao  New York Times de 19.02.15
Primeiro Titulo do Cabeçalho. Opinião de : « Thomas L. Friedman » (Democracy In Retreat All Around The Globe).
Vem depois, na página 7 do mesmo jornal, INYT um interessante texto, sobre a decadência da Democracia. O Jornalista Sr. Friedman baseia o seu texto no estudo de um Especialista em Democracia da Universidade de Stanford Mr. Larry Diamond, num ensaio Intitulado (Facing up to Democratic Recession) e publicado no « Jornal Of Democracy ».
Se algum dos meus queridos leitores desejar ler o texto e tenha dificuldade em encontrá-lo eu fotocopio e enviarei para o  CdP.

Definições 
Ditadura : Sistema Politico em que um só Homem decide : O Ditador.
Democracia : Sistema Político em que muitos homens decidem : Os Ditadores.
Entre um e muitos, venha o Diabo e escolha.
Pela minha parte, sou adepto do mais Antigo e de maior sucesso sistema Político Governativo até à actualidade, ou seja a MONARQUIA.

19/02/2015

Selecção JJ - Tony Bennett ft Carrie Underwood - It Had To Be You HD



Las diez mejores playas del mundo



Las diez mejores playas del mundoVer noticia

Isola dei Conigli, Lampedusa, Italia

Baia do Sancho, Fernando de Noronha, Brasil

01/10
18-02-2015 IMAGENES
Publicado por Expansión.com
Llévatelo
Otras galerías relacionadas

    Transparência nas Câmaras




    Uma das formas de uma democracia avançada é a sua transparência e controle dos cidadãos. Como costumo dizer votar é uma maneira muito pobre de exercer democracia. Devemos seguir o rasto do nosso voto e o que ele faz ao longo do seu mandato.
    É importante, um cidadão saber localmente as decisões proferidas pelo seu presidente e pelos vereadores no uso de competências delegadas, até declarações de voto manuscritas, listas de adjudicações de bens e serviços, ou informações e pareceres técnicos camarários sobre assuntos votados.
    É também importante, saber-se as razões que levaram cada força política ou cada vereador, a votar num determinado sentido os diferentes assuntos discutidos e propostas apresentadas.
    Segundo notícia do jornal Público, do jornalista José António Cerejo, a divulgação das actas e das deliberações nos sites municipais não é uma obrigação legal, contudo deveria ser. Ao não haver divulgação, evitam expor-se e que os cidadãos estejam informados. O pouco que se sabe é por notícias do jornal e nem toda a gente lê. Aos documentos públicos pode-se aceder por consulta, sempre que solicitado, mas como todos sabemos quem o faz são jornalistas ou uma minoria de cidadãos.
    A informação do que faz um município deveria estar visível no site da câmara e de fácil acesso. As câmaras não gostam de se expor e não se dão bem com a divulgação do que se passa nas suas reuniões. Mas uma democracia avançada passa pelos eleitos prestarem contas do que decidem e fazem concomitantemente os eleitores analisarem esse processo e terem conhecimento. No fundo transparência, quem não deve não teme. Transparência e abertura a todos os cidadãos das decisões e deliberações tomadas.
    A maioria dos municípios infelizmente nada publicam como Lisboa e Gaia, outros publicam parte das actas mas estão escondidas no seu site, como o Porto.
    Assim vai a nossa democracia local, quanto menos se souber melhor e o que querem que se saiba lê-se nos jornais. Ter acesso a documentos e poder fazer uma análise criteriosa e ponderada, a maioria das câmaras é avessa a essa situação.
    Como a maioria dos cidadãos não quer saber, uns por falta de tempo, outros por opção. A nossa democracia local segue neste nevoeiro tácito, havendo aqui e ali alguma luz dada pela oposição quando consegue aceder à imprensa ou por um jornalista investigador.

    JJ
    *artigo publicado no PT Jornal 

    Artigo de opinião de Joaquim Jorge no Webnotícias



    A opinião de Joaquim Jorge acerca da actividade de Deputado na Assembleia da República.
    WEBNOTICIAS.PT

    Artigo de opinião de Joaquim Jorge no jornal Record



    JOAQUIM JORGE | 11:15

    17/02/2015

    Selecção JJ - Dave Koz - Careless Whisper



    Zaha Hadid dévoile les maquettes du terminal aéroportuaire de Pékin

     Le cabinet Zaha Hadid Architects a publié les premières images des plans de ce qui deviendra le plus grand terminal aéroportuaire au monde.





    image relaxnews

    image relaxnews

    image relaxnews

    Bluewin

    A "ISCA" QUE O SYRIZA LANÇOU



    Hercília Oliveira 
    Se perguntarem a qualquer pessoa se gosta ou quer austeridade, com certeza que a resposta será: NÃO!
    E sobretudo nesta sociedade de consumo, o que a maioria gosta é de gastar.
    E tal como os bancos, que não se interessaram saber se a quem emprestavam teriam dinheiro para pagar, também as pessoas se endividaram sem fazer ideia de como iriam pagar.
    Ora os gregos, gastaram  de tal forma e com uma tão grande irresponsabilidade..., que tiveram que recorrer aos "malvados  credores" pois só eles lhes podiam  emprestar.
    Ora aparece o Syriza..., e promete: aumento de salário quase em 200 euros; reposição nas reformas; reintegrar desempregados públicos ( que eram já escandalosamente excessivos...), e  acabar com a austeridade, como que bastasse carregar num botão e logo desaparecia.
    O Syriza quer alterar tudo e exigindo colaboração dos outros países.
    Ora o Syriza esquece que já foram mais beneficiados que outros que estão na mesma situação.
    A Grécia já teve condições melhores que Portugal, e que todos os outros países votaram a favor.
    A Grécia, só começa pagando juros a partir de 2020. Não pode agora aparecer como a coitada que ninguém compreende!
    Mas..., ainda fizeram mais: afrontaram arrogantemente quem lhes emprestou, e de quem continuavam precisando para sobreviver!!!

    " Recomendei insistentemente a Alexis Tsipras, que se desarme no plano verbal. Seria avisado parar com os ataques a Angela Merkel"
       ( Martin Schulz )

    O ministro das finanças grego, Yanis Varoufakis, diz que não aceitará mais ordens .
    Não quer mais nada com a Troika.
    Começou por dizer que não pagava a divida ; agora já admite pagar alguma.
    Recusou quase tudo que havia sido acordado, como se fosse um país sem precisar do dinheiro de todos, e agora ainda exige que aceitem tudo como ele quer!?
    Há porém em tudo isto, uma grande esperteza por parte do Syriza:
    Eles vão..., aliás já estão, começando a querer dar a imagem a quem neles votou, de que os culpados de não poderem cumprir o que prometeram, são dos malvados credores e dos países que não concordam com eles, e não eles, mesmo sabendo que estavam prometendo o que não podiam nem deviam.
    Eu também vou prometer a que eu quiser, que lhe vou dar um Ferrari; depois..., vou acusar o Banco por ser o culpado de não cumprir o que prometi.

    Carnaval



    Tem muita gente que nem precisa se preocupar com máscaras para o Carnaval.Marina Gabriela

    16/02/2015

    15/02/2015

    FANTASIAS DE CIDADÃ



    Tereza Halliday

    Este ano, os foliões brincarão como se fosse um carnaval normal.  É a grande festa da manutenção das aparências: faz de conta que “as águas vão rolar”, faz de conta que somos felizes, faz de conta que as classes sociais se misturam fraternalmente,  faz de conta que não existe calote nem empobrecimento de todos. Eu mesma vou cair no passo e usar uma fantasia diferente para cada dia momesco, em homenagem às três dimensões da minha cidadania:

                No domingo, sairei fantasiada de OTÁRIA -  entra ano, sai ano e eu caindo no conto do Governo e no conto da Oposição.  Sempre estão dizendo uma coisa e fazendo outra -  a molecagem difere apenas na cor e no teor.  Na segunda-feira, vestirei minha fantasia de EQUILIBRISTA -  caminhando na corda bamba estendida sem rede de proteção (apesar de prometida), sustentando uma vara escorregadia, sem certeza de que amarraram a corda direito (provavelmente não). Tentando com todas as minhas forças e habilidades não ser derrubada pelos ventos da incúria nacional. Isto é que é ser brasileira.  Na terça-feira, será a vez da minha fantasia de PALHAÇO. Sem originalidade alguma, já que estarei cercada de meus concidadãos, vestidos do mesmo jeito.  Formaremos o Bloco dos Burlados e driblaremos nosso desconsolo, que é o que palhaço sabe fazer bem. E ainda cantaremos a marchinha “De dia falta água, de noite falta luz”.

                Na quarta-feira de cinzas, terei, cristalizadas nas bochechas, uma lágrima verde outra amarela.  Sairei, impávida, para a vida real, cantarolando este samba-enredo: “A cegonha me largou de lá de cima,/ Caí no abismo das desilusões./ Meu coração quase parou / Quando ela me disse: no Brasil você chegou./ Sou brasileira, sim. E amo o Brasil./ Mas, for favor, não riam de mim”.

    O mal não está nos partidos




    Miguel Mota 
    Quase todos se queixam dos maus políticos e dos partidos. Só não se queixam os que beneficiam do sistema. São inúmeros os escritos referentes a esse tema e, na maioria dos casos, pedem que os partidos se reformem, alterando o seu procedimento.
    Na minha modesta opinião, essa forma de abordar um problema, que é real, não está correcta. O mal não está nos partidos. Há muito tempo que considero que o mal está na nossa Constituição e no absurdo poder, um poder absoluto, ditatorial, que dá aos partidos. Posso prova-lo, pois em 1979, já lá vão mais de trinta e cinco anos, apenas cinco anos após a revolução, publiquei no “Expresso” o artigo “Partidofobia e partidocratite”, que termina com o seguinte parágrafo;
    Da vivência destes 5 anos parece podermos dizer que, partidos como congregações de cidadãos com o mesmo credo político, sim! Partidos como órgãos de poder paralelo, não! E partidos como órgãos de poder ditatorial, três vezes não!!”
    Para corrigir este mal, que a mim parece evidente mas que os portugueses aceitam como bom, na “Proposta de Alterações à Constituição”, que publiquei em 2002 na revista universitária “INUAF Studia”, propus as seguintes alterações dos Artigos 149º e 151º:

    Artigo 149º
    Alterar para:
    Os Deputados são eleitos por círculos eleitorais uninominais, constituídos por um conjunto de freguesias adjacentes, somando um total de (40.000 a 50.000 ?) eleitores ou, no caso de haver freguesias com mais do que esse número de eleitores, por bairros adjacentes, de forma a situarem-se dentro daqueles limites.
    Artigo 151º
    1 - Alterar para:
    As candidaturas serão apresentadas, nos termos da lei, por um grupo de não menos de X nem mais de Y eleitores do respectivo círculo eleitoral.
    Definir os números X e Y. Pode considerar-se como referência a eleição para o cargo de Presidente da República, em que a proporção é de, aproximadamente, um a dois por cada mil eleitores. Para um círculo de 40.000 eleitores teríamos 40 a 80 proponentes, que parece ser número aceitável.
    2 – Suprimir

    Isto é aplicar à eleição dos deputados exactamente a mesma norma que se usa para a eleição do Presidente da República, a única democrática em Portugal. Os que se queixam do Presidente da República apenas podem lamentar-se de não terem sabido eleger um melhor, pois não eram obrigados a fazer o que os chefes dos partidos – os actuais ditadores – quisessem mandar, como somos obrigados a fazer nas eleições dos deputados.
    Para as autarquias já se abriu o que chamei “uma pequena janela democrática” e é possível haver, também, candidatos independentes. (Os outros são “dependentes”). Mas assim deviam ser todos, e os partidos apenas com a função de apoiar os candidatos que entendessem.  A existência dos partidos é perfeitamente correcta, mas nunca como órgãos de poder e muito menos como órgãos de poder ditatorial, que decidem quem pode ser candidato e até em listas de ordem fixa! Como já tenho dito, nunca fiz tenção de me candidatar a deputado, mas não tolero não ter esse direito, que considero inerente ao conceito de democracia.

    14/02/2015

    Selecção JJ - Buddha Bar 2015 - Buddha mix



    Políticos




    O Dalai Lama, no seu livro Conselhos do Coração, alerta para os que se dedicam à política e fazem inúmeras promessas para atraírem a si a estima e o apoio dos eleitores. Seria melhor serem honestos e exprimirem as suas convicções com sinceridade. Todavia, como sabemos, as suas palavras mudam conforme as circunstâncias – prometem uma coisa e no poder fazem outra.
    Mas o que me faz mais confusão é a diferença entre um político antes de ser eleito e depois de eleito. Não tenho dúvidas de que a maioria tem boas intenções, mas uma vez em funções ficam deslumbrados e convencidos, esquecendo o objectivo para que foram eleitos.
    É impressionante a maneira como o poder modifica, empobrece e aliena. Quase todos chegam com frescura, veracidade, disponibilidade, simpatia e genuína ânsia de melhorar a sociedade. Mas basta algum tempo, um ano, passar-se a ser escoltado, ter carro com motorista, ser honrado, rodeado de todo o tipo de atenções, ter influência, para mudarem completamente e atraiçoarem-se a si mesmos. Há uma evidente perda do contacto com a realidade.
    Segundo Carles Casajuana [diplomata espanhol], um dos graves problemas de que os políticos padecem tem a ver com pura incompetência. Verdade seja dita que a maioria dos governantes não é muito boa a governar, mas é boa a alcançar o poder e a mantê-lo.
    Outra coisa evidente é que um político antes de ser eleito tem tempo para tudo, mas uma vez eleito não tem tempo para nada. A sua vida é assoberbada de trabalho e de compromissos, tem uma agenda tão extenuante e delirante, que não dorme, não pensa, não lê, não fala com a sua família, não vai à rua, não tem tempo para atender uma chamada de um amigo. No fundo deixa de ter uma vida normal como qualquer um de nós e parece que deixa de ser humano. Eu já constatei este facto com amigos que estão na política activa, não têm tempo para nada, estão sempre com ar cansado, sem paciência, esgotados e perdem a noção da realidade.
    Quanto mais poder tem uma pessoa, mais consciente tem de estar no que pensa e nas suas intenções para não perder o sentido das suas decisões. Infelizmente, como perde a noção da realidade e tem falta de tempo para meditar cuidadosamente, saca conclusões precipitadas da informação de que dispõe, na maioria das vezes incompleta.
    Esta soberba do poder aliada à falta de tempo é uma das causas de muitos erros cometidos, para além da necessidade constante do elogio e adulação que todos os políticos querem e desejam. Pobres de nós que somos dirigidos por este tipo de políticos.

    JJ

    *artigo de opinião publicado no jornal Público