15/10/2014

C.I.V.A. (Centro de Investigação da Vida Alheia)




1 - O PSD começa a agitar-se. A Direcção do PSD rejeita primárias e diz que não copia modelos dos outros. Apoiantes de Rui Rio defendem primárias antes das eleições legislativas.
2 - Estas primárias foram um estalido de cidadania, vulgo simpatizantes socialistas poderem aproximar-se do PS. Contudo a forma de aproximar os cidadãos da politica, dos políticos e dos partidos políticos será com maior transparência, castigando os corruptos, devolvendo à opinião pública a fé nas instituições, que é algo fundamental para que uma cultura democrática funcione.
3-Só há uma maneira do PSD vencer as próximas eleições legislativas em 2015. Pedro Passos Coelho não se recandidatar a primeiro-ministro e deixar o espaço para Rui Rio assumir a liderança do PSD.
4-Esse seria um golpe de mestre. Rui Rio nada tem que ver com a política seguida por este governo tendo, muitas vezes, demarcando-se e criticado várias opções e caminhos seguidos.
5-Rui Rio apresentar-se-ia limpo, livre e com um passado na CM Porto imaculado. Estaria na mesma posição, ou porventura melhor, que António Costa para assumir a chefia do governo.
6-Os políticos dizem sempre que estão na vida pública para servir Portugal e o seu partido. Mas todos sabem que não é assim.
7-Se Pedro Passos Coelho desse o lugar a Rui Rio de motu proprio, o país e os portugueses agradeciam.
8-O PS fala em ser alternativa e elaborar um programa de governo. Contudo começa mal e prefere contas de mercearia: 2/3 de lugares para António Costa e 1/3 para António José Seguro.
9 - Marinho e Pinto é o máximo. Está contra os partidos e formou um novo partido. Procura passar uma imagem  de cidadão acima de qualquer suspeita. Vai fazer o streaptease das suas contas pessoais no Parlamento Europeu, desde comprovativo de remuneração, subsídio ou reembolso de despesa. Todavia recusa dizer se recebeu subsídio de reintegração da Ordem dos Advogados (OA) quando foi bastonário. 
10 -  Por outro lado quando chegou a bastonário em 2008 preconizou a criação de um vencimento para si próprio equivalente ao vencimento do presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do procurador-geral da República, à volta de 6.630 €. Era o único membro dos órgãos estatutários que era remunerado.
11 - Para além de instituir a si próprio um ordenado na OA, não deixou de ter carro de serviço, com combustível pago, portagens e motorista de serviço. Esta marinhice não tem nada de novo, todos os políticos sempre que podem arranjam este tipo de serviço- extra e outros.
Porém não fica bem para quem diz que é diferente e não utiliza as instituições para si próprio.
12 -Para além de instituir a si próprio um ordenado na OA, não deixou de ter carro de serviço, com combustível pago, portagens e motorista de serviço. Esta marinhice não tem nada de novo, todos os políticos sempre que podem arranjam este tipo de serviço- extra e outros.
Porém não fica bem para quem diz que é diferente e não utiliza as instituições para si próprio.
13 - Eu, depois eu, e acima de tudo eu. Acha que um deputado europeu ganha imenso dinheiro para o que faz, mas não abre mão, nem abdica desse salário chorudo.

JJ

*artigo de opinião publicado no jornal Audiência

14/10/2014

Petição na U.E.



Pedro Almeida 


Comissione per le petizioni
La Presidente
Erminia Mazzoni

Subject- Petition n. 1211/2013

Exma. Senhora:
Obrigado pela sua carta datada de 16/04/14.
 Você afirmou que a Comissão começou a examinar a minha petição e decidiu solicitar à Comissão Europeia que proceda a uma investigação preliminar dos vários aspectos do problema. discutidos na minha última carta.
Lembro a Sra que a minha carta destacou o clima de corrupção aberta, a criação de riqueza não controlada por políticos e seus amigos, e Justiça inexistente em Portugal.
  Na sua carta, você não especificou como vai  investigar o problema.
Por causa disso, decidi enviar-lhe algumas informações sobre como as coisas funcionam em Portugal :
Foi criada uma comissão pelo Governo Português para investigar os detalhes da compra de dois submarinos pela Marinha Portuguesa, há 10 anos, a uma empresa na Alemanha, Ferrostaal.
Informo que dois ex-altos funcionários da Administração desta empresa alemã e o ex-cônsul de Portugal em Munique (todos de nacionalidade alemã) foram condenados por corrupção, neste caso, pelo o pagamento de 30 milhões de euros em subornos.
No entanto, a Comissão Portuguesa formado por políticos do coligação no poder neste momento, decidiu encerrar a investigação esta semana apenas quando as coisas começam a ficar claras, sobre quem recebeu estes subornos, em Portugal.
O receptor das propinas era uma empresa chamada ESCOM – do Grupo Espírito Santo, um banco que detinha 67% da empresa. Este Banco - GES - foi escolhido pelo governo de Durão Barroso (ex-presidente da União Europeia, até recentemente), como parceiro minoritário do consórcio, que emprestou o dinheiro para a compra dos submarinos. Esta informação foi divulgada na semana passada pelo jornal português "Público".
O jornal "Expresso", revelou em Março passado que o dinheiro foi dividido pelos accionistas do Grupo Espírito Santo (GES) e ESCOM, depois de ter circulado por várias entidades e países. ESCOM e a sua administração, admitiram abertamente em numa declaração pública,  que "a empresa sempre agiu abertamente para com os seus accionistas sobre o recebimento desses subornos. Tinha que ser assim seguindo as políticas da partilha dos ganhos da empresa. "


No entanto, ninguém do GES ou ESCOM será convidado a explicar esses ganhos, pois a comissão que está investigando o caso, apenas decidiu fechá-la.

IRS: reembolso se…



O IRS não vai baixar este ano por via da sobretaxa do IRS (3,5%), porém em 2015, para os funcionários públicos será realizada a reposição de 20% do corte salarial. Nunca percebi porque os funcionários públicos têm que pagar um ónus acrescido por esta crise, sendo nós todos portugueses. No caso do BPN e do BES, bancos privados, quem deve pagar por esse rombo nas contas públicas deve ser, na mesma linha de pensamento os privados. Enfim ! Este é um exemplo paradigmático mas poderia referir outros tantos. Portugal é um todo e estamos todos no mesmo barco. Penso eu!
O governo para tentar salvar a face do que foi dizendo e acalentando esperanças aos portugueses que saíram goradas. Engendrou uma solução absolutamente caricata. O governo repõe em 2016, prometendo reembolsar uma parte da sobretaxa se houver aumento adicional da receita dos impostos em 2015. O governo está a contar para este ano de 2014, que a receita fiscal ascenda a 36.981,8 milhões de euros, um valor 3,2% acima do inicialmente projectado.
Se, o resultado do combate à fraude e evasão fiscal for superior a um determinado patamar isso reverterá a favor dos contribuintes numa redução da sobretaxa, quando for feita a liquidação do imposto em 2015, que é uma coisa que só acontece em 2016.
Se, sempre o "se", conjunção integrante que significa um facto do qual depende algo, isto é, temos reembolso se houver maior receita fiscal, que não sabemos o valor que o governo vai estipular e não sabemos qual vai ser a previsão do governo.
Por outro lado se recebermos reembolso, só se efectuará em 2016, que já é feito por novo governo saído das eleições legislativas de Setembro de 2015.
Vamos então pensar em termos práticos. O governo este ano prevê uma entrada de 36.981,8 milhões de euros mais 700 milhões de euros do que previsto. Se fosse aplicado este ano de 2014 a solução com eventuais reembolsos , esses 700 milhões de euros seriam devolvidos aos contribuintes.
Estamos vinculados à receita fiscal conseguida em 2015. Não acho esta solução transparente, segura. É imprevisível , incerta e de comprovação muito difícil.
Por fim, como é habitual em quem governa este país atira para o futuro governo o cumprimento desta medida. Sempre foi assim e será no futuro. Quem vier a seguir que resolva.
Será mais uma discussão barulhenta com grandes parangonas nos jornais, mas inconsequente para os bolsos dos portugueses.

JJ

debate



O Clube dos Pensadores ( CdP) vai realizar mais um debate dia 10 de Novembro.

Deste modo o CdP segue com os debates de 2014, em que se iniciou com Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças do governo de  José Sócrates, em seguida, Carlos Barbosa, presidente do ACP, Arménio Carlos, líder da CGTP, António Capucho, ex- PSD,  Henrique Neto, empresário e ex-deputado do PS e Marcelo Rebelo de Sousa ex-líder do PSD e Ribeiro e Castro, ex-líder do CDS e actualmente deputado.

Somos um movimento cívico que tem por finalidade a participação dos cidadãos e o seu esclarecimento. Não temos um projecto de poder e um dia formar um partido mas vamos ver no futuro a evolução da nossa democracia...

12/10/2014

A náusea



Conhecem aquele tipo de beatas ou ratas de sacristia, essas matronas que se apoderam das igrejas católicas, mudam as dálias do altar, barricam o acesso aos padres e lhes engomam os paramentos em êxtases ambíguos, destratando os humildes e adiantando-se nas naves para serem as primeiras a comungar, de olhos em alvo e estendendo, papudas, as mãos à hóstia? Essas, precisamente! E sabem por que motivo me enervam mais do que qualquer pecador cristão? É simples: porque não pecam na casa delas, mas na de Jesus.
Ora bem. É seguindo a mesma lógica que certos socialistas me revoltam mais do que qualquer burguesia exploradora, pelas mentiras, falcatruas e conspiratas que fazem, servindo-se dos clichês humanistas para depois se borrifarem nos pobres, aburguesando-se num crescendo assustador e apoderando-se, um a um, de todos os confortos dos ricos ou do que entendem por «alta sociedade»: o carrito de luxo, a casita com piscina, a contita na Suiça - tudo ambições humanas, mas anãs.
Ao contrário, a Direita, sendo egoísta, comodista, diletante, individualista - tudo o que quiserem, reconheço - ao menos não mistifica as suas prioridades!
Em suma: não há partidos, há pessoas, e a ambição é comum às duas margens, já o sabemos. Mas a de alguns socialistas é tão execravelmente hipócrita que acaba por enojar quem, como eu, neta de salazaristas, foi tão pronto a entender a bênção da democracia que chegou a dar-lhes, penitente e escrupuloso, o benefício da dúvida.
O exemplo começou com o mais emblemático dos paladinos da liberdade e da justiça: El Rei Dom Mário Soares e os seus sucessivos citroëns de luxo, personalizados como um monograma, os tailleurs Chanel da Maria Barroso, talhados no Ayer, e as suas casinhas na cidade, serra e praia, para se aquecerem ou refrescarem consoante as estações do ano - e, finalmente, até uma Fundação para se distraírem na reforma; décadas depois, a coisa refinou: temos o Sócrates a vestir-se por estilistas da Rodeo Drive de Los Angeles, a ministrada anti-fascista a rolar em séries 5, e os quadros estratégicos das empresas públicas a ganharem salários que nem os banqueiros ganham - mete nojo!
(Atenção: escreve-vos a sobrinha de um Director Geral do Turismo *, casado e com cinco filhos, de rendimento modestíssimo, que, em Abril de 74, foi enjaulado em Caxias como um vulgar delinquente por alegado crime de peculato, por gastar - segundo a grelha da (in)Justiça Revolucionária - «demasiada água do Luso»! Miseráveis: não lhe arranjaram mais nada! E agora digam-me: visitar um tio na prisão por servir garrafas de água, nas funções representativas que ocupava, e ter de encará-lo atrás das grades prostrado pela desonra, para agora ver esta maltosa arrivista em lugares-chave, alguns deles profundamente desconhecedores de maneiras ou protocolo, a jantarem no Eleven e a regarem-se a Chivas?)
Palavra de honra: antes os políticos comunistas e bloquistas – autistas no seu radicalismo anacrónico e obviamente perigosos num cenário de poder – mas, apesar de tudo, com outra face, outra decência, outra coerência doutrinária!
E digo-vos mais: nem deveria ser gente como eu, apenas crítica ou sangrando sobre  os escombros de uma pátria pilhada e demolida, a revoltar-se, mas os próprios socialistas, honestos e convictos da consistência da sua ideologia, a demarcarem-se, exigindo o afastamento de quem tão gravemente os embaraça, compromete e, por associação, os arrasta para este lodo de troça e de descrédito!
E só digo mais isto: coitados dos militares de Abril, analfabetos, que alinharam: foram usados! Cravos, sim, mas para pregarem nas mãos desses!
* Engº Álvaro José Ferreira Roquette, meu tio adorado que partiu sem rancores

Rita Ferro

*texto enviado por Hercília Oliveira 

Joaquim Jorge na Rádio





 Todos os domingos - 23h30

Joaquim Jorge a partir das 23H30, em directo, vai comentar temas actuais de politica e desporto. Programa Correr das Águas , conduzido por Dinis Silva.

Para ouvir em directo online entrar site e clicar em emissão online. Ou pode ouvir sintonizando em 104.7

Selecção JJ - Nada Mais : Lately / Lisa Ono



11/10/2014

Pensamento


Pensar nunca fez mal a ninguém 

[Previsão Planoclima] - Alerta Não Oficial - Agravamento Estado Tempo 12 a 18 Outubro - Chuva e Vento Forte com muito desnorte




Caríssimos,

" O ano vai mal se não tivermos três cheias até ao Natal. "

Como vos havia indicado o Outono veio para ficar e de facto não só vai ficar como pode fazer das suas...
Ao ver o satélite parece-me que está a ganhar uma assinatura na curva ciclónica acho que vai surpreender amanhã e acho que será altura de lançar avisos tanto de precipitação como de vento, a norte do Mondego mas acho que mais a sul deste também poderão ter a sua quota.
No entanto, para amanhã dia 12, além da chuva intensa o Vento será também Forte até 70 a 80km/h e com rajadas até 100 km/h no Litoral Oeste e terras altas.

Depois de amanhã teremos uma verdadeira semana de Outono com a probabilidade de chuvas intensas mais a Norte e a probabilidade de inundações poderá não ser só nas áreas habituais, sobretudo nas impermeabilizadas dos centros urbanos e com fraco escoamento. Lá está como havia referido em Junho passado, que os bombeiros teriam provavelmente mais a fazer no Outono do que no Verão...
Os dias 12, 15, 16 e 17 serão os mais severos e que poderão provocar danos, uma vez que poderão cair nestes próximos dias entre 100 a 150mm a Norte.

Mário Marques

10/10/2014

Alenka Bratusek




Alenka Bratusek fez batota e o Parlamento Europeu rejeitou-a como comissária. Alenka Bratusek era primeira-ministra da Eslovénia e nomeou-se a si própria quando estava de saída do Governo.

A democracia tem destas coisas surreais. Em Portugal faz-se as coisas com mais subtileza mas não deixam de ser parecidas. Um ministro que tutele determinada área passa-se para uma empresa privada com quem estabeleceu contratos e fez negócios de Estado.E, por vezes, não tem o descaramento de se nomear a si próprio, mas pede a alguém para o fazer. Nomear os amigos antes de sair do cargo é apanágio da maioria dos governantes deste país.

Não me recordo de tanto descaramento. Em democracia tudo é possível. Por isso é que são precisos mecanismos de  controle e prestação de contas perante identidades isentas e imparciais.

Neste caso, qualquer comissário é questionado , durante audições de três horas, pelas comissões das pastas que deverão ter. É analisado o seu domínio de dossiers e o sua acção anterior.

Por exemplo, Tibor Navracsics, húngaro, que estava indigitado para a pasta de Cultura, Educação e Cidadania, foi chumbado. Pelo facto de ter sido pessoalmente responsável por uma lei de imprensa que dificultava a vida aos jornalistas tornou-o desadequado e inaceitável na área da Cidadania.

A democracia se for devidamente escrutinada consegue coisas bonitas como estas. É preciso em democracia válvulas de segurança, não chega votar.

JJ

Marinhices


Marinho e Pinto é o máximo. Está contra os partidos e formou um novo partido. Procura passar uma imagem  de cidadão acima de qualquer suspeita. Vai fazer o streaptease das suas contas pessoais no Parlamento Europeu, desde comprovativo de remuneração, subsídio ou reembolso de despesa. Todavia recusa dizer se recebeu subsídio de reintegração da Ordem dos Advogados (OA) quando foi bastonário. Por outro lado quando chegou a bastonário em 2008 preconizou a criação de um vencimento para si próprio equivalente ao vencimento do presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do procurador-geral da República, à volta de 6.630 €. Era o único membro dos órgãos estatutários que era remunerado.
Outra marinhice de Marinho e Pinto que exigiu exclusividade no cargo de bastonário, preconizou manter o seu vencimento depois de cessar funções por um período de tempo. Ficou decidido que esse subsidio seria equivalente a metade do vencimento anual. Qualquer coisa como 54.460€. 
Este Marinho e Pinto  é uma figura, mas fala na primeira pessoa, mas para os outros. Analisando os relatórios da OA revela , por exemplo que em 2009 ganhou 120.000€ - cerca de 30% do total gasto pela Ordem em honorários. 
Para além de instituir a si próprio um ordenado na OA, não deixou de ter carro de serviço, com combustível pago,portagens e motorista de serviço. Esta marinhice não tem nada de novo, todos os políticos sempre que podem arranjam este tipo de serviço- extra e outros.
Porém não fica bem para quem diz que é diferente e não utiliza as instituições para si próprio.
Eu, depois eu, e acima de tudo eu. Acha que um deputado europeu ganha imenso dinheiro para o que faz, mas não abre mão, nem abdica desse salário chorudo. 
Marinho e Pinto defende mudanças no sistema político, na lei eleitoral e preconiza alterações que a maioria dos cidadãos mais atentos está de acordo e subscreve. Muitos já as defendem há muito tempo, ainda Marinho e Pinto era bastonário.
Porém Marinho e Pinto, a personagem que quando abandonou o lugar de bastonário disse logo a seguir que gostaria de ser Provedor de Justiça ou Ministro da Justiça.
Acho que as coisas estão mal mas não podemos querer correr com os políticos todos e que venham outros que pelo que se vê podem não ser melhores.
A tendência é essa, mas pelo que vemos pela Europa fora essa esperança de mudança pode tornar-se um tormento.
A única forma de se pressionar o sistema político e estes políticos será a abstenção. A sua legitimidade sai diminuída e ferida de morte. São na mesma eleitos não fazem caso mas o sistema implodirá por dentro.
Estas  marinhices fazem pensar e agitar as águas. Mas gosto mais da atitude de António José Seguro que ao abandonar o cargo de secretário-geral do PS abdicou do Conselho de Estado e de ser deputado. Atitude exemplar e de grande elevação.
Não se pode estar num cargo a pensar logo a seguir noutro. A política pública não é mercearia, mas parece...

JJ

08/10/2014

Costa versus Seguro




 A nobreza da política reside na luta por defender aquilo em que se acredita e animar os outros a lutar por isso, procurando manter a chama acesa.
Não sei se é possível ser diferente na política, sem entrar na maquinaria partidária.
Há quem queira entrar na política e gostaria de intervir, mas paga um peso enorme e é visto como persona non grata se não ficar na defensiva e evitar expor-se com as suas ideias. Influir, criticar, pensar, reflectir na política é algo mal visto.
Os outsiders permanentemente sonham em participar no jogo político, mas não é fácil. Quem lá está não aprecia muito a ideia e entende que está em causa o seu feudo. Por outro lado, a política requer uma série de habilidades específicas e nem todos conseguem fazê-lo. Há truques que têm que se aprender. Por exemplo não dizer tudo que se pensa. Não se pode responder ao que lhe perguntam, sim ao que gostariam que lhe tivessem perguntado. Neste aspecto António Costa é exímio e Seguro nem tanto.
Por outro lado, não se pode repetir algo negativo. Há que dar a volta e expressar-se pela positiva. O dilema de dizer copo meio vazio ou copo meio cheio.
É naïf pensar que quem vem de fora pode proceder de outra forma e de outra maneira. Foi que aconteceu a António José Seguro, cheio de boas intenções.
 A política é a arte do possível. Mas agora, nem mais tarde ou amanhã. Não chega ter ideias que é o caso de Seguro, é necessário actuar no momento certo, foi o que aconteceu com António Costa.
A arena política tem destas coisas. De outro modo, os jornalistas não têm o perfil adequado para tratar de assuntos de política. A política converteu-se em algo trivial, muito pessoal e desagradável. Quando estás na política activa vives num mundo à parte, em que só lês os jornais onde és referido, apesar de cada vez menos gente ler esse tipo de notícias.
Em vez de procurarem governar, vivem obcecados com histórias que não são importantes e tentam controlar tudo e todos. Vieram quase todos da oposição mas confundem inimigos com adversários. Assiste-se a um circo romano e a espectáculos desagradáveis e degradantes de como se deve fazer política com golpes baixos e insultos, Esta é uma das razões porque as pessoas estão enojadas com a política.
Esquecem-se que a política tem regras. A democracia é o dissenso e o antagonismo não é uma guerra. A luta é entre adversários com ideias diferentes não é uma luta entre inimigos em que alguém tem que sair ferido ou morto.
Hoje é teu adversário amanhã pode ser teu aliado numa coligação. As pessoas nem sempre estão de acordo. A democracia tem de acomodar desacordos. O importante é manter o nível numa disputa democrática e não ser uma guerra civil.
A forma de fazer política e a classe política tradicional estão démodé. A crise económica, desemprego, o estado social têm acentuado esse problema. Os partidos tradicionais não nos têm oferecido soluções mas somente cortes. A democracia não sobrevive sem soluções aos problemas.
Os vícios da política e a deriva populista que começa a corroer o sistema. Um dos eixos do mandato de António José Seguro foi a separação da política dos negócios, outro foi a revisão do sistema eleitoral. Não tenho dúvidas que no futuro vai-se converter em temas centrais na vida política portuguesa.
Outro problema grave é a desigualdade. A falta de reforma fiscal leva a que a classe média suporte um peso excessivo das obrigações do Estado levando ao descontentamento e ao apoio de derivas populistas. Assim está acontecer com o furacão Marinho Pinto. Se não há justiça social o sistema simplesmente não funciona. As grandes empresas e as grandes fortunas têm que ter uma maior carga fiscal. O combate à evasão fiscal deve ser um desígnio nacional, sendo ainda um flagelo social.
Os direitos humanos assim como um simples direito de um cidadão - ser informado pelo governo, como aplica os seus impostos. Esses direitos são a redenção do poder.
Os políticos têm uma legítima ambição de poder e o seu campo de jogo mas as suas acções devem incidir com rapidez e uma forma positiva na vida dos cidadãos para que estes possam reconhecer o seu mérito e que algo se está a fazer.
Um político deve saber mover-se entre os interesses, não tem tempo para o estudo e grandes criações, necessitando de repouso e solidão. Todavia deve escutar, fazer ou não caso do que escuta, mas deve sempre escutar. É o caso de António Costa perito em criar pontes e acordos.
O meu receio é o mesmo que Michael Ignatieff, «os populistas oferecem soluções falsas a problemas reais».
Os portugueses estão fartos destes políticos e desta política. Estão fartos de dar oportunidades. Quando se deixa de acreditar na democracia pode acabar-se a acreditar noutras coisas.
Sofro porque os políticos não são uma esperança, sim um problema. Há um enorme desprezo pela política e pelo compromisso. A maioria dos cidadãos acha que é uma perda de tempo que todos os políticos são corruptos, uns mais outros menos, mas cada um à sua maneira.
Portugal é o pais do " vamos ver", " agora é que vai ser". Não sei se é António Costa a solução num país em que os cidadãos já não crêem em nada, em figuras, muito menos em partidos ou qualquer governo, nem temos a menor ideia do que vai ser o nosso futuro.

JJ

*artigo publicado no PT Jornal

C.I.V.A. (Centro de Investigação da Vida Alheia)




1- A CM Gaia  mais parece a Casa dos Segredos. Um verdadeiro reality-show. Os concorrentes (políticos locais) são o centro do programa. É dos seus segredos e das suas personalidades que nascem as histórias. Neste caso o concorrente que saiu Luís Filipe Menezes ofusca os outros todos com os seus segredos.
2- António Costa deu uma abada a António José Seguro. Eduardo Vítor Rodrigues que apoiou António José Seguro é um perdedor. Ao contrário Manuel Pizarro no Porto é um claro vencedor.
3- No distrito do Porto, António Costa venceu em 12 dos 18 concelhos. No concelho do Porto teve 3990 votos contra 1454 de Seguro. Em Matosinhos, 2891 contra 1405 de Seguro. Em Gaia, Costa teve 1984 e Seguro 1396.
4- Por outro lado, António José Seguro sai de cena e vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos. A breve trecho vamos ter novo Congresso no PS, para eleger o novo líder do PS.
5- Este élan e embalagem da vitória de António Costa podem levá-lo a vencer nas legislativas.
6- António José Seguro ao abrir o partido, a simpatizantes com as eleições primárias saiu-lhe o tiro pela culatra. Pois Seguro vale muito mais nos militantes do que nos simpatizantes e opinião pública em geral.
7- Ao querer ganhar tempo aquando do desafio de Costa, a fuga para a frente e com uma ideia inovadora em Portugal já aplicada em França e há muito tempo nos EUA.
8- Considero estas eleições primárias uma boa iniciativa, porém entre os inscritos: simpatizantes e militantes mesmo sem as quotas em dia houve uma abstenção à volta de 30%. Comparado com votações internas em que votam à volta de 30.000 militantes num universo de 90.000 militantes é bom. 
9- Rui Moreira recebeu Oliver Stone. Eu bem digo que por este caminho em breve vamos ter o Príncipe Alberto de Mónaco em visita a Portugal. Querem apostar?
10- Matosinhos faz 500 anos e viaja no tempo à boleia de 15 tesouros. Uma forma de perceber como se construiu a identidade de Matosinhos.
11- Por outro lado, a vida a Guilherme Pinto corre-lhe de feição. Nas primárias do PS, venceu António Costa de quem foi um fervoroso apoiante como simpatizante. Estão reunidas as condições para ser admitido de novo como militante socialista.
12- Corre em Matosinhos a ideia que Guilherme Pinto irá conceder a António Parada uma vereação a meio tempo. Isto é, irá dar ao seu arqui-rival nas últimas eleições autárquicas, em que se incompatibilizaram e trocaram acesas discussões, pelouro com responsabilidades políticas e metade de um ordenado de vereador.
13- A foto há tempos tirada de Guilherme Pinto, António Costa e António Parada, para além do apoio a Costa, verifica-se uma aproximação com efeitos práticos. António Parada actualmente está desempregado, limita-se a receber senhas de presença nas reuniões de Câmara.
14- A Visão teve acesso a documentação que comprova ligações e combinações suspeitas entre a agência e administradores da Gaianima, durante o consulado de Guilherme Aguiar na empresa. Do tempo de Ricardo Almeida, sobram dois contratos polémicos com as agências Next Power e Boston Media, ligadas a João Paixão Martins, que a Judiciária também investiga.
15- Há contratos de assessoria e comunicação que a PJ também solicitou à autarquia. Um foi celebrado com a Mediana, empresa dirigida pela mulher de Joaquim Couto, autarca socialista de Santo Tirso e ex-vereador da oposição em Gaia, que rendeu 72 500 euros àquela agência.
16-
Se Luís Filipe Menezes cair, vai cair com ele muita gente, da cor dele e da oposição
17- O Jornal Audiência festejou no domingo passado os seus 11 anos de existência. Os meus parabéns ao seu director Joaquim Ferreira Leite pela sua perseverança e tenacidade, tornando o Audiência um caso de sucesso.

JJ

*artigo de opinião publicado no jornal Audiência 

07/10/2014

Humor



Marinho e Pinto




Eureka! Marinho e Pinto quer mudar a politica e os políticos. Porém,Marinho e Pinto não descobriu agora a pólvora. 

Muito das coisas que defende já outros ( eu próprio) as defendemos há muitos anos. Ele acha que é pela formação de um novo partido, outros acham que se pode fazer de outra forma...

A mudança no sistema politico, abrir os partidos políticos à participação dos cidadãos e aos novos ares da democracia. É necessário mudar a forma de fazer politica , qualquer cidadão deve poder candidatar-se a qualquer cargo público sem depender de um partido politico, autonomia dos deputados que depois de eleitos respondem perante o partido e não perante quem os elegeu ( os cidadãos). Acabar com a  isenção de impostos dos partidos, as suas subvenções  quer em campanhas eleitorais quer no exercício de funções no Parlamento, 

Por outro lado o combate à corrupção e aos negócios ( BPN,BCP,BES) e a venda a retalho desde a EDP aos CTT, etc. Agora querem privatizar a  água e amanhã porventura não haverá mais nada para vender.

Por fim a transparência e exclusividade de funções na politica. No fundo o seu novo partido PDR ( Partido Democrático Republicano) que ainda não tem as 7.500 assinaturas exigidas por lei não fala em nada de novo, para quem está atento e procura alertar e lutar pela mudança no sistema politico e leis eleitorais. No fundo o sistema está podre e cheio de podridão vulgo corrupção tentacular.

O que acho interessante é Marinho Pinto, o seu ataque violento aos partidos coincide com a formação de um novo partido ( mais um ). Nada de novo, mas a seguir com algum interesse.

JJ

06/10/2014

UNIÃO HOMOAFETIVA




Tereza Halliday
A lei do divórcio foi sancionada em 1977, quando a sociedade apresentava numerosos casos de casamentos desfeitos e reconstrução de vida conjugal sem respaldo legal à nova família. Apesar da oposição eclesial, a vida real mostrava número crescente de descasados reunidos a outros parceiros, não raro em relações duradouras, sem lei para amparar viúvas e filhos, estes estigmatizados como “bastardos”. As más línguas usavam termos derrogatórios para definir pessoas separadas que tinham novos companheiros.  Era a fobia à união de um homem e uma mulher sem legitimação legal nem bênção religiosa.

              Foi preciso haver numerosos casos de casais do mesmo sexo, para a postura judicial mudar (como teve de mudar face à necessidade do divórcio) e o Estado regulamentar  pensão, herança, guarda de filhos, adoção,  protegendo legalmente participantes da chamada união homoafetiva. Isto açulou aversões e repúdio, até mesmo violento.  Alguns são obcecados raivosos quanto ao homossexualismo. Não seria a homofobia um distúrbio psiquiátrico? Eduardo Jorge, médico, político e candidato à presidência da República pelo Partido Verde,  em entrevista à revista Época, disse: “... O que afeta minha vida, sua vida, o fato de um rapaz ir lá, casar com outro rapaz e viver tranquilamente sem me prejudicar em nada? Isso [a homofobia] é de pasmar. É falta do que fazer”.

Seria sábio manter Igreja e Estado separados, neste e noutros assuntos, porque onde são entremeados, pelo mundo a fora, não dá certo. Para as igrejas em geral, casamento é união sagrada entre homem e mulher. Elas tem pleno direito de determinar princípios e regras para os seus membros e estes, de aplicá-los à própria vida. Infelizmente, ao tratar de gays e lésbicas,  certos cristãos tendem a esquecer  ensinamentos basilares do cristianismo: o não julgar e a misericórdia.  

(Diário de Pernambuco, 6/10/2014)

Artigo de opinião de Joaquim Jorge no PT Jornal



Costa versus Seguro

06/10 
Costa versus Seguro

05/10/2014

Joaquim Jorge na Rádio




 Todos os domingos - 23h30

Joaquim Jorge a partir das 23H30, em directo, vai comentar temas actuais de politica e desporto. Programa Correr das Águas , conduzido por Dinis Silva.

Para ouvir em directo online entrar site e clicar em emissão online. Ou pode ouvir sintonizando em 104.7

William Shaskespeare




Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos.

William Shakespeare

[Previsão Planoclima] - Estado do tempo. até 18 Outubro 2014 - Chuva, algum Vento e Frio fora de época!




Caríssimos,

"Outubro, vaca no palheiro e barco no outeiro"

Tal como vos indiquei que para perto da Lua Cheia teríamos o Outono a bater á porta e a querer ficar.
Assim teremos ao regresso da chuva, por vezes intensa a Norte do sistema montanhoso Montejunto/Estrela já a partir da tarde de 2a e intensificando-e e progredindo....

De assinalar a sensação térmica de frio uma vez que o vento ajudará apertar a gola...

Resumindo, chuva, vento e algum frio fora
de época o Outono veio para ficar e salvo um breve período, onde o Sol poderá espreitar mas logo se irá embora.


Mário Marques
Planoclima 2014 

04/10/2014

Selecção JJ - Brothers Johnson - Tomorrow



Eça de Queirós






O Que Verdadeiramente Mata PortugalO que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de angústia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, é a desconfiança. O povo, simples e bom, não confia nos homens que hoje tão espectaculosamente estão meneando a púrpura de ministros; os ministros não confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença. O estado de expectativa e de demora cansa os espíritos. Não se pressentem soluções nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discussões aparatosas e sonoras; o país, vendo os mesmos homens pisarem o solo político, os mesmos ameaços de fisco, a mesma gradativa decadência. A política, sem actos, sem factos, sem resultados, é estéril e adormecedora. 

Quando numa crise se protraem as discussões, as análises reflectidas, as lentas cogitações, o povo não tem garantias de melhoramento nem o país esperanças de salvação. Nós não somos impacientes. Sabemos que o nosso estado financeiro não se resolve em bem da pátria no espaço de quarenta horas. Sabemos que um deficit arreigado, inoculado, que é um vício nacional, que foi criado em muitos anos, só em muitos anos será destruído. 

O que nos magoa é ver que só há energia e actividade para aqueles actos que nos vão empobrecer e aniquilar; que só há repouso, moleza, sono beatífico, para aquelas medidas fecundas que podiam vir adoçar a aspereza do caminho. 
Trata-se de votar impostos? Todo o mundo se agita, os governos preparam relatórios longos, eruditos e de aprimorada forma; os seus áulicos afiam a lâmina reluzente da sua argumentação para cortar os obstáculos eriçados: as maiorias dispõem-se em concílios para jurar a uniformidade servil do voto. Trata-se dum projecto de reforma económica, duma despesa a eliminar, dum bom melhoramento a consolidar? Começam as discussões, crescendo em sonoridade e em lentidão, começam as argumentações arrastadas, frouxas, que se estendem por meses, que se prendem a todo o incidente e a toda a sorte de explicação frívola, e duram assim uma eternidade ministerial, imensas e diáfanas. 

O país, que tem visto mil vezes a repetição desta dolorosa comédia, está cansado: o poder anda num certo grupo de homens privilegiados, que investiram aquele sacerdócio e que a ninguém mais cedem as insígnias e o segredo dos oráculos. Repetimos as palavras que há pouco Ricasoli dizia no parlamento italiano: «A pátria está fatigada de discussões estéreis, da fraqueza dos governos, da perpétua mudança de pessoas e de programas novos.» 


Eça de Queirós, in 'Distrito de Évora'

03/10/2014

Mascar pastilha é a nova forma de gerar electricidade



O aparelho foi desenvolvido na Escola de Tecnologia Superior, em Montreal, Canadá, e o artigo sobre a sua descoberta foi publicado no periódico científico Smart Materials and Structures, de acordo com o Planeta Sustentável.
O processo parece complicado, porém: através de uma correia presa ao queixo, o aparelho transforma os movimentos da boca em electricidade. O aparelho é feito de um material que é carregado com energia elétrica quando esticado – parece perigoso, na verdade, se bem que o aparelho seja apenas ainda um protótipo.
Os criadores acreditam que a tecnologia pode, no futuro, ser usada em aparelhos auditivos e implantes cocleares. Para eles, a tecnologia é uma forma de dispensar o uso de baterias descartáveis nesse tipo de dispositivo electrónico.
Nos testes, o acto de mascar uma pastilha durante 60 segundos gerou cerca de 18 microwatts de electricidade. Para fazer funcionar um aparelho auditivo, o sistema precisa de gerar pelo menos 20 vezes mais energia.


A vespa asiática



Miguel Mota 
A juntar à lista de pragas e doenças que afligem as abelhas e causam prejuízos aos agricultores, apareceu agora uma vespa, de nome científico Vespa velutina nigritorax, também chamada vespa asiática que, além de agravar as condições económicas da agricultura, é também capaz de atacar pessoas.
Tenho informação de que o ministério da Agricultura está a tratar do assunto. Mas vi notícias de que, no Norte do país, onde o ataque tem causado prejuízos nos apiários, o combate à praga está a ser feito por outros ministérios, nomeadamente os do Ambiente e da Administração Interna.
Não posso deixar de lembrar que a Estação Agronómica Nacional, antes da destruição levada a cabo por vários governos, possuía um Departamento de Entomologia, com bons investigadores, que certamente estaria indicado para o combate à nova praga, como fez em vários casos em que teve de actuar. Menos de dez anos depois da criação da Estação (pelo Decreto-lei 27.207, de 16 de Novembro de 1936), o Departamento de Entomologia, de que era Chefe o Eng.º Agrónomo Alexandre José Duarte, dirigiu, em 1944-1945, o combate a uma praga do gafanhoto Dociostaurus maroccanus, que estava a causar prejuízos à agricultura.

Portugal está cada vez mais vulnerável e com menos capacidade para se defender de ataques à sua agricultura, como este que agora surgiu. É extraordinária a incapacidade dos nossos governantes, particularmente nos últimos quarenta anos, para compreenderem que o dinheiro “gasto” com os laboratórios de investigação do estado independentes das universidades é um  fabuloso investimento. Não conseguem perceber que o eficiente combate a uma praga ou doença custa muito menos que o prejuízo que elas causam. E um combate eficiente só é possível com bons investigadores ou com pessoas ensinadas ou dirigidas por eles. Há muitos bons exemplos a demonstrá-lo.

01/10/2014

En passant




Estive a pensar. Depois da vitória de António Costa , a ola de entusiasmo à sua volta,  que está  a ter, e vai continuar a ter num futuro próximo,vai levá-lo rumo a primeiro-ministro, não tenho dúvidas.

Conhecendo como conheço os portugueses , já esqueceram o PS gastador, ruinoso, socrático e que permitiu que vivêssemos sobre o efeito de uma troika insensível e que só via números. 

Nós precisamos, sim, de uma troika social, em que evidentemente se ataque o défice, mas não constantemente à custa dos que menos posses têm e menos capacidade de se defender de uma austeridade autista.

O PS tem um novo líder num país de "vamos ver".

António Costa tem que definir rapidamente o espaço político que quer ocupar: a esquerda ou centro esquerda.

Jose Luiz Zapatero dizia que não pretendia ser um grande líder, " prefiro ser um bom democrata". Espero que António Costa seja um bom líder e ao mesmo tempo um bom democrata. As duas coisas não são incompatíveis.

Esperemos que António Costa não ofereça soluções falsas para os problemas reais do país.

António Costa tem uma série de requisitos, para além do seu sorriso e bonomia, muitas habilidades específicas . Nem todos conseguem ser como ele. Há truques que se têm que aprender. A sua longa vida partidária permitiu-lhe actuar no momento adequado.

Estas primárias foram um estalido de cidadania, vulgo simpatizantes socialistas poderem aproximar-se do PS. Contudo a forma de aproximar os cidadãos da politica, dos políticos e dos partidos políticos será com maior transparência,castigando os corruptos, devolvendo à opinião pública a fé nas instituições, que é algo fundamental para que uma cultura democrática funcione.

Só há uma maneira do PSD vencer as próximas eleições legislativas em 2015. Pedro Passos Coelho não se recandidatar a primeiro-ministro e deixar o espaço para Rui Rio assumir a liderança do PSD.

Esse seria um golpe de mestre. Rui Rio nada tem que ver com a política seguida por este governo tendo , muitas vezes, demarcado-se e criticado várias opções e caminhos seguidos.

Rui Rio apresentar-se-ia limpo, livre e com um passado na CM Porto imaculado. Estaria na mesma posição, ou porventura melhor, que António Costa para assumir a chefia do governo.

Os políticos dizem sempre que estão na vida pública para servir Portugal e o seu partido. Mas todos sabemos que não é assim.

Se Pedro Passos Coelho desse o lugar a Rui Rio de motu proprio, o país e os portugueses agradeciam.

JJ

ELEIÇÕES PRIMÁRIAS




As eleições primárias no PS podem considerar-se uma aposta ganha. Mas atendendo às circunstâncias em que se realizaram, António José Seguro despoletou esta iniciativa, numa fuga para a frente, para ganhar tempo de forma a não ser apeado do poder. Falou em abertura do partido aos cidadãos pensando que eles lhe dariam o seu apoio. Perdeu, porém há males que vêm por bem.
A novidade funcionou, contudo entre os inscritos: simpatizantes e militantes mesmo sem as quotas em dia houve uma abstenção à volta de 30 por cento.
quadro primarias 600
Nas eleições internas do PS, em que votam à volta de 30 mil militantes num universo de 90 mil militantes, é muito bom. Votam menos de 50 por cento, com a abstenção a rondar mais de 40 por cento.
Este processo foi estimulante e a aproximação com os cidadãos louvável. Todavia este processo já foi efectuado no PS francês e os resultados não me parecem os melhores. Foi eleito François Hollande, homem do partido em detrimento de outras candidaturas mais capazes.
Seria importante a possibilidade de dar acesso a candidatos não filiados nos partidos, isto é, abre-se a possibilidade de votar não militantes, mas não se facilita uma candidatura de um simpatizante ou independente.
Estas eleições primárias são uma medida de regeneração e limpeza democrática, mas deveria ser acompanhada de outro tipo de medidas. Mudança no sistema de nomeações para órgãos institucionais e a elaboração de uma nova lei de partidos que democratiza a sua gestão e funcionamento. Essa nova lei dos partidos deve obrigar todos os partidos a fazer eleições primárias para designar os seus candidatos e abri-los a simpatizantes ou independentes.
Este processo é um pouco cosmético, dá-se com uma mão (permitindo simpatizantes ou qualquer cidadão votar) mas tira-se com a outra (não permitindo um simpatizante ou independente ser candidato).
É um passo, mas muito tímido, porventura sedutor, mas induz em erro os cidadãos. Os partidos têm medo de perder o controlo sobre este processo que é a eleição do candidato a primeiro-ministro. Pode-se fazer uma leitura contrária à pretendida. Há uma abertura, mas o PS continua a olhar para o seu umbigo. No fundo, as primárias do PS converteram-se num mero casting e uma passagem de personagens e sorrisos cativadores.
Nas próximas eleições autárquicas vai haver primárias para a escolha dos candidatos a presidente de Câmara?
Estas primárias no PS foram tão livres que os cidadãos utilizaram-nas para castigar a fraca oposição feita por António José Seguro e os militantes socialistas para chegar de novo ao poder e distribuir lugares. Não foi um voto ideológico mas mais exótico de gente que aproveita para passar facturas.
A política portuguesa só sairá deste lodaçal em que se encontra se passar pela iniciativa dos cidadãos com mais democracia, menos colonização dos partidos e do aparelho do estado.
Os cidadãos devem estar atentos e serem mais exigentes com os políticos e as políticas que executam. Se este PS for igual ao que governou antes do governo PSD/CDS , torço o nariz. Acabou o tempo de passar cheques em branco e acreditar no inacreditável.
JJ
*artigo de opinião publicado no PT Jornal