08/12/2010
DEBATE EM PALAVRAS
Joaquim Jorge conseguiu na noite de ontem fechar o ano de atividades no Clube dos Pensadores com um convidado de peso: Mário Crespo, que dispensa apresentações dada a sua estatura de jornalista de peso no panorama nacional. Ainda assim JJ, à semelhança do que faz sempre no início dos debates, fez uma brilhante apresentação biográfica de Mário Crespo que revela por si só o seu estatuto de grande figura jornalística.
Mário Crespo começou por dizer que a apresentação era lisonjeira e que apenas teve a sorte de estar no lugar certo na hora certa e contou sempre com o apoio familiar, da sua célula mais importante nos momentos cruciais, em especial quando sentiu que não podia defraudar a sua consciência cívica e decidiu entregar um dossier à PGR sobra graves irregularidades no uso de dinheiros públicos por dirigentes da RTP, com as consequências que sabia que adviriam.
Salientou que a indiferença e a resignação são o pior que pode acontecer a uma sociedade e é o que sente estar a acontecer em Portugal.
A ausência de massas críticas é angustiante e tem contribuído para o estado letárgico que o país vive. Com efeito, aceitar com fatalismo o descalabro no sistema da educação não serve os interesses do país. Assistir-se à desagregação da célula familiar é outra das marcas que vivemos e que se sente a resignação. Deu o exemplo do facilitismo e da resignação generalizada, com poucas excepções, da falta de educação e princípios de civismo dos grafiteiros que conspurcam a “polis” diante da passividade de todos.
Relativamente ao sistema político, disse ser protecionista e uma tecnoestrutura que se reproduz para sobreviver e que tende a perpetuar-se no poder.
Salientou o fatalismo acrítico revelador de uma sociedade doente: um orçamento mau, que não serve os interesses do país, mas que tem de ser aprovado e pronto. Culpa toda a tecnoestrutura que domina o país, a começar por Cavaco Silva. Perguntou à plateia se alguém sabia quanto Portugal ia poupar com o orçamento que apresentou, tendo em conta o famigerado Orçamento, porque ele não sabia, nem ninguém sabe, tal a nebulosa e falta de clareza, de um documento feito em cima do joelho (digo eu). Para comparar referiu o caso da Irlanda que plasmou 8 MM de euros de cortes com uma clareza lapidar e sem margem a dúvidas, exatamente o contrário do que acontece com os “gordurosos” e indecifráveis documentos portugueses.
Ainda sobre os nossos políticos chamou a atenção para o aplauso frenético de Sócrates a apoiar o seu colega “socialista” Zapatero na medida que tomou contra os controladores aéreos, com o enquadramento em tribunal militar, retirando as garantias de um estado de direito, que não deslustraria como atitude de um Franco ou Salazar. Recordou Reagan em situação semelhante que apenas despediu 11 mil controladores, com os direitos que tinham e sem ameaças nenhumas (e era um homem de direita).
Mário Crespo foi contundente acerca do comportamento dos políticos que desde a adesão à CEE têm negociado de forma irresponsável o desmantelamento dos setores primários da nossa economia (aceitando cláusulas de salvaguarda… “de quem”?), ao contrário dos restantes países, e deu o s exemplos da PAC, aceitando receber grossa maquia em troca do aniquilamento da agricultura, ou o desfazer da frota pesqueira. Negociatas começadas no tempo de Cavaco como PM, que anuiu ao iniciou da nossa destruição como país produtor e que tem seguimento com Sócrates, que se prepara para aceitar mais dinheiro da UE em troca da redução da produção de leite nos Açores. Apenas dois dos exemplos de como se destrói um país e, ainda assim, não consegue compreender como é que fatalisticamente se dá com aclamação a presidência a uma figura que fez isto e tem alguma responsabilidade em fenómenos como o BPN. É uma anestesia da sociedade que leva a tão elevado grau de fatalismo e resignação.
Mário Crespo recordou a matriz que Hernâni Lopes mostrou num programa seu do que era preciso fazer para Portugal sair da crise, que não é mais que uma tábua de valores éticos e morais.
JJ perguntou a MC se ele achava que José Sócrates deveria ser demitido, ante o que se vai sabendo. Mário Crespo não perdeu tempo e disse que bastava aplicar a tábua de valores do saudoso Hernâni Lopes e havia uns 7 ou 8 motivos para o enquadrar e demitir.
Um debate vivido com emoção pelas pessoas que encheram a sala e um dos mais emotivos dos muitos bons debates no CdP. Mário Crespo ainda disse que sair da crise exige um líder carismático sério que as pessoas aceitem seguir, independentemente do negativismo que a imprensa nacional (sem imaginação, digo eu) brida diariamente os portugueses, aniquilando ainda mais a sua auto-estima.
Mário Crespo é um jornalista com coragem, sem dúvida, apesar de ele relativizar, mas é verdade. Basta ver a última crónica no JN, entre outras e o que acontece a todos os que afrontam o poder deste PS de Sócrates, dando o exemplo da pequena emrpesa de consultoria de Medina Carreira que trabalhava para algumas empresas públicas, que deixou de trabalhar, apenas por ser uma voz avisada e incómoda. É esta a liberdade “camuflada” que se vive e não é de admirar que Paulo Rangel tivesse falado, e bem, da claustrofobia democrática, no Parlamento, ante a “alergia” manifestada pela Nomemklatura.
JJ fechou o ano com chave de ouro, porque Mário Crespo representa bem o espírito de independência que é a marca do CdP.
Mário Russo
*novo acordo ortográfico
PROGRAMA DE RÁDIO - CLUBE PENSADORES
Os temas para esta emissão serão : o último debate do clube em 2010, com Mário Crespo. Jantar/convívio do CdP aberto a todos.
Há um espaço que os interessados poderão entrar em directo no programa de rádio :
1 – via telefone fixo através do número 22 9381756
2 - via telemóvel : 91 6842604; 96 2960423 ; 931871053
No blogue , os comentários dos internautas serão lidos e tidos em conta para a discussão.Esta emissão estará disponível online a partir do site http://www.rcmatosinhos.com/online.aspx ou 91.0 no seu rádio
Clube dos Pensadores
07/12/2010
ÚLTIMO DEBATE 2010
O Clube dos Pensadores ( CdP) vai fazer o seu último debate de 2010 ,com a presença de Mário Crespo esta terça-feira, dia7, pelas 21h30 no GaiaHotel,
O tema em agenda será «Balanço do Ano Político» . Será uma conversa entre Mário Crespo e Joaquim Jorge que modera o debate como habitualmente . Aguarda-se uma enchente atendendo à qualidade do convidado e o dia seguinte ser feriado.
Joaquim Jorge aproveitará para questionar Mário Crespo sobre a liberdade de expressão e o ambiente na imprensa. Procurando obter a opinião sobre os momentos mais marcantes deste ano que vai findar. A sua percepção do que se vai passar a nível governamental e do país.
Estará de reserva uma sala em vídeo-conferência, além da sala principal, para todos poderem estar devidamente acomodados.
Para quem não puder deslocar-se ao GaiaHotel , poderá ver a partir do blogue http://clubedospensadores.blogspot.com em directo . Há muita gente interessada quer em Portugal quer no estrangeiro.
Joaquim Jorge, fundador do CdP tem um novo livro que será apresentado em Janeiro por uma figura de grande relevo nacional. O livro é uma análise critica do primeiro ano de legislatura do governo de José Sócrates.
CdP
TEIXEIRA DOS SANTOS , FIRME
06/12/2010
FERIADOS II
Há tempos as deputadas do PS , Maria Rosário Carneiro e Teresa Venda anunciaram a intenção de propor a eliminação de quatro feriados e transferir outros de forma a inviabilizar as pontes.
Agora volta-se a falar na redução de feriados ou a sua alteração para se evitar pontes , e daí, mais dias de trabalho para ajudar a produzir mais.
Em Portugal existem treze feriados a que se juntam , por regra, mais três ( Carnaval, feriado municipal e tolerância de ponto no Natal ) . Não acho em demasia , noutros países , por exemplo na Suíça são nove , Espanha dez e noutros países europeus andam à volta desde número , tirando outros motivos. Nos países sul-americanos , em alguns países chegam aos vinte dois!
Acho contraproducente e sem nexo alterar a data do 25 de Abril para 26 de Abril para evitar uma ponte. Deixem estar os feriados como estão ,pois quando eles calham a um sábado ou a um domingo ninguém se queixa e diz alguma coisa. Os feriados devem estar nas datas devidas . A sua alteração conduz à descaracterização do seu significado. Muitos funcionários aproveitam os feriados e metem dias de férias para poderem usufruir uns dias de descanso para retemperar forças para continuarem a trabalhar.
O nosso problema de produtividade não está tanto nos feriados e pontes mas nos dias em que se trabalha.
Parece que querer descansar e ter tempos de lazer , é sacrilégio. Quem trabalha e pensa no trabalho é que é aceite socialmente . O divertimento , as pausas , o lazer é mal aceite . Esta sociedade do tudo ou nada.
Há uns anos atrás , fomentava-se mais tempos livres , mais férias como um bem para a saúde física e mental . Deste modo , o lema sempre a trabalhar a psiquiatria e psicologia vai aumentar bastante a clientela.
Eu, por mim gosto de não ter nada para fazer e tempo livre , para desse modo, começar a fazer o que verdadeiramente gosto : ler , descansar , reflectir , ouvir música , pensar no CdP , etc. E , não me inibo de dizer, nem que isso seja mal entendido.
É engraçado, a proposta vinda de deputados , tendo em conta a baixa produtividade da Assembleia da República e porventura deste Governo, que mais tolerâncias de ponto tem dado -lembremo-nos recentemente da vinda do Papa , Cimeira da Nato. Sem comentários!
Ética
Os números são um instrumento útil e, nalguns casos, indispensável para tomadas de decisão em diversos campos: científico, económico, social, político, profissional, familiar, etc. Vivemos constantemente com números e estatísticas. A sociedade está de tal forma estruturada que damos cada vez mais importância aos números, aos preços, às estatísticas e às quantidades. No entanto, é meu desejo que as pessoas preocupem-se mais com as palavras, os valores, os princípios, o humanismo, a solidariedade e a ética.
A crise económica e social sem fim no Mundo, nomeadamente, em Portugal, levou-me a deixar ao leitor alguns PENSAMENTOS sobre o tema da ética na sociedade.
A palavra ética vem do grego e está relacionada com os costumes e com os princípios que devem orientar a convivência humana. Os direitos e os deveres de cada cidadão, os princípios de responsabilidade, igualdade, solidariedade, cidadania e respeito mútuo. Cada sociedade e cada grupo possuem os seus próprios códigos de ética. Existem códigos de ética para médicos, jornalistas, professores e muitas outras profissões.
Na minha opinião, nenhuma profissão é mais nobre do que a política porque quem a exerce assume responsabilidades só compatíveis com grandes qualidades morais e de competência. Assim deveria ser… A actividade política só se justifica se o actor político tiver espírito republicano. Quero com isto dizer que para além de procurar a conquista do poder, as suas acções devem ser dirigidas para o bem público. E nenhuma profissão é mais importante, penso eu, porque o político, na sua capacidade de tomar decisões, tem uma influência sobre a vida das pessoas maior do que a de qualquer outra profissão.
O político deve ser fiel à sua visão do bem público mas não pode ser radical em relação aos fins nem aos meios. Não pode acreditar que detém o monopólio do poder e a verdade absoluta. É aquilo a que vários politólogos chamam de ética da responsabilidade. Mas muitos actores políticos, refiro-me na generalidade e ninguém em particular, não agem de acordo com essa ética. Actuam imoralmente em vez de agirem com idoneidade e integridade no seu exercício. Isto passa-se em todas as actividades profissionais, bem sei, com a existência de oportunistas e desonestos. O Homem não é perfeito!
A ética é muito bonita na teoria. Mas na prática é bem difícil. A consciência ética necessária à vida social, no respeito pelos outros, está em falta nos dias de hoje. A sociedade não se tem preocupado o suficiente com as questões éticas. Para muitas pessoas, pensar a ética, o que ela é e como pode ajudar-nos a viver com mais consciência sobre o que somos, não é uma preocupação diária. Mas deveria ser. Tem que ser.
A palavra ética nunca foi tão falada nos dias de hoje. No entanto, parece-me que a sociedade caminha em sentido contrário. Se ela não for praticada, não tem sentido. Ela tem que estar presente em todas as relações humanas. A questão da corrupção e de todos os problemas morais que convivemos no dia-a-dia estão relacionados com a ética, ou melhor, a falta dela. São problemas decorrentes da falta de reflexão, de debate e de entendimento entre as pessoas, entre as empresas e entre os Estados.
A ética, muitas vezes, serve apenas como desculpa, como pano de fundo para realizar os interesses de um determinado segmento, grupo ou país. A ética devia estar acima dos interesses pessoais de cada um. Na teoria é tudo muito bonito e entre o que se diz e o que se pratica vai uma distância muito grande.
Nesta sociedade globalizada, a importância da ética é fundamental, porque somos cada vez mais pessoas no Mundo e porque as sociedades são cada vez mais complexas. Nunca precisamos tanto da ética quanto hoje. Pensemos nisto…
António José Gonçalves
Humor
Uma mulher linda e maravilhosa bate na porta do vizinho e diz-lhe:
- "Olá. Cheguei agora, mas estou com uma vontade louca de me divertir, de beber, de fazer sexo a noite toda...
Você está ocupado esta noite?"
- "NÃÃÃAO!!!"
-"Óptimo!... e pode ficar com o meu cachorro?..."
(enviado por Carolina Graça)
Há algo de podre no vale do Tua
Há algo de errado quando um Estudo de Impacto Ambiental e um Relatório de Conformidade Ambiental de Projecto de Execução (RECAPE) afirmam numa base científica que a barragem vai ser desastrosa a nível regional e insignificante a nível nacional, mas a barragem avança.
Há algo de errado quando a Linha do Tua tem vindo a ser abandonada ou mesmo mencionada no caso Face Oculta, mas a culpa da má manutenção da via e estações é atirada como que para os próprios utentes que a utilizam. Há algo de muito errado quando um consultor da UNESCO afirma deslumbrado que a Linha do Tua tem todas as condições para ser considerada Património da Humanidade, reiterando o que disse o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Ifespar) sobre o seu valor patrimonial único, mas depois os ministérios do ambiente e da cultura (e depois o próprio Igespar) concluem que nem o vale nem a Linha do Tua têm valor patrimonial ou ambiental algum, arquivando com uma celeridade desconcertante o processo de classificação desta como Património Nacional.
Algo não está bem quando os comboios da Linha do Tua ficam sobrelotados de turistas, quando o Plano Estratégico Nacional de Turismo e o Plano Regional de Ordenamento do Território do Norte prevêem maravi- lhas turísticas para esta região, e quando um projecto de turismo ferroviário para a Linha do Tua fica em terceiro lugar num concurso na- cional de empreendedoris- mo, e a CP e a Referfecham as portas à sua exploração turística.
Algo de muito errado se passa quando com um projecto ferroviário de baixo custo se poria um madrileno em Bragança em duas horas, e nos debates havidos em Trás-os-Montes sobre desenvolvimento ninguém diz uma palavra sobre caminhos-de-ferro.
Muito mal vai o estado da Democracia quando a voz de 18 mil peticionantes contra a construção da barragem do Tua e a favor da reabertura, modernização e prolongamento da Linha do Tua, defendendo inclusivamente métodos alternativos mais baratos e mais eficientes de produção e poupança de energia, não é ouvida ou não é suficiente para calar a de meia dúzia de indivíduos mal intencionados e de carácter duvidoso.
A lista de incongruências, atropelos, e laivos de acti- vidades amplamente contempladas no Código Penal avoluma-se. Vagas de estudos científicos e pareceres de especialistas - de entre os quais UNESCO e Comis- são Europeia - que apontam um severo dedo à barra- gem do Tua e coroam de louros o vale e a Linha do Tua, esboroam-se com um rumor de espuma do mar con- tra sabe-se lá que perigosos rochedos e contracor rentes.
Chegados a este ponto é lícito perguntar: em que mundos vive o Ministério Público e a PJ, ou será que o vale e a Linha do Tua é que já não pertencem a este mundo? Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto fede...
DANIEL CONDE (Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua)
05/12/2010
JUÍZES E GOVERNO
Apesar do recuo do governo in extremis , há outro diferendo e desacordo que tem implicações éticas e de dignidade no desempenho de cargos públicos. O governo indefere sistematicamente o requerimento para aceder aos documentos e despachos que autorizam os gastos de 16 ministros ,dos membros dos gabinetes em cartões de crédito e telefones móveis , fixos , etc.
Além da desconfiança e mal-estar latente entre juízes e procuradores já não é de agora. Mas eu pergunto , não deveria ser preciso ser juiz para se saber quanto gasta um governante!? Qualquer cidadão respeitável com os seus impostos em dia deveria ter acesso a esta informação de uma forma simples e acessível.
O poder actua com total impunidade de antemão admitida , faz o que quer e lhe apetece e ninguém tem nada com isso ou pode porventura questionar. Os políticos parecem transpolíticos : indiferentes,indiferenciados , andróginos , com uma máscara . travestis , com duas caras , duas morais , o bem e o mal, a verdade e a mentira formam parte da sua acção.
A transparência que deveria ser o comum , o natural torna-se num labirinto , no desconhecido e inacessível. Enquanto a política não for um espaço de honestidade , controle de gastos , com as coisas no seu devido sítio, etc. Assim não haverá confiança, garantia de legalidade, respeito pelos cidadãos e o cargo que se ocupa. Este sistema político nos moldes que opera , não há volta a dar-lhe , tem os dias contados...
JJ
04/12/2010
SÓCRATES E CAVACO DE MÃOS DADAS
Só possível lá fora porque cá dentro marcam-se de uma forma sibilina,mas estão condenados a entenderem-se .
WikiLeaks: liberdade ou como destruir a civilização ocidental?
O mundo é perigoso e está cada vez mais. A imprensa tem tido capital importância em muitos episódios da causa da liberdade, mas não se pode substituir a governos legítimos. Muito menos fragilizar países escrutináveis e democráticos como tudo sugere a estratégia da Wikileaks.
A WikiLeaks é uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia que publica, em seu site, posts de fontes anónimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis. Até aqui tudo bem. Foi ganhando notoriedade por serviços de jornalismo investigativo sempre necessário, mas passou ao sensacionalismo.
Ultimamente está a inundar a internet com documentos confidenciais sobretudo dos EUA. Até pode ser de muito gozo, mas muito perigoso. Só a inocência é que poderia pensar que os países não têm muito cuidado com a segurança e, a única forma é ter um sistema de informação eficiente. As informações não podem estar à mercê de todos, porque cairá na mão de estados terroristas ou grupos de malfeitores, cujas informações sigilosas a Wikileaks não disponibiliza, como todos sabem.
Lançar para o conhecimento comportamentos de bancos ou empresas que ferem a ética é uma coisa, outra diferente é lançar documentos de segurança não autorizados, porque só o faz relativamente a países democráticos do ocidente. Não há um documento dos países muçulmanos que albergam terroristas, nem da Coreia do Norte, China, Rússia, etc. Não traz informações das FARC, dos narcotraficantes nem da Al-Qaeda.
Pode ser muito interessante termos notícias que comprometam as forças armadas, em especial dos EUA, muito ao gosto dos europeus, mas é ilusão pensar que servem interesses da liberdade. Pelo contrário, e não me venham com a treta da liberdade de imprensa, porque o que se está a passar é desobediência a regras estabelecidas ou a compra corrupta de informação para gáudio dos seus fundadores. Já agora, qual é o verdadeiro interesse que perseguem? Verão em breve nas listas da Forbs.
Nem tudo o que parece é. Fragilizar o ocidente é um erro de palmatória num mundo cada vez mais perigoso. É uma verdadeira autofagia, que os inimigos da liberdade se não dão permissão.
Mário Russo
03/12/2010
ENTREVISTA
Clube dos Pensadores
Joaquim Jorge
“Fazer uma revolução pacífica”
O Clube dos Pensadores teve o seu inicio num blogue na internet no ano de 2006 e, desde então, tem vindo a evoluir de uma forma continua e sustentada, sendo hoje um espaço de referência em termos de cidadania na sociedade portuguesa.
Joaquim Jorge, natural de São Mamede Infesta, biólogo e fundador do clube, tem desempenhado um trabalho notável na promoção e divulgação de um projecto que ganhou dimensão nacional através dos debates realizados com figuras públicas de destaque e também através do programa de rádio semanal que, à semelhança dos debates, permite a participação do público, desde o cidadão mais anónimo à figura pública de maior destaque.
Apesar do indiscutível sucesso do Clube dos Pensadores, nem tudo é um mar de rosas como nos explica Joaquim Jorge na entrevista que se segue. Fiquemos então a conhecer um pouco melhor como surgiu e tem evoluído este autêntico fenómeno na sociedade portuguesa.
Quando e como surgiu a ideia de fundar o Clube dos Pensadores?
Apeteceu-me participar e intervir e não tinha onde nem como. Ao promover debates foi a forma que arranjei para poder ter voz activa, eu gosto de pessoas e estar com pessoas. Na política nada se faz sem as pessoas nem contra as pessoas. Tinha o blogue, depois surgiu o programa de rádio como complemento e uma extensão dos debates. Mas os debates são local por excelência, ver as pessoas olhos nos olhos , poder contradizer ou estar de acordo e ver a reacção das pessoas.
Quais os objectivos?
Fazer uma revolução pacífica de mentalidades e de ideias, primeiro e segundo fazer uma opinião pública informada e inteligente. Desta forma quem tem responsabilidades na "coisa pública" tem em atenção este facto. Ser um lobby de pensamento para o bem comum e público.
Como conseguiu montar uma rede de comunicação tão forte, ainda para mais quando se trata de um projecto independente?
Não sei, fui fazendo e apercebi-me que o Clube dos Pensadores (CdP) tem mercado as pessoas aderem, gostam e participam. Muito trabalho, persistência e astúcia. Muitos jornalistas acham piada a longevidade deste projecto e ajudam a divulgar sempre que podem. Conquistar as pessoas livres e por sua conta é que é difícil, agora reuniões para dar lugares é fácil ou quando há interesses por trás. Aqui não, nunca tive o hábito de comprar ninguém nem de me deixar comprar.
Quais os critérios que utiliza para escolher os convidados?
Os mais diversos e depende do momento. Mas o CdP não é só política, também é desporto, ambiente, jornalismo, etc. É transversal e trans-individual pois ouve pessoas mesmo não estando de acordo. Pedagogia política e pedagogia no ser e de estar. Fazer debates sempre com a mesma cor política ou da mesma família política é muito mais fácil, são conhecidos e têm os mesmos interesses. Agora ter gente de todos os quadrantes políticos não é fácil. Aliás está na moda fazer debates mas o CdP já faz debates há quase cinco anos. E, eu não gosto de fotocópias gosto de originais.
Das várias personalidades presentes nos debates do Clube, qual o marcou mais e porquê?
Todas, cada uma com as suas vicissitudes e personalidade. Umas gostei mais outras menos, mas é natural.
Alguma desilusão em especial, porquê?
Não, nunca tive nenhuma desilusão. Fiquei sim a conhecer melhor o convidado e a perceber o seu ideal que muitas vezes passa despercebido à opinião pública em geral. O conviver de perto, jantar, trocar impressões é importante para ter um juízo mais fidedigno.
Considera-se temido pelo poder político?
Não. Não sei porque pergunta isso! Agora digo o que penso sem joguinhos e o politicamente correcto. Se isso é temível, não sei, mas não quero mal a nenhum político. A vigarice e a mentira são-nos apresentadas como a única forma de governo. A democracia é imperfeita, como dizia Winston Churchill, contudo as nossas decisões podem melhorá-la. E, a democracia não pode ser só os partidos deve haver lugar a outros protagonistas e tipos de intervenção. O nosso sistema político é disfuncional. Os portugueses lentamente estão a compreender que o verdadeiro repto que enfrentam não é substituir uns dirigentes políticos por outros. É sim, corrigir um sistema político que deixou de funcionar, é preciso criar um banco de cérebros e ideias que passe para além dos partidos e emanem da sociedade civil, como aqui neste micro-espaço (debates, blogue, rádio, televisão) temos feito, criticamos e muitas e muitas vezes sugerimos.
Já foi vítima de pressões a esse ou outro nível?
Muitas, políticas, económicas, para trazer convidados, etc. Ouço e não ligo nenhuma. Desde que acham que eu sou importante tentam de todas as maneiras e feitios influenciar.
Pensou em desistir?
Sim, muitas vezes. Mas de repente, num ápice continuo e não desisto porque acho que este Clube está a tornar-se um símbolo e um refúgio de muita gente mais parecendo um farol. Muita e muita gente revê-se nas minhas ideias e isso é bom.
Qual a sua opinião acerca de Matosinhos nas várias vertentes?
Guilherme Pinto tem sido uma renovada surpresa pois já não o é. Já tinha dado provas no último mandato senão não tinha vencido. Continua o seu caminho, de uma forma sensata equilibrada e ponderada. Acho notável como um número dois, se tornou um número um indiscutível. Todavia deve ouvir pessoas fora da sua esfera política , primeiro Matosinhos e só depois o PS. Sou a favor da criação de um conselho estratégico consultivo para Matosinhos como banco de ideias e cérebros, em que Guilherme Pinto auscultava como entendesse essas pessoas escolhidas por si. A política não é só eleições e cargos electivos, é preciso envolver todos. Por exemplo o CdP e eu próprio deveríamos ser mais bem aproveitados. Sou nascido e criado em São Mamede de infesta, tenho um programa de rádio, dizem que é bastante ouvido e conhecido. Ao mesmo tempo ter uma boa relação com todas as freguesias, a começar com a freguesia de Matosinhos. Esse binómio é fundamental e não me parece que haja uma boa relação. Integrar nas estruturas da CM Matosinhos pessoas que nem sempre estiveram com ele. Eu sei que Guilherme Pinto é capaz disso e muito mais. Acho-o um pacificador e dialogante. Desta forma CM Matosinhos fica a seus pés enquanto ele quiser.
Pedro Brandão Correia
REBELIÃO
FELICIDADE
02/12/2010
MUNDIAL 2018
JOTAAOQUADRADO
Programa sobre política e actualidade « Jota ao Quadrado » à quinta-feira pelas 22h no canal RTV . ZON posição 88 e CABOVISÃO posição 14.
Um programa em que estão frente a frente Jorge Queiroz e Joaquim Jorge.
Emissão em directo e mais tarde gravada http://www.livestream.com/clubedospensadores
Repetições do Programa Jota ao Quadrado são as seguintes:
6ªfeira - 03:00
Sábado - 00:30
Sábado - 19:00
2ªfeira - 00:30
nota : questões que queiram ser respondidas e colocadas no programa escreve-as se fizer o favor nos comentários. Joaquim Jorge procurará responder dentro das suas possibilidades. Se desejar dar a sua opinião, também agradecemos muito.Obrigado.
CdP
01/12/2010
POLÍTICA E COISAS PIORES
1 de Dezembro
Grupos sociais estavam muito desiludidos e empobrecidos com os ataques aos territórios portugueses e aos navios que transportavam os produtos que vinham dessas regiões. A concorrência dos Holandeses, Ingleses e Franceses diminuía-lhes o negócio e os lucros.
Os nobres descontentes viam os seus cargos ocupados pelos Espanhóis, tinham perdido privilégios, eram obrigados a alistar-se no exército espanhol e a suportar todas as despesas. Também eles empobreciam e era quase sempre desvalorizada a sua qualidade ou capacidade!
Os portugueses viam-se viram-se afastados da vida da corte e acabaram por se retirar para a província, para poderem sobreviver com alguma dignidade imposta pela sua classe social.
Portugal, na prática, era como se fosse uma província espanhola, governada de longe, sem qualquer preocupação com os interesses e necessidades das pessoas que cá viviam... Estas serviam para pagar impostos que ajudavam a custear as despesas do Império Espanhol que também já estava em declínio!
A similitude do que vivemos actualmente é gritante. Não são os espanhóis mas são os europeus concretamente a SrªAngela Dorothea Merkel e convenhamos também temos sido governados por gente sem estaleca..











































