19/11/2017

Joaquim Jorge no JEN



O PSD sempre teve facções e ódios de estimação. Por isso, diz-se que o PSD é o partido mais português de todos, pois, é o único que representa melhor a forma de ser dos portugueses.
A dialéctica do ressentimento segue a lógica do escárnio e maldizer que leva a um discurso, em vez, de criar pontes cria paredes. O PSD precisa de tudo menos de uma catarse colectiva sob o guarda-chuva do absurdo.
Os candidatos devem falar com os militantes como pretendem o PSD no futuro e governar Portugal. Como vão mobilizar os militantes do PSD, muitos estão desinteressados e apáticos, envolvê-los na actividade política. Conseguir converter essa energia em poder político.
O desafio é produzir mudanças desejáveis. A melhor maneira é uma campanha com elevação e boas ideias. O PSD tem que fugir da lama da política. Os ataques pessoais não levam a lado nenhum.
Modernizar o PSD: os seus métodos de recrutamento e reformular a sua organização. Explicar como pode melhorar a sua posição, para ser merecedor da confiança dos portugueses que deseja governar.
Só depois de restaurar essa confiança e deixar de ter o rótulo  "partido da austeridade", poderá aspirar a ser poder. Os portugueses estão fartos de endeusados, primorosos, pavões, senhores perfeitos e intocáveis.
O PSD tem, por um lado, um problema de aceitação: aceitação entre si e dos portugueses. Por outro lado, tem um problema de actualização: actualização interna e na forma de fazer política e comunicar.
O PSD tem que voltar à social-democracia e apresentar um projecto coerente, em vez de se perder em ambiguidades que o podem conduzir à irrelevância.
Estas eleições internas do PSD mostram uma nova táctica de alguns dirigentes do partido, que dominam, impõem e decidem nos bastidores, há anos. Evitam aparecer ao lado dos candidatos: Pedro Santana Lopes e Rui Rio.
Sabem que não são bem vistos e que só prejudicam a imagem do candidato. Contudo tornam-se invisíveis, mas continuam a mexer os cordelinhos nos bastidores e na sombra.
A nossa democracia e os partidos têm algo sui generis: tem gente que não pode aparecer, todo o mundo os conhece e sabe do que são capazes, mas continuam a influenciar e a mandar por interpostas pessoas.
São aquilo a que eu chamo os "camaleões" - mudam de cor para passarem despercebidos e poderem sacar os seus desígnios e defenderem-se dos olhares indiscretos. O PSD, nesta fase, precisa de tudo menos de camaleões.
Como diz Moisés Naím: "O poder já não é o que era". E, para se chegar ao poder tem que se ser inovador, criativo e pensar a política de outra forma.
Rui Rio é sóbrio e calculista, Pedro Santana Lopes é emotivo e exuberante. Está a ser uma luta renhida e interessante, quotas de militantes à parte…

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