18/01/2013

Conferência Reforma do Estado para meditar...

A conferência sobre a reforma do Estado supostamente aberta à sociedade civil tem verba paga pelo Estado. O espaço onde decorreu a conferência , o Palácio Foz pertence ao Estado e foi cedido para a iniciativa . O mesmo aconteceu com elementos do portal do Governo e os equipamentos de som e de imagem. Houve restrições à cobertura da comunicação social

Vou fazer um desabafo de quem faz conferências, debates , tertúlias, chamem-lhe o que quiserem, no Clube dos Pensadores . Para mim são debates de ideias abertos a todos os cidadãos que desejem estar presentes : ricos ou pobres, governantes ou cidadãos , licenciados ou não licenciados , empresários ou trabalhadores , aposentados , desempregados, jovens ou velhos , de direita ou de esquerda , etc. Não há gente de primeira e de segunda ,somos todos iguais e tratamo- nos pelo nome.

No Clube dos Pensadores temos um espaço digno num hotel com lugar para os presentes e para a imprensa poder desenvolver a sua actividade como quer e entende. O debate é aberto à comunicação social , sempre com direito a questionar o convidado no fim do debate .

Evidentemente que estas regras são previamente combinadas e aceites pelo convidado , podendo haver alguns ajustamentos e readaptações. Depois os debates são transmitidos online para quem o quiser ver e ouvir.

Há som , há Internet disponível , há imagens ...

A sociedade civil ( a verdadeira) assiste (gratuitamente e sem inscrições prévias ou controladas) ao debate e tem imenso tempo , cerca de uma hora, para questionar o convidado , sem censura ou perguntas combinadas e da forma que acha melhor com educação.

O Clube nunca teve , não tem , nem terá apoios públicos .

Sinceramente,às vezes,penso: como é possível fazer tudo isto com parcos recursos?

Mas consegue-se com muito sacrifício,estoicismo e imaginação.

Desculpem a imodéstia , eu gosto do Clube dos Pensadores e é uma marca pelo que faz e pelo respeito que tem aos cidadãos e poder-lhes dar voz.

Ao ler e saber desta conferência cada vez tenho mais orgulho no que faço e de quem me acompanha.

Obrigado,

JJ

A ENCRUZILHADA


Daniel Braga 
Perante o rumo que tudo isto está a tomar, perante as incertezas das políticas económicas aplicadas e face a uma luz ao fundo do túnel que tarda em aparecer, começa a ser imperioso uma espécie de hara-kiri político contra o procedimento dos partidos e a sua atitude muito autista e muito virada para si mesmo, como que vivendo num outro limbo que não aquele onde todos vivemos com as dificuldades que sentimos e aquelas que se aproximam a uma velocidade célere muito por culpa das novas medidas implementadas para 2013, nomeadamente no que se refere à repartição por duodécimos de metade dos subsídios e às novas tabelas de escalões do IRS. Portugal encontra-se numa encruzilhada em que o meteram durante décadas e para o qual não se vê solução à vista.
Culpados todos sabemos quem são, tendo durante muito tempo a ideia que seríamos um autêntico el-dourado, onde gastar e esbanjar sem critério seria ponto de ordem, Fizemos disparates do arco-da-velha, construímos um CCB, estádios de futebol, um Parque das Nações, auto-estradas em multiplicidade crescente, quisemos fazer novos aeroportos e um TGV e aperfeiçoámos as escolas através de um elefante branco chamado Parque Escolar.
Entretanto outros elefantes brancos de cariz ainda mais grave se tomaram conhecimento - as célebres PPP´s – com gravíssimas consequências para o País. E que medidas se tomaram para obstar a que o País saísse deste verdadeiro desvario em que se transformou no período pós-troika e perante os disparates calamitosos ao longo de largos anos? As medidas mais fáceis de implementar que foi exercer um poderoso garrote no orçamento das famílias através da supressão dos subsídios e do “enorme aumento de impostos” viva voz anunciado pelo próprio Vitor Gaspar, que se traduziu em autênticos sufocos para as famílias que num ápice se viram colocadas perante situações de enorme desassossego financeiro e sem ferramentas para fazer face a ele.
É certo que vivemos todos debaixo do cutelo do “Memorandum da Troika”, em que as condições impostas para o financiamento nos obrigam a ceder e a seguir perante determinados pressupostos de contenção despesista. Mas esse facto não implica que se imponham apenas medidas de sentido único penalizando quem menos pode e não de ataque ao verdadeiro “monstro” que é a despesa do Estado. Um verdadeiro crescimento e desenvolvimento económico não se conseguem quando toda a economia do País e das famílias se encontra totalmente ostracizada e em recessão permanente.
Portugal e as empresas precisam de incentivos, as famílias necessitam de um maior desafogo financeiro para que a economia possa rolar e crescer de modo que se consiga novamente que os mercados confiem em nós e Portugal retome a mais breve trecho o seu ritmo de crescimento e desenvolvimento numa simbiose de fé, crença e confiança em nós próprios. Nem que para isso troquemos de políticos. Nem para para isso sejam necessárias outras políticas. Para bem de todos, para bem do País.

17/01/2013

Selecção JJ - The Whispers - Turn Me Out


JOAQUIM JORGE na RTV


Há uma página no Facebook Visão Alternativa
Programa na RTV com Joaquim Jorge e Paulo Pereira - 5ªfeira : 23:30 -Canal 193 da ZON - Canal 19 da CaboVisão ou online www.rtv.com.pt
Programa de TV

Análise política

Há frases que se dizem que deixam perceber o que vai na cabeça das pessoas . Pedro Passos Coelho afirmou: « estamos condenados a ser bem sucedidos no processo da reforma.». Este tipo de discurso deixa antever o já propalado, «custe o que custar» , « a única coisa que se pode fazer». Esta reforma do Estado não pode ser feita em cima do joelho e apressadamente e depois vê-se,  ou como diz Jorge Sampaio para inglês ver ( troika).

Não podemos manter esta realidade de sofrimento e de tristeza , temos que tentar transformá-la. Deve e tem que haver outro caminho, com mais tempo e de outra maneira. Só se fala em mandar para a rua funcionários públicos, mas deixou de se falar de cortes nas despesas com a máquina do estado extra- pessoal.

De acordo com os dados da Direcção-Geral do Orçamento, as despesas de pessoal na administração directa, institutos públicos, regional, local e segurança social representarão no final deste ano 15 mil milhões de euros, menos 14% do que em 2011 ( em 2012 deve ter ainda diminuído mais). Enquanto isso, as aquisições de bens e serviços – viagens, telecomunicações, serviços de segurança, etc – atingirão os 22 mil milhões de euros, ou seja, mais 17% do que em 2011( em 2012 não há sinais que tenha diminuído ,infelizmente aumentou).

O custo de uma reforma ,com esta amplitude pondo em causa tudo que se vinha dizendo e feito ao longo da nossa democracia , será demasiado profundo e com consequências demasiado prolongadas e imprevisiveis. Vai haver muitas tensões sociais, porque os cidadãos vão piorar as suas vidas do dia-a-dia. Com este feroz plano de austeridade não se pode cair em complacência , temos que lutar contra este monolitismo exacerbado e propor outras alternativas: redução do peso do Estado mas não somente à custa das pessoas, possibilidade de rescisões de funcionários de uma forma digna e humana.

Apesar de PPC dizer que vamos sair em 2014 desta recessão resultado de uma queda significativa das taxas de juro em leilão da dívida pública , por outro lado a Alemanha começou a soluçar e o principal destino dos bens portugueses vão deixar de o ser.

A crise chegou à Alemanha e como diz o Jornal Público , o único motor que tem estado a carburar em Portugal está a começar a gripar. Deste modo Portugal é uma carro a acelerar em ponto morto. O carro não sai do do local onde estava.

Os portugueses seguem suportando o empobrecimento sem limite de tempo.

JJ

Bento XVI tem uma ideia medieval do papado

Mário de Oliveira 
 Quando se concluiu o Concílio Vaticano II, H. Küng desencadeou um movimento histórico na Igreja por um maior engajamento na vida quotidiana do povo de Deus, a chamada massa dos fiéis. Surgiu uma nova sensibilidade pela justiça e pelos direitos individuais na Igreja, que iria crescer para 1 bilião de católicos em todo o mundo, com missões de activismo em muitos dos países mais pobres do planeta.

De volta à Universidade de Tübingen, Küng, natural da Suíça, e Ratzinger, que havia crescido na escuridão nazista da sua Alemanha natal, logo se viram em desacordo acerca das mudanças radicais na Igreja, num debate teológico que ecoaria em toda a Europa e a Igreja global.

Agora, durante o 50º aniversário do Vaticano II, Küng, um renomado académico internacional, e Ratzinger, conhecido como Papa Bento XVI, estão ainda mais em desacordo. Das muitas questões que os dividem, Küng vê a tentativa de conter a Leadership Conference of Women Religious dos EUA como um sinal de miopia, uma falha de visão. "Você não pode dizer que Joseph Ratzinger não tem fé", diz Küng. “Ele é absolutamente contra a liberdade. Só quer obediência". Faz uma pausa e acrescenta: "Ele é contra o paradigma do Vaticano II. Tem uma ideia medieval do papado". "Muitas irmãs norte-americanas, agora atacadas, são mais instruídas e mais corajosas do que inúmeros clérigos homens", sublinha, com naturalidade. “A Cúria Romana está a tentar tudo para as condenar".
A lendária batalha intelectual entre Küng e Ratzinger reflecte as divisões na Igreja em geral. Sua separação começou logo após o Vaticano II. Durante as revoltas estudantis de 1968, Ratzinger ficou horrorizado, quando os estudantes irromperam na sua sala de aula. Nesse mesmo ano, a encíclica Humanae Vitae, do Papa Paulo VI, que condena o uso da pílula contraceptiva  esbarra com enormes protestos de leigos, teólogos como Küng e até mesmo bispos dispersos. Ratzinger virou para a direita, abraçando a continuidade institucional. Küng atacou a infalibilidade papal, como um acidente da história, desprovida de significado teológico genuíno.

Küng vê a crise dos abusos do clero e a repressão contra a organização das lideranças das irmãs norte-americanas como sintomas de uma estrutura patológica de poder. Na sua opinião, o impacto sobre a autoridade moral e as finanças da Igreja é uma crise que rivaliza com a Reforma Protestante.

Ao contrário de Ratzinger, Küng tornou-se um teólogo amado e altamente influente com um grande fluxo de escritos, incluindo um livro crítico sobre a infalibilidade papal. O Vaticano reagiu com uma investigação doutrinal e a suspensão da licença de Küng para ensinar teologia em 1979. Mas na Universidade de Tübingen, uma instituição pública que remonta a 1477, Küng tinha segurança no trabalho. Ainda como padre, ele se tornou um pária para os católicos ortodoxos e um herói intelectual para os fiéis em geral, enquanto continuava a publicar e a falar publicamente.

Enquanto os processos da congregação doutrinal alvejavam mais teólogos, como o norte-americano Charles Curran e o brasileiro Leonardo Boff, Küng comparava Ratzinger ao Grande Inquisidor de Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski – o sinistro monge que diz a Jesus que as massas devem ser subjugadas por superstição, para que a religião mantenha o seu poder.

Na edição francesa do seu novo livro, A Igreja ainda tem salvação?, Küng garante: "A Inquisição Romana continua a existir", com métodos de tortura psicológica e o uso de muitos manuais de coação nos dias de hoje". Ao mesmo tempo, anuncia sua aposentação, para este ano, 2013, quando completa 85 anos. Entretanto, a sua casa forrada de livros de Tübingen continuará a hospedar a fundação que ele lançou. Para um homem de um idealismo tão feroz, a sua presença é um retrato vivo de serenidade.

16/01/2013

Selecção JJ - Diana Krall - So Nice (Live In Rio)


Reforma do Estado

Procurar fazer uma Reforma do Estado sem ouvir verdadeiramente os cidadãos portugueses mas de uma forma capciosa alegando que estão a fazer um debate com a sociedade civil sem o ser na verdade , mostra que este governo perdeu o norte e está à deriva .

Por vezes o melhor é estar quieto e nada fazer do que fazer mal feito.

Fazer um debate com a sociedade civil com gente foi escolhida a dedo , não permitindo a captação de imagens e som nem citações dos oradores sem autorização! Não é debate nenhum só para enganar  e iludir a sociedade civil.

Quando há o direito de acesso concomitantemente deve haver o direito de informar. De outro modo há censura.

Depois para mim a mais importante , não pode assistir a este debate sobre a  Reforma do Estado qualquer cidadão. As inscrições eram só por convite , houve gente que recebeu email e ficha de inscrição.

Mais valia não terem feito nada. Se querem discutir a sério a Reforma do Estado é preciso algum tempo , não se mudam as coisas do pé para a mão . Depois estamos a falar de uma reformulação total de direitos dos cidadãos e expectativa em relação ao contrato estabelecido com quem trabalha.

Os cidadãos têm o direito de participar na vida pública , ser esclarecidos acerca das decisões do governo. A única forma que vejo mais correcta é fazer-se um referendo ou por iniciativa dos deputados ou por uma grupo de cidadãos ( artigo 167º da Constituição).

Acho um assunto desta dimensão , dever ser discutido por todos e com todos os portugueses , e não desta forma leviana.Este assunto da Reforma do Estado  é uma questão de relevante interesse nacional

Muitas perguntas que se devem fazer e pôr aos portugueses:

Que Estado queremos? Que serviço público queremos? Queremos manter a escola e saúde pública tendencialmente gratuita ? O que é preciso fazer para manter um serviço público digno e equitativo?
Etc.?

JJ

Sociedade civil

O governo quer pôr a sociedade civil a debater a reforma do Estado e o corte de 4.000 milhões de euros .  Pedro Passos Coelho pediu a Sofia Galvão ( não sei quem é) para o fazer.

Isto deu numa conferência de dois dias fechada , tendo como pano de fundo mobilizar a sociedade civil.

Especialistas da sociedade civil  vão dizer onde se deve cortar na despesa do Estado ( educação, saúde, segurança social, defesa, etc.) e fazer o diagnóstico  . Para isso convidaram Guilherme d´Oliveira Martins ( presidente do Tribunal de Contas), Vítor Bento ( conselheiro de estado),Gomes Canotilho ( constitucionalista), Augusto Mateus ( ex-ministro da Economia),Alexandre Relvas ( empresário) , entre outros.

Sinceramente , com todo o respeito por estas pessoas mas estes senhores não representam a sociedade civil ! Estão no poder , já estiveram no poder ou querem ir de novo para o poder.

Depois um debate de ideias deve ser transparente e aberto a toda a gente incluindo imprensa. Um debate fechado parece que se quer esconder alguma coisa. Aprendam alguma coisa com o que se faz no Clube dos Pensadores. 

Fala-se muito em sociedade civil mas a sociedade civil é algo muito complexo, não deve haver a veleidade e a ousadia de achar que há alguém que a  representa.

Está na moda falar-se em sociedade civil . A sociedade civil é algo que diz respeito aos cidadãos , às suas relações entre si.

Os convidados para este tipo de debate não podem ser escolhidos a dedo : os que estão com este governo ou oposicionistas bem-comportados.

A verdadeira sociedade civil não está representada nesta conferência . Num debate de ideias tem que haver contraditório e opiniões contrárias . Um discussão desta dimensão não pode ser feita em dois dias... Ouvir pessoas que estão a ser penalizadas por esta crise, etc.

Os políticos actualmente são como os policias que controlam o melhor ponto de tráfego para multarem. isto é , procuram estar onde está a sociedade civil , mas para a usarem em proveito próprio.

A sociedade civil é algo muito difícil de se representar, é uma massa heterogénea de pessoas que tem por finalidade o bem-comum . Eu como cidadão não me sinto representado por estes senhores. 

Qual a proposta do governo ? Eu sinceramente não sei qual é ? Para se saber a opinião da sociedade civil , deve fazer-se um referendo ou começar já  a utilizar as plataformas digitais como Facebook , Internet e outras para ouvir a opinião de cada cidadão e não por interpostas pessoas.

Respeitar a sociedade civil é dar-lhe liberdade de pensamento e expressão , e não , falar em nome dela.

A politica e as decisões que nos interessam a todos parece algo que só ao alcance de alguns , os mais influentes: universitários ( cultos aparentemente), conhecidos ou com amigos na imprensa . E as outras pessoas? O comum dos cidadãos?

Já falo nisto há 7 anos , desde que fundei o Clube dos Pensadores , a vida politica portuguesa necessita de uma profunda regeneração em vez de estratégias oportunistas como esta em falar-se em nome da sociedade civil.

Não dignifica a politica falar-se de sociedade civil desta forma e fazer-se constar que se vai realizar um amplo debate com a sociedade civil quando sabemos que esse debate é reduzido a uma minoria e sem representatividade civil.

A sociedade civil não é controlável nem se pode reduzir...


JJ

15/01/2013

Selecção JJ - Diana Krall - The Look Of Love


Artigo de opinião no jornal Público

O PROTESTO EM MUDANÇA

 A duração e a dureza desta crise económica empurrou milhares de cidadãos para a rua por variadas razões : desemprego , perda de direitos , etc. Mas a mais importante é que o protesto é a única forma de se conseguir mudar este estado de coisas.

Com o protesto de 15 de Setembro parou-se a TSU e tem-se conseguido algumas conquistas em diversas áreas. Os cidadãos mostram-se indignados e já vêm alimentando este clamor há algum tempo de diversas formas. Este grito de revolta está a acontecer por sectores: estivadores, médicos , professores , militares, etc.

Este estado de espírito já vem do tempo do governo de José Sócrates , por cortes sistemáticos e falta de expectativas . Este clamor tem uma novidade : é transversal e vê-se na rua pessoas de todos os estratos sociais , ex-classe média e muitas pessoas que votaram PP ou PSD.

No fundo é um cocktail explosivo de gente de todas as classes , idades e profissões ,pois trata-se de um movimento social difuso com um sentimento de indignação profundo pela deterioração económica e social, que enfrenta um poder politico cada vez menos representativo.

Por outro lado este movimento social já percebeu e está a tomar consciência que para melhorar as coisas já não chegam os partidos , sindicatos e instituições.

As pessoas não se sentem representadas , este é o sentimento de desencanto da sociedade . Mas também acham que para além de protestar é preciso apresentar soluções e dizer que há alternativas que se podem pôr em prática para melhorar as coisas sem que seja excessivamente pesado para a sociedade, assim como atenuar determinadas medidas inevitáveis.

A manifestação de 15 de Setembro mostrou que há uma necessidade imperiosa e urgente de mudar o sistema político. As pessoas não se revêem nestes dirigentes partidários e querem mudança, para quem os governa ou tem a responsabilidade dos destinos do país. Foi um sinal e apontar um caminho , a sociedade está pior que há ano e meio e os cortes vão chegando aos pilares intocáveis do Estado: as bases do estado social , saúde, educação , pensões e desemprego.

Depois de cinco anos de crise económica a situação é insustentável para cada vez mais gente . A instituição família tem sido o sustentáculo de não haver maior descalabro , funciona como almofada , para ajudar os parentes numa entreajuda exemplar.

Parte do ajuste para reduzir o défice está realizado mas agora querem fazer uma purga no sector público.

O descontentamento grassa , fica-se com a sensação que o descontentamento é de toda a gente menos do governo. Tem-se a firme certeza que a austeridade não é repartida por todos , uns poucos ganham cada vez mais , ao contrário da maioria que está cada vez mais pobre.

O sistema político está manietado por interesses económicos e há uma grande frustração de muitos que votaram no PP e PSD convencidos que tinham a chave para a saída da crise.

A situação está-se a agudizar , à medida que a crise vai afectando cada vez maior número de pessoas , há uma tomada de consciência que é preciso fazer algo, porque não há elementos que nos façam pensar que isto vai melhorar , antes pelo contrário.

A democracia representativa está a falhar redondamente e a crise nos partidos é também um dos elementos que está na base destes protestos.

O protesto recruta cada vez mais sectores da população tradicionalmente menos activos , tanto jovens , como adultos e idosos.

A base de apoio da coligação governamental PSD/PP está-se a esfumar rápida e de forma contundente .

Umas das novidades a reter das sondagens é a queda de popularidade do governo ( PSD/PP)que não se traduz na ascensão do principal partido da oposição ( PS):

O ano de 2013 será de grandes conflitos e de perdas de peso dos partidos políticos e a porta está aberta aos extremismos .

Todos estes protestos e mobilização de rua não vão ter retorno e está na forja um novo modelo de sociedade.

Este despertar das pessoas mostram que tem toda a razão,porém é uma miséria de razão.

Este governo não tem remédio é uma carcaça dos pés à cabeça. Viver actualmente é resistir e uma das formas de resistir é a capacidade de indignação, criar novas de formas de protesto.e de reivindicação.

Como diz Stéphane Hessel é preciso « uma verdadeira insurreição pacífica»

Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores

OE 2013: Tribunal Constitucional, para quê?

Mário de Oliveira 

Já nem o cantar das Janeiras aos chefes se safa!

Quando é que, ser agente de Poder, começa a ser visto pelas populações como sinónimo de ser algoz, carrasco, pior ainda, se ele veste de hipócritas falas e maneiras, como acontece, hoje, com a generalidade dos profissionais do Poder, digam-se eles, ateus ou crentes?!
Já nem o tradicional Cantar das Janeiras ao chefe de estado, Aníbal, e ao chefe de governo, Pedro, se safa. Até ele embarcou, este ano, na farsa, e desperdiçou uma belíssima ocasião para ter ficado em casa. Se não havia audácia para cantar as Janeiras e, no final, serem todos presos, ou, pelo menos, expulsos para a rua pelos seguranças, por, a cantar, dizerem a verdade em que se encontra o nosso país, ficassem, pelo menos, em casa. Não fossem aos respectivos palácios do Poder, que, desde o dia 1 de Janeiro, está a executar o Orçamento do Estado (OE), e, com ele, a empobrecer e a assassinar as populações e a dar cabo do país, fazer de bajuladores figurantes, sem um pingo de dignidade, muito aquém dos antigos bobos da corte que, a rir e a cantar, diziam as verdades mais cruas e duras aos do Poder.

Quando nem o Cantar das Janeiras tem audácia, quem a vai ter? O chefe de estado, Aníbal, que enviou o OE para o Tribunal Constitucional, para que ele o vete, porque é um péssimo OE, mas depois dele próprio, chefe de estado, o ter aprovado e feito publicar às pressas, para, assim, entrar em execução, logo no primeiro dia do ano a que diz respeito? Não nos façam de estúpidos!
A este seu incrível gesto político que empobrece e mata as populações e transforma o país num deserto sem vida, sem pão, sem escolas, sem famílias, sem cuidados de saúde, sem flores, sem sorrisos, sem festa, sem livros, sem poemas, sem danças, numa palavra, sem cultura, juntam-se-lhe sucessivamente outros gestos políticos idênticos, desde logo, da parte dos chamados partidos políticos da Oposição com cadeiras na AR, carregados de mordomias, das quais não abdicam. Uns, com mais dúvidas sobre a constitucionalidade do OE; outros, com menos dúvidas. Todos, porém, aparentemente preocupados com os seus lugares de privilégio, no actual momento, e nos momentos que se lhe seguirem. Já que o momento presente está a rebentar por todos os lados e a navegar a grande velocidade em direcção ao abismo. Parece, assim, que estão preocupados com as populações; na verdade, estão preocupados com o próximo futuro deles e das suas organizações partidárias.

Nunca um tal espectáculo se viu neste país, a abarrotar de templos e de altares, de senhoras de fátima, senhoras das vitórias, senhoras das dores e até senhoras da boa morte. Primeiro, aprovam o OE que legitima o genocídio nacional, para ele poder entrar em execução, logo no primeiro dia do novo ano, e vão, depois, todos a correr ao palácio dos juízes do Tribunal Constitucional, para que eles o declarem inconstitucional e, consequentemente, impeçam a sua execução, tal como ele está já aprovado, publicado e em execução!... Entretanto, suas excelências, os senhores deputados dos partidos da Oposição, continuam, com a sua permanência na AR, a legitimar um OE que, só formalmente, não aprovaram, mas que acabou aprovado pela maioria dessa mesma AR, depois, assinado pelo chefe de estado, Aníbal, enviado por ele para publicação no Diário da República, e está já em vigor desde o dia 1de Janeiro.
São, ou não são cúmplices da maioria parlamentar que está de cócoras, perante a alta finança europeia e mundial, mascarada de Troika, que não só executa todas as ordens que ela lhe dá, como ainda vai além das ordens que ela lhe dá? Que legitimidade tem uma AR que comete este nefando crime político, como é o da aprovação do OE 2013? 

Contribuir para o seu regular funcionamento, mesmo na chamada Oposição, não é o mesmo que legitimar o intolerável?
E de que serve o Tribunal Constitucional? Não é um órgão de Poder, no caso do OE, até, de Poder absoluto e definitivo? Os seus juízes não têm, também, mordomias a defender, lugares a manter, prestígio a preservar? Em 2012, não viabilizaram eles a execução, até final do ano, do OE que eles próprios declararam inconstitucional? Por que carga de água, hão-de ser diferentes este ano? E mesmo que o venham a ser, que consequências positivas para as populações sacrificadas/crucificadas ao Deus da alta finança, traz, com ela, essa sua decisão política absoluta e definitiva? A máquina devoradora do Estado não vai prosseguir, imparável, no seu apetite sem freio? Por que somos assim tão politicamente crédulos, ingénuos, messiânicos? Numa palavra, tão cristãos, religiosos, uns, laicos e ateus, outros?!

Não vemos que só seremos um País, plenamente humano, quando crescermos de dentro para fora em sabedoria e em práticas económicas e políticas maiêuticas, sem darmos quaisquer oportunidades à alta finança de interferir nas nossas vidas?
Quando é que todos quantos, elas e eles, se têm na conta de mais desenvolvidos e de mais preparados, resistem aos lugares de Poder, nalgum dos três poderes em que ele historicamente subsiste e, em alternativa, decidem tornar-se mulheres, homens orgânicos entre as populações e com elas, para que o Poder, pura e simplesmente, desapareça, por falta de servidores?
Quando é que, ser agente de Poder, começa a ser visto pelas populações como sinónimo de ser algoz, carrasco, pior ainda, se ele veste de hipócritas falas e maneiras, como acontece, hoje, com a generalidade dos profissionais do Poder, digam-se eles, ateus ou crentes?!

14/01/2013

Austericídio

Vivemos numa época zumbi de austeridade , poderíamos chamar-lhe  austericídio , que está a deixar uma trilha de cadáveres pelo caminho ( classe média e os novos pobres ). Nunca mais se devolve a esperança de uma eurozona hipnotizada por esta filosofia económica de austeridade férrea , masoquista e deprimente.

Já fizemos alguns progressos mas parece que os sacrifícios nunca mais tem fim  e os governantes actuam de uma forma catatônica esquecendo-se literalmente dos portugueses.

Vivemos num estado de negação,em que se só vê pó, fumo, nada, numa sensação de final dos tempos. A crise em Portugal está a ser muito sofrida pela classe média , não os ricos, banqueiros e políticos.

A política enferma de excesso de cacofonia e discursos retóricos em vez de irem directamente ao assunto com eficácia . Governar mais , aparecer menos e falar menos.

Não se vê avanços , vê-se por outro lado uma eternização de um défice alto ( + 3%) e os efeitos deste austericídio fazem-se sentir de uma forma violenta e dolorosa ,não havendo maneira de se sair desta politica  " todavia continua" sendo decepcionante tudo que observamos não conseguindo livrarmo-nos da constante ansiedade, inquietação, medo. É preciso parar esta austeridade em espiral recessiva!

O tempo ajuda a ver melhor as coisas e os problemas mas também permite corrigi-los . Se este governo não corrige e não tem solução , passa a fazer parte do problema . A política não pode ser a arte da passividade , do faz de conta , do ensimesmamento e do receber ordens da Alemanha.

Temos que ensaiar uma nova democracia , com um novo modelo  , mais  versátil  e sem dogmas.

JJ

Joaquim Jorge na RTV 10/2013

13/01/2013

"MAIS OU MENOS..."

Hercília Oliveira 

A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa cidade mais ou menos.
A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos,e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro e até ter um governo mais ou menos.....
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...
Tudo bem....!
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...,é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos,namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos e acreditar mais ou menos.
Senão, a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.

"Chico Xavier"


Crónica do Brasil

Antonio Jota 

Ruy Stievano

Dentro do recinto enorme, fui recebido por uma funcionária eficiente, que me acomodou numa saletinha. Procurei, no sofá aconchegante, o lugar mais próximo da enorme pilha de revistas. Folheava-as enquanto esperava Ruy Stievano para uma entrevista sobre Tiro Esportivo. Conheço-o há dez anos, mas apenas de ouvir falar. E os boatos recorrentes dão conta de um sujeito difícil.  ‘Ai meu Deus como é que eu vou abordar esse homem’, pensava eu enquanto folheava as revistas.
De repente, numa das revistas, a Veja, me aparece Michel Temer revelando-se poeta. Poeta? Como é que eu não sabia disso?! Pois é... Poeta de versos apimentados! A ele ninguém chama de imoral. Quanto a mim, coitado de mim, não posso nem abrir o bico. Se divago por um corpinho definido, bronzeado, salgadinho pelas privilegiadas maresias, o mundo simplesmente desaba sobre mim!

Então, depois de um tempinho, veio um funcionário e me conduziu a sala do chefe que, falando ao telefone, entendeu-me à mão enorme e pesada. Encaixei a minha na dele e pensei em quão importante seria a primeira impressão: apertar mais a mão, apertar menos, espalmar mais a minha dentro da dele...? Como fazer tudo da melhor forma? Fiz tudo direitinho, pesado e medido, conforme imaginei adequado à ocasião.
Ele desligou o fone, atendeu rápido o celular, aplicou comandos no laptop, pediu desculpas e nos apresentamos. Agradeci por receber-me entre suas tantas tarefas, e fomos como que nos reconhecendo. Em pouco tempo, quem nos visse, dir-nos-ia grandes amigos, tão rápido travamos camaradagem.

Fiquei impressionado com o contraste entre o Ruy da boca do povo e o Ruy real, ao vivo e a cores, ali na minha frente. Um homem expansivo, confiante e ar de quem protege a si e aos seus. Franco, jamais reticente, gestos largos, tipicamente de ascendência italiana e, como eu gosto de adjetivar os grandes homens: um verdadeiro sangue azul! Pena que esse tipo de homem pouco se interesse pela política.   
Eu, literato de formação, tentava encarnar o jornalista, indagando-o e extasiando-me: “Um atirador de tiro esportivo, Jota, não é um puxador de gatilho, é um atleta”.
Fustiguei-o sobre outros temas, fugindo do Tiro Esportivo, já que o próprio Ruy não permitiu gravação, alertando: “Primeiro vamos conversar; calma!” Pesca – e sobre pesca? “Pesco no Mato Grosso, que é um lugar extraordinário. Construí a Pousada Mucuripe no meio da selva amazônica’. Caça: ‘No Brasil é proibida; caço no Uruguai’.

O grande e agradável Ruy Stievano concedeu-me longa entrevista (daria para escrever um livro), avisando: “Veja lá o que você vai escrever. Só estou fazendo entrevista porque minha tia intercedeu e para divulgar o Tiro Esportivo”. Obrigado Ruy e Odete Stievano pelo presentão que inaugura meu registo de jornalista profissional (mtb 71.412). Estou bastante satisfeito.
Também estou tentando descolar uma estadia na Pousada Mucuripe, quando terminar a piracema. Lá tem tudo que o dinheiro pode comprara: campo de pouso, ar condicionado, água tratada, aves e animais silvícolas, muita água, muito peixe e diversão garantida; um verdadeiro paraíso no âmago do Brasil.

12/01/2013

Cavaco Silva

O Orçamento de Estado para 2013 (OE2013) foi enviado , dia 11 de Dezembro, para Belém, e o Presidente da República dispunha de oito dias para pedir a fiscalização preventiva da constitucionalidade. Não o fez quanto a mim erradamente.

O Presidente da República tinha , a partir do dia 11 de Dezembro, oito dias para pedir a fiscalização preventiva do Orçamento de Estado, ao Tribunal Constitucional (TC), que tem, em regra, 25 dias para se pronunciar.

Após receber uma resposta do TC, o Presidente tem então vinte dias para promulgar ou vetar o Orçamento. Se a instituição declarar a inconstitucionalidade das normas em causa, o Presidente da República está impedido de promulgar e terá que devolver o diploma ao órgão que o aprovou.

No caso de não ter dúvidas sobre a constitucionalidade das normas previstas no OE, o Cavaco Silva dispõe de vinte dias para decidir se promulga ou veta o diploma, até ao fim do ano.


Como sabemos Cavaco Silva promulgou o OE 2013 em 28 de Dezembro e a seguir pediu a fiscalização sucessiva de algumas normas.

Sinceramente não entendo! Diz uma coisa e faz outra . Isto é, deveria ter exercido o seu magistério de influência no governo e na AR para expurgar as normas que considerava inconstitucionais. Porém não o fez , no seu estilo «alerto , falo mas não faço» , deixou as coisas correr...

Cavaco vem agora alertar para diferenças de tratamento entre trabalhadores do sector público e do privado... Referindo que os cortes nos subsídios e pensões são autênticos impostos de classe. Em relação às pensões , Cavaco Silva é pensionista e parte interessada , daí relativizar o que diz.

Evidentemente que há a ideia de desigualdade inconstitucional entre várias categorias sociais e profissionais e isso é grave.

Mas também muito grave é o PR saber disto e nada ter feito atempadamente. Por uma lado concorda ( promulgou o OE , em vez de o vetar) , por outro lado,nada fez antes do OE ser aprovado para retirar as normas inconstitucionais . Por fim pediu a fiscalização sucessiva do documento .

O pais precisa de gente decidida e não que faz de conta. Se temos este tipo de exemplo para todos os portugueses , como podem os portugueses serem diferentes?

O PR não tem competências para governar mas jurou a Constituição e entre outras coisas pode presidir ao Conselho de Ministros,quando o Primeiro-Ministro o solicitar. Pode dirigir mensagens à Assembleia da República , no fundo ter um magistério de influência para o bem de Portugal ,sem se imiscuir nos assuntos governativos

Tendo em conta a situação de emergência e de calamidade social , era isso que deveria acontecer .

Todos juntarem esforços e remar para o mesmo lado. Além disso Cavaco Silva já foi Primeiro-Ministro , deveria pôr ao serviço de outros governos a sua experiência governativa.

Cavaco Silva infelizmente assobiou para o ar. E, sinceramente não sei para que temos PR!

JJ

O que o relatório do FMI mostrou

Quando ouvi pela primeira vez falar do relatório do FMI fiquei boquiaberto e até com uma ponta de revolta tal a forma como foram anunciadas pelo radialista um conjunto de “ordens” do tal FMI.

Depois tive acesso ao original “RETHINKING THE STATE—SELECTED EXPENDITURE REFORM OPTIONS” e constatei que não era exatamente assim. Entretanto fui ouvindo vários responsáveis de todos os quadrantes e a maioria demolia o relatório, demonizando-o. O desejo de muitos era o de matar o mensageiro. Muitas vozes crispadas e outras pouco hábeis a lidar com o resultado do relatório.

Cheguei a algumas conclusões interessantes: (i) O FMI apresentou um relatório simplista e sem profundidade que seria reprovado se fosse feito por portugueses, mas como é estrangeiro e escrito em estrangeiro, vale uns milhões as 75 páginas, pese embora alguns rácios interessantes para começo de conversa; (ii) o Governo comunica mal com o país. E neste caso não há desculpa para que um responsável, um jovem secretário de Estado, tido como uma sumidade, gozar ao dizer que o relatório do FMI era excelente, com um cardápio de horrores, e, finalmente, (iii) um PS estridente, aos berros e com gritos de guerra que demonstrou que está a léguas de poder governar.


Quanto ao relatório do FMI, se preciso fosse algo para demonstrar que não são sábios nem pitonisas em oráculos gregos, este relatório é prova inequívoca. Fizeram um diagnóstico nos 12 dias que cá passaram e, a pedido do Governo, fizeram o relatório para que fosse considerado uma bíblia e eliminasse a discussão política, mas é superficial sobretudo na avaliação do diagnóstico e duvidoso na receita que propõe.
O Governo tem em mãos uma tarefa séria, que é ajustar as receitas do país à despesa, que teima em manter-se fora do que é considerado razoável. Só que estamos a viver uma crise profunda, com falta de confiança generalizada e numa espiral recessiva que se agrava a cada medida de austeridade proposta, seja pelo governo ou pelas troikas e UE. Neste quadro depressivo era suposto que o Governo, que não foi apanhado de surpresa, pois até marcou a conferência de imprensa, devia serenar o povo. O relatório é mais uma peça para nós percebermos o que temos e eventualmente que receitas podem ser tomadas. Tinha de reduzir o relatório à sua dimensão.

O PS, partido da alternância, em vez de ficar sereno e desmistificar soluções propostas no relatório, considerou como se o documento fosse um decreto lei aprovado pelo governo, sem perguntar a este se era.
O PS demostrou que também não está preparado para suceder a este governo, pois vai continuar a afundar ainda mais o país. É um dilema sem solução, ou uma impossibilidade matemática: um governo mau com uma oposição alternativa ainda pior.

O FMI utiliza rácios de despesas em percentagens do PIB, comparando situações de 2000 com 2010. É pouco sério fazê-lo, porque se a opção na Europa é por um Estado Social mais alargado do que é o estipulado na América, a sua manutenção conduz a uma percentagem do PIB que varia com o estado da economia, ou seja, em 2000 a economia portuguesa estava muito melhor que em 2010, logo, o custo do estado social era menor em % do PIB que em 2010, com uma economia débil, considerando custos iguais nesta manutenção. Outras receitas do FMI são primárias e conhecidas, que mostra que os técnicos não conhecem o país.
No entanto, é preciso fazer alguma coisa. Não adianta querer impostos baixos e ao mesmo tempo máximos benefícios sociais sem ter suporte financeiro. É pois aqui que se deve discutir sem ameias. Como financiar este sol na eira e chuva no nabal, eis a questão. E o PS não percebeu ainda que se ganhar as eleições, como se prevê, vai ficar atado às promessas irresponsáveis e populistas que está a fazer com a sua recusa em encarar o problema de frente. Pena que não perceba que não poderá cumprir e será castigado severamente antes dos 100 dias do estado de graça.

No essencial, ao contrário das receitas de excel do FMI, os cortes, quando tiverem de ser feitos, têm de ser seletivos e não a eito, sem critério que não seja reduzir, por reduzir. Aliás, o FMI mostra desnorte ao considerar que foi erro subavaliar a receita de austeridade e no entanto não aprende nada e receita mais austeridade, transformando Portugal numa China na Europa ou uma Albânia. Erro crasso.
Acrescenta-se austeridade e pobreza para resolver uma crise, que só vai-se agravar. Pode parecer que é razoável fazerem-se os cortes sugeridos para resolver o problema do défice, mas tal não é verdade. Neste momento cortar salários e benefícios é matar ainda mais a economia do país. Só o governo pode gastar mais e alavancar a economia, mesmo à custa de endividamento. Quando a economia arrancar, os privados farão o seu papel e o Estado idem, iniciando a cura de emagrecimento. Agora, fazer o que o FMI sugere, como tem feito, é matar o país. Estaremos cada vez mais pobres e sem volta a dar. E ainda por cima o Governo é teimoso.
Mário Russo




11/01/2013

Humor

enviado Por Celso Ricardo , membro do Clube ,de Gaia, a residir em Pernambuco , Brasil

Sondagem

Nesta  Sondagem se houvesse agora eleições o PS ganharia mas não de uma forma avassaladora . O problema dos portugueses e as suas interrogações são as seguintes: Quem vamos pôr no governo para nos governar? Ainda há pouco tempo esteve lá o PS e viu-se o que aconteceu! Que fazer?

A vida politica vive um nó górdio , em que não consegue desenvencilhar-se de uns e já tem outros à perna, que ainda há pouco tempo os mandaram embora.

Que venha o Diabo e escolha! O que se está a passar mostra as deficiências do sistema politico e vem à tona , os desejos dos portugueses quererem escolher os melhores , mas o sistema impõe-lhes o que os partidos querem.

No fundo a vida politica portuguesa é um silogismo. O portugueses querem bons governantes , os partidos é que escolhem os governantes , os portugueses têm que gramar esses governantes.

Esta é a triste conclusão...

JJ